segunda-feira, 3 de abril de 2017

LUTO: O PROCESSO APÓS A DESPEDIDA DO SEU ANIMAL


Despedida do animalzinho

A Cléo já partiu há pouco mais de 4 meses. Eu já escrevi vários posts nas redes sociais depois que ela se foi, falando diversas coisas e expondo os meus sentimentos durante esse processo tão doloroso, que é o luto. Mas vinha adiando esse artigo. É que quando escrevo aqui no Blog, normalmente, eu trato de temas onde eu falo com propriedade, com conhecimento e embasamento, para os meus leitores sobre situações genéricas que, não necessariamente, eu tenha vivido. Às vezes eu busco informações sobre o tema, consulto especialistas, pesquiso muito até me sentir preparada para compartilhar com vocês, mesmo sem eu ter passado pela situação.



Falar sobre algo tão pessoal e íntimo, como é o processo do luto, é mais complicado. Porque, por mais que eu tenha lido muito a respeito, pesquisado e consultado profissionais, é algo muito meu... e de cada um. E é algo confuso também, que vai mudando a cada instante a intensidade dos seus pensamentos e sentimentos e, consequentemente, a forma como você se coloca na situação. Por isso, até agora, eu ainda não havia me sentido preparada para escrever sobre o tema em si.



Mas, este final de semana, o grupo CÃO VIDA (um Grupo de Apoio aos Tutores de Cães com Câncer, que eu decidi criar quando recebi o diagnóstico da Cléo), realizou um bate-papo e palestra com a psicóloga Eliana Alcauza, do Humanae – Núcleo de Psicologia e Cultura, justamente sobre ele: o luto.  E durante esse evento, eu aprendi um pouco mais sobre as fases de um luto, pude ouvir dos demais participantes as experiências deles neste processo e pude falar sobre a minha vivência de uma forma tão leve e clara que me fez perceber que, sim, eu estou percorrendo caminho certo e estou preparada para falar, escrever e viver esse processo. E chegou a hora de compartilhar isso com vocês.



Segundo a psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross existem 5 fases do luto:



1) Negação

Quando negamos o problema, tentado encontrar algum jeito de não entrarmos em contato com a realidade, evitando, por exemplo, falar sobre o assunto.



2) Raiva

Aqui é a hora de nos revoltarmos com o mundo. Brigamos com a vida, com Deus, com o universo. Nos sentimos injustiçados (porque eu?) por estarmos passando por isso.



3) Barganha

Quando começa a fase da negociação, inclusive consigo mesmo, fazendo promessas e dizendo que será uma pessoa melhor se sair da situação.



4) Depressão

É a fase do isolamento, de nos recolhermos para nosso mundo interno, sendo dominados pela melancolia e nos sentindo impotentes diante da situação.



5) Aceitação

É o estágio em que já não há mais desespero e conseguimos enxergar a realidade como realmente é, ficando prontos pra enfrentar a perda ou a morte.





SIM, eu sei que as teorias e estudos sobre o luto falam da perda de um ente querido, referindo-se aos humanos. O próprio significado da palavra, no dicionário da língua portuguesa, diz que trata-se de um substantivo masculino, que define “um sentimento de tristeza profunda pela morte de alguém”. E até mesmo a definição das fases, obviamente, estão baseadas nos sentimentos do luto pela perda de um ser humano.

Por isso, a maioria das pessoas que perde um pet, evita expor sua dor porque “os outros vão me achar ridícula por estar sofrendo tanto pela morte de um cão”. Que se exploda o que os outros vão pensar!! O que importa é o que você está sentindo e, se alguém a sua volta não consegue entender ou ao menos respeitar, o problema não é seu.



Na verdade, no sentido amplo (e prático, da vida, do nosso dia a dia), o luto é um processo necessário e fundamental para preencher o vazio deixado por qualquer perda significativa não apenas de alguém, mas também de algo importante, tais como: objeto, viagem, emprego, ideia, e, também, pelo animal de estimação.



Saiba que, de acordo com depoimentos de pessoas que já passaram pelas perdas, tanto de seres humanos como de animais de estimação, a intensidade da dor imediata que você sente no ato da despedida é exatamente a mesma!! E sim, o processo do luto também. Ainda mais quando o amor, ao longo da vida, teve a mesma força.


Estabeleça o seu ritual, no seu tempo


Então, quero compartilhar aqui, algumas descobertas nas minhas fases e dar algumas dicas para quem esteja passando pelo mesmo processo doloroso após ter se despedido do seu animalzinho:





1)  PERMITA-SE SENTIR A DOR

Eu não me lembro de, até o momento, ter sentido uma dor tão dilacerante quanto a que me acometeu no momento da partida da Cléo. É algo indescritível, que só se entende sentindo. Uma falta de ar, um desespero e a sensação de estar sendo cortada ao meio por uma lâmina afiada... tudo ao mesmo tempo, em uma fração de segundos, que me fez achar que eu morreria junto. Algo apagou tudo o que estava ao meu redor e concentrou toda a minha atenção somente nestas sensações. Eu queria ter a capacidade de entrar nela ou me fundir a ela, e partir junto. “O que eu vou fazer?”, “Como vou viver agora?”, “Porque você me deixou?”, “Volta, pelo amor de Deus!”... estes e outros pensamentos invadiram a minha mente naquela hora, enquanto eu a abraçava e chorava. Pareceu uma eternidade, mas não passou de alguns poucos minutos. E logo, eu fui tomada por uma inércia, uma sensação de dormência, de estar sonhando... e já não conseguia coordenar pensamentos, sentimentos e movimentos. Eu não tinha capacidade de responder por nada, nem por mim mesma. E me entreguei. Me deixei cuidar. Tive a grande sorte de ter ao meu lado pessoas especiais e muito queridas, que cuidaram de tudo... do corpinho dela, da sua cremação, da notícia para as demais pessoas e de mim. Eu vinha de um período de luta pela saúde dela, onde não me permiti fraquejar nem um instante, até que chegasse o final. Ela descansou, era o meu momento de descansar também. Eu só queria chorar e dormir, e foi isso que me permitir fazer por 2 dias. Me permitiria quantos mais dias eu sentisse que seriam necessários. Chorei na cama, chorei no chuveiro, chorei no chão da cozinha, chorei... senti doer a cabeça, o coração, o estômago... doeu muito e eu deixei doer. Eu me permitir deitar lá no fundinho do poço e ficar lá até que o meu coração deu o sinal de que estava pronto para iniciar o processo de reconstrução.



2)  RESPEITE-SE E COMPREENDA O SEU TEMPO



Eu me dei o direito de decidir o meu tempo para cada coisinha, cada decisão, cada mudança que tivesse que ser feita após a morte da Cléo. Só voltei para nossa casa, dois dias após a sua partida. Não fui já dando fim a todas as coisas que lhe pertenciam ou traziam lembranças dela. Doei alguns objetos de cara, outros foram sendo doados aos poucos. E alguns pertences dela ainda estão comigo, pela casa... e nem sei se algum dia serão descartados. Eu não quis fazer velório ou assistir à sua cremação. E, só realizei o ritual de liberar as suas cinzas, quando encontrei a oportunidade ideal para fazer uma despedida à sua altura. Eu evitei ir a alguns lugares “nossos” nos primeiros dias e também adiei o encontro com as pessoas com as quais convivemos, por que não me sentia preparada para encará-las.  Eu tenho um tufo de pêlos dela guardado até hoje e, de vez em quando, vou lá e dou uma cheiradinha para matar a saudade do seu perfume. Minha casa tem fotos dela espalhadas por cada canto. Eu recebi muitos conselhos, opiniões, idéias... respeito e agradeço por cada uma delas. Mas, em respeito a mim mesma, escolhi os meus tempos e as minhas opções.  Às vezes tenho a sensação de que ela se foi há muitos anos. Outras vezes, me parece que foi ontem.

São apenas 4 meses e já não me dói tanto como no início. Eu consigo escrever e falar dela sem chorar. Há dias em que não derramo sequer uma lágrima. Por alguns momentos me questiono se é normal eu já estar me sentindo tão bem. Mas ai percebo que isso não significa que eu não sinta sua falta, que ela não tenha mais importância em minha vida ou que não doa mais. Eu só me permiti viver e sentir as fases conforme elas foram acontecendo. E isso talvez tenha me ajudado a transformar aquela dor dilacerante do início, numa saudade gostosa.

Em alguns momentos me pergunto “Como pode já não existir mais? Não estar mais aqui?” E tá tudo bem eu continuar me perguntando isso.



3)  EXPONHA SEUS SENTIMENTOS E COMPARTILHE O SOFRIMENTO



Eu amo escrever e isso me ajuda a expor os meus sentimentos. Eu sou uma pessoa um tanto quanto reservada. Não sou muito boa com as palavras verbais e não tenho tanta clareza com a fala, como tenho com a escrita. Por isso, especialmente nos primeiros dias após a morte da Cléo, eu escrevi. Escrevi muito! Coloquei tudo que vinha à minha mente ou ao coração, para fora. Dividi, compartilhei, expus. Foram textos longos, profundos, por vezes tristes, outras vezes mais motivadores. Não sei se todos os meus contatos das redes sociais curtiram esses posts, se houve quem achasse que era exposição demais, se alguém achou aquilo meio deprimente ou chato, se alguém me deu um “block” ou deixou de me seguir, se acharam que eu estava passando dos limites ou me aproveitando da situação para ganhar mais visibilidade... Ou, ainda, possivelmente, houve quem achasse que era drama demais para “apenas um cachorro”.

Bom, se alguma destas opções se tornou real, sorry.  O espaço é meu, não obrigo ninguém a me adicionar ou acompanhar minhas publicações, portanto escrevo o que eu quiser (claro, desde que não ofenda ou atinja de alguma forma ninguém). Não concorda, não gosta ou acha chato, basta não ler. Mas, respeito é bom, e não só eu, como todo mundo, gosta!

O que eu sei é que muitas (muitas mesmo) pessoas leram, se emocionaram, se identificaram, se solidarizaram, comentaram, compartilharam e curtiram meus posts. Algumas pessoas que já haviam passado pelo mesmo que eu, se sentiram compreendidas ou mesmo entenderam melhor os sentimentos que as acometeram nas suas experiências. Outras, que estavam preocupadas comigo, mas que não tinham coragem de me ligar ou escrever perguntando como eu estava, sentiram-se aliviadas por terem noticias e saberem como eu estava lidando com a situação. Houve também quem aproveitasse para me consolar, para oferecer ajuda, um ombro amigo, para dizer o quanto elas também estavam sofrendo com a partida da Cléo, enfim...

Isso foi parte essencial do meu processo de reconstrução. Me fez sentir que eu não estava sozinha, alegrou o meu coração por saber o quanto a minha filhota era querida e, de alguma forma, pertencia a todos. Também passei a ter um sentimento de gratidão ao ver que a minha experiência estava ajudando outras pessoas a passarem pelo processo delas de uma maneira melhor. É como se eu tivesse encontrado sentido para aquilo tudo. Como se eu tivesse dividido o meu sofrimento com dezenas de outras pessoas. Cada vez que eu escrevia um texto, eu dissolvia um pedacinho da dor.

Portanto, ponha pra fora, seja na escrita ou falando com seus amigos e familiares. Fale, escreva quantas vezes for preciso. Quantas vezes você sentir vontade. E se alguém não quiser te ouvir ou ler, não tem problema, busque quem queira! Mas não se reprima. Você vai ver como tudo ficará muito mais leve.



4)  CULTIVE PENSAMENTOS E SENTIMENTOS POSITIVOS



Eu sei que é difícil, que nos primeiros dias, as imagens que irão tomar conta da sua mente são sempre as mais dolorosas. Especialmente se o seu animalzinho passou por uma fase difícil, enfrentou uma doença, morreu nos seus braços ou você teve que eutanasiá-lo e presenciou isso. Sim, eu sei... a imagem do corpinho inerte do seu mascote irá, de todas as formas, tentar invadir seus pensamentos e até mesmo seus sonhos. Acolha também esse momento, mas não o deixe dominar o espaço por muito tempo. Aos pouquinhos, vá tentando puxar lá de dentro do seu coração, as imagens dos momentos em que vocês foram felizes juntos. Lembre-se da infância dele (caso você o tenha conhecido filhote), lembre-se das peraltices, dos passeios, das lambidas... Certeza de que você tem aí no seu arquivo muito mais lembranças positivas do que negativas. Eu por exemplo, convivi 9 anos com a Cléo e somente no seu ultimo ano de vida ela teve problemas de saúde sérios e tivemos momentos difíceis. O que significa que tenho 8 anos de momentos felizes para lembrar. E como fomos felizes!!! Pense nisso. No quanto você o amou, cuidou... se você está passado pelo processo de um luto pelo seu animal e está dedicando o seu tempo para ler esse artigo, é porque você foi um tutor maravilhoso. O melhor tutor que ele pode ter tido, até o final. Portanto, ele foi sim, um animalzinho feliz e amado. A Cléo não sofre mais, não sente mais dores, não tem limitações. Eu não passo mais pela angústia de não ter certeza do que ela está sentindo, de não saber se eu posso fazer algo diferente. Eu sei que eu fiz o melhor que pude. E dei todo o meu amor.





5)   NÃO TENTE SUBSTITUIR



Sabe aquele ditado que diz que “Ninguém é insubstituível” ?!

Pois é, eu não concordo muito com isso não. Eu acho que cada coisinha desse universo é única (incluindo os seres) e que não se pode substituir nada 100%.

Se uma roseira morre, você pode até plantar outra roseira. Mas, repare bem, não será exatamente igual à anterior. Talvez o vermelho das pétalas não seja tão vivo, talvez os galhos pendam mais para a direita do que para a esquerda...

Se você teve uma melhor amiga na infância, mas perderam o contato. Hoje, na vida adulta, você tem outra melhor amiga. Mas ela, definitivamente, não é igual à anterior.

Cada relacionamento amoroso que você estabelece é diferente. A receita da feijoada padrão é a mesma, mas em cada restaurante tem um gosto particular. Com os animais de estimação também é assim. Você pode ter tido 20 cachorros ao longo da sua vida. Mas cada um deles era diferente. Com cada um deles você estabeleceu uma relação, você conviveu de uma maneira particular.

Portanto, quando o seu mascote morre, não adianta sair correndo e providenciar outro animal para substituí-lo. Porque ele não será igual, não será o mesmo animal que partiu. E você não pode colocar essa responsabilidade e as suas expectativas nas costas desse novo serzinho.

Mas isso não significa que você não possa ocupar o espaço.

Por exemplo: Se perdemos a nossa mãe e temos alguém (uma amiga, uma tia, etc) que consideramos uma segunda mãe para nós, nosso coração, de certa forma, satisfaz a necessidade de nutrir um sentimento dentro de um relacionamento materno e nos sentimos amadas, protegidas, amparadas por uma mãe. Ainda que não seja a nossa mãe verdadeira, de sangue, e que tenhamos consciência disso. Nós vamos continuar sentindo saudades da nossa mãe, mas teremos esse espacinho preenchido em nosso coração por outra pessoa.

Quando a Cléo morreu, eu fiquei meio perdida. Toda a minha preocupação voltada à saúde dela, todo o tempo que eu dedicava a levá-la para suas terapias e tratamentos, todo cuidado que eu tinha que ter nas atividades do nosso dia a dia por conta das suas limitações... o que eu faria com tudo isso agora? Eu tive que re-organizar  toda a minha agenda, porque agora eu tinha horas sobrando nas minhas manhãs. Eu tive que redirecionar as minhas preocupações e prioridades. E, sim, eu tive milhares de oportunidades de pegar logo um outro cachorro (recebi várias fotos de filhotes para doação, amigos que queriam me presentear, etc), mas isso não resolveria. Porque não seria a Cléo, seria um NOVO cachorro. E eu tinha que ter consciência disso primeiro.

Se você não tem um outro animalzinho, consegue ter a plena consciência do que acabei de escrever e sente-se preparado para se dedicar e amar um NOVO ser, então não vejo problema algum em pegar um outro animal logo em seguida. Lembre-se: o tempo é seu!

Eu não me sentia preparada e, além disso, eu não estava sozinha... eu tinha a Alegria (minha outra mascote). E, nesse momento, eu decidi que precisava voltar a minha atenção para ela, para nós. Eu percebi que, até ali, seja por conta da intensidade da relação que eu tinha com a Cléo, seja por causa do tempo e da atenção que a Cléo me demandava, eu ainda não tinha conseguido estabelecer uma relação de verdade com a Alegria. Não que eu não a amasse, que não cuidasse bem dela, nada disso... mas é que, de certa forma, ela sempre esteve em segundo plano. Porque mesmo quando eu estava passeando, viajando ou vivendo algum momento só com ela, eu estava com o meu pensamento na Cléo, eu sentia falta da Cléo, eu sentia até mesmo culpa por estar ali com a Alegria e ter deixado a Cléo em casa.... enfim. Eu percebi que nunca havia estado ou me entregado 100% para a Alegria. E ela nunca me cobrou, mas eu sabia que ela merecia isso. Portanto, eu decidi que aquela era a hora de construirmos a nossa relação. Sem falar que, ela também sofreu com a partida da Cléo e precisava da minha ajuda para passar pelo processo dela, assim como estava me ajudando a passar pelo meu.

O processo de luto dá-se tanto em humanos como animais (sim, eles também vivenciam, à sua maneira, a perda de um irmãozinho ou amiguinho). Em nós, humanos, o processo de luto é acompanhado por um conjunto de sentimentos, entre os quais: tristeza, raiva, culpa, ansiedade, solidão, fadiga, desamparo, choque, anseio, torpor, alívio e emancipação. Refletindo-se em sintomas físicos de vazio no estômago, aperto no peito, nó na garganta, falta de ar, falta de energia, boca seca entre outros.

Nos animais, pode vir acompanhado de depressão, falta de apetite, agressividade e até mesmo levar a morte. Há diversos casos de animais que morreram pouco tempo depois de perderem um companheiro.

A Alegria demorou a transparecer, mas sim, teve reações à morte da Cléo. Ficou mais insegura, carente, desenvolveu medos (ex: chuva e trovoadas) e até mesmo protagonizou alguns episódios de agressividade contra outros animais.

Um novo animal, naquele momento, não somente não iria substituir a Cléo, como também iria me impedir de enxergar que eu já tinha um NOVO animal ao meu lado e que ele também precisava de cuidados. Daqui a um tempo, nós duas estaremos preparadas para recebermos um novo animal em nossas vidas.





6)   NÃO SE COBRE OU SE JULGUE



E se eu tivesse voltado com ela para o hospital? E se eu tivesse feito tal procedimento?  Será que eu a amei o suficiente? Será que eu fiz mesmo tudo o que estava ao alcance? Eu já não choro mais, será que não estou sentindo sua falta?

O “Será” e o “E Se”, vão nos acompanhar durante algum tempo... assim como aquelas imagens e lembranças ruins que falei lá no item 4, eles vão tentar dominar a sua consciência fazendo com que você se questione, se julgue, se puna... Não se cobre. Assim como eu, tenho certeza de que você fez o possível pelo seu animalzinho e teria feito mais, se houvesse possibilidades. Teria impedido o acidente se fosse possível, teria levado em mais um especialista se houvesse chance de cura... Se você ainda chora, mesmo depois de anos, é porque ainda há sentimentos para colocar para fora. Se você não chora, não significa que não sinta falta, mas que talvez a felicidade de ter tido aquele animal em sua vida seja maior que a dor da ausência dele. Se você tomou optou pela eutanásia ou o deixou partir de morte natural, certeza de que tomou a melhor decisão para vocês dois e que escolheu isso com muito amor. Não se cobre. Não se julgue. O que passou, passou e aconteceu como deveria ter sido. E, caso haja novas chances, poderão ser diferentes...ou não.



7)  BUSQUE ACREDITAR EM ALGO QUE TE CONFORTE



Eu acredito que a Cléo veio para minha vida com uma missão. Na verdade ela veio por varias razões, ela veio com alguns desafios. Para me inspirar e criar a Turismo 4 patas, para me ensinar sobre a relação cães e tutores, para me apresentar a pessoas que hoje são essenciais em minha vida, para me fortalecer em diversas situações difíceis, para me mostrar que sou capaz de superações nunca pensadas, para me tornar mais humana, para me ensinar a amar incondicionalmente e até mesmo para me ensinar a lidar com a morte (algo que eu tanto temia). Eu sei que ela veio para minha vida por uma razão... e que não poderia ser nenhum outro animal, que não ela. E eu sei que, quando ela cumpriu o seu papel, até o último desafio, ela partiu. Ela foi para um lugar onde poderá se recuperar dos efeitos desta sua ultima encarnação, se restabelecer e se preparar para uma nova vida... com uma nova missão e novos desafios... seja ao meu lado ou ao lado de uma outra pessoa. Eu acredito nisso e isso me conforta, me traz paz.

Independente de crenças ou religiões, busque acreditar em algo que acalente o seu coração. Seja em reencarnação, seja no fato de que você deu ao seu animal a melhor vida dele,  seja no fato de que agora aquele corpo físico não sofre mais... enfim... eu acho que a fé nos fortalece, nos coloca de pé e nos ajuda a seguir em frente. E é isso que precisamos, dar os passos, sejam maiores ou menores, sejam lentos ou rápidos... mas que sejam para a frente. Acreditando.



8)  SE NÃO CONSEGUE SOZINHO, PROCURE AJUDA!



É importante perceber quando não conseguimos encarar a situação sozinhos, quando não conseguimos dar os passos adiante e, deixar o orgulho, a vergonha ou o que quer que seja que esteja te bloqueando a gritar por socorro de lado. Não é nenhum atestado de fraqueza assumir que não está conseguindo e se deixar ajudar. O que não pode é se afundar na tristeza, que pode evoluir para uma depressão e ocasionar problemas muito mais graves. E nada de sair tomando remédios para dormir ou acalmar por conta própria, ok?

Um psicólogo poderá identificar o estágio do luto em que você se encontra e o ajudar a vivenciar os sentimentos e analisar os pensamentos da melhor maneira, sem evitá-los. E assim, você poderá se permitir vivenciar o seu luto.





Não existe uma sequencia dos estágios de luto, assim como também é muito particular a forma com que cada pessoa lida com esse processo. Não há tempo definido para cada fase, nem para o processo terminar. Tudo depende da pessoa e da sua perda. E não, não há como se preparar para isso. Por mais que você leia sobre o assunto, converse com pessoas que passaram pela experiência, quando chegar a sua hora possa ser que aconteça tudo diferente. E não há como fugir, todos nós que temos animais vamos passar (ou já passamos) por isso... e pelas perdas de outros entes também.



O que eu posso te dizer é que, sabe aquele ditado “A gente só dá valor quando perde?”, com esse eu concordo! Esse é um sábio ditado ao qual devemos prestar muita atenção e seguir. Devemos valorizar o que temos, enquanto temos. Pois não sabemos quando vamos deixar de ter. E é da natureza humana, se perder no tempo, se distrair com outras coisas e só nos darmos conta da importância de algo ou alguém, depois que o perdemos. Não deixe mais esse sentimento tomar conta de você durante o seu processo de luto. Dê valor, ame, cuide, desfrute da companhia do seu animalzinho enquanto o tem ao seu lado fisicamente. E faça isso já, agora. Porque, infelizmente, eles vivem muito menos do que gostaríamos. Tenho certeza de que, assim, o seu coração se sentirá um pouquinho mais preparado para enfrentar o luto.

Cléo




Larissa Rios

6 comentários:

  1. Minha Nina se foi sábado passado (25/03/2017). Sinto falta dela, e muito, sinto saudades, parece que a casa está vazia, embora tenha outras duas "filhas", mas não me sinto triste. Sua passagem foi muito rápida, sem dor ou sofrimento, talvez isso me consola. Bjs no coração

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  2. Ro, sinto muito pela sua perda. Mas, pro outro lado, fico feliz em saber que o seu processo está sendo leve e tranquilo, apesar da dor. É isso ai, pensamentos e sentimentos positivos... um passo década vez. Um abraço forte! Larissa

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  3. Lindo Larissa!
    Te admiro muito!!!

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  4. Numa manhã de julho, ele se foi. Meu primeiro cão de coração, Righel, Pastor Branco Suiço com 15 anos. Já há alguns meses vinha sofrendo com a idade, pouco levantava, pouco andava, mas seu olhar não deixava duvidas que estava conosco em sua plenitude. Vinte dias antes da partida, teve uma crise séria e parou de andar sem ajuda. Tentei com tudo que tinha, a familia inteira, enrolavamos ele num lençol e levavamos para suas necessidades.Foram 20 dias de luta ingloria contra infecção urinária, e outros problemas que advém dessa quase "maldição do Pastor Alemão"... Tive que trabalhar na minha cabeça por 15 dias a decisão de abreviar a vida dele. Nossa... como foi duro. Mais duro ainda era ver ele com dor, e dificuldade de urinar quanto eu tentava levanta-lo. Afinal era um cachorro de 40 quilos, sem força nas patas traseiras. Não houve jeito... A idade avançada e as complicações venceram. Partiu tranquilo abraçado comigo, numa manhã de inverno... Cuidei do seu corpo e fizemos juntos uma ultima viajem até o crematório...Fiz questão de acommpanhar meu amigo, filho, irmão, companheiro inseparável até o ultimo momento. A dor, a saudade, o vazio são indescritiveis. Passado quase um ano, até hoje os olhos encharcam de saudade. Nunca haverá outro igual, que segue guardado no meu coração até que um dia a gente se veja de novo. A irmã viralatinha dele também logo irá, pois além da idade ela foi muito afetada com o luto, por mais que tentassemos protege-la. Há pouco mais de 6 meses, chegou em casa outro branquelo, Zandor, um anjo de 4 patas que vem para não deixar ninguém quieto. Lindo e unico, mas que nunca preencherá o espaço que sempre será do Righel. Cada um tem um pedaço do nosso coração. Acho que se resume como na musica "tem sido um longo caminho sem você meu amigo. Mas falaremos sobre isso quando nos vermos de novo"

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    1. Ricardo, querido, muito obrigada por compartilhar a sua experiência. Lindo! Vamos nos novamente, em breve, e conversaremos ainda mais sobre isso. Um beijo grande em vcs dois

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