quarta-feira, 10 de maio de 2017

FOOD PARKS PARA A CACHORRADA


Nossa mascote, ALEGRIA, pronta para avaliar o Cão Solto

Há cerca de 1 ano, talvez 2, os food trucks invadiram o Brasil. Pelo menos aqui na capital paulista notou-se um boom desta nova moda dos restaurantes itinerantes. E, como não poderia deixar de ser, não demorou muito para o mercado pet friendly meter a fuça na nova tendência. Afinal, eles (os pets) agora nos acompanham por todos os lados, não é mesmo?

Alguns eventos com a reunião de food trucks começaram a fazer parte da programação de final de semana da cidade e espaços dispostos a reunir tanto dos trucks quanto os pets também deram o ar da sua graça, para nossa ALEGRIA  – literalmente ;-)

Temos, por exemplo, o Pocket Park Moema e alguns outros na cidade de São Paulo. Mas os que vamos apresentar a seguir, são especiais, porque são focados no público pet e lá nossos mascotes podem ficar a vontade, sem guia.

Dog Lab: o primeiro Food Park pet friendly



O primeiro a surgir foi o Dog Lab, em 2015. Um espaço com cerca de 500m2, no bairro do Campo Belo (São Paulo, SP). Dispõe de um quintal para atividades externas, festivais com food trucks, som ao vivo e outros eventos no universo canino. Um salão com auditório também pode ser utilizado para aulas e palestras, bem como cozinha para outros cursos. Frequentemente promove happy hours e noites de pizza. Funciona durante a semana e aos finais de semana também, porém, quando reservado para eventos específicos, não abre ao público.

Alegria na entrada do Cão Solto

Peludos se divertem soltos e sob supervisão
O Cão Solto é uma iniciativa do Rafael Thomeu, que atua na área da produção de eventos. Inaugurado há cerca de 1 mês (com a presença de cerca de 100 cães só na inauguração), no bairro de Pinheiros (São Paulo, SP), por enquanto o funcionamento é somente aos sábados. Mas o sucesso já levantou as orelhas do Rafael que considera a extensão das atividades também para os domingos, em breve. Paga-se um valor de ingresso para os humanos (cão não paga), que pode ser revertido em consumação. A moeda lá é o reAUs, que são adquiridos nos caixas e utilizados nos diversos food trucks disponíveis no local. As opções vão desde os hamburguers, passando pelos sucos, tapiocas, até comida asiática. Tem também guloseimas para os dogs. O espaço é um estacionamento, cujas vias de entrada e saída foram devidamente adaptadas com portões de segurança, evitando assim qualquer possibilidade de fugas dos animais. O som ambiente é rigidamente controlado pelo Rafael, para que não prejudique nem estresse os cães. "O som nunca chega num volume que possa agredir os ouvidos dos mascotes, e temos sempre um monitor de olho nas brincadeiras", diz Rafael, sobre o que considera os diferenciais do Cão.  Eles podem ficar soltinhos da silva e correm feito loucos por todos os lados, sempre sob a supervisão de monitores que intervém caso algo ameace sair do controle.

Também pode ser utilizado para festas e eventos – no dia em que estivemos lá, havia uma comemoração de aniversário canino. E todos se divertiam bastante na paz.

Mas é importante dizer que a responsabilidade não é exclusiva do estabelecimento. Nós, tutores, também somos responsáveis por mantermos o ambiente dos locais que frequentamos com nossos pets em harmonia. Por isso, seguem aqui algumas dicas importantes para você frequentar estes locais com seu mascote:

- Conheça e respeite o temperamento e o perfil do seu cão. Só frequente locais assim, se ele estiver acostumado com outros cães, com pessoas e com a movimentação característica. Ele deve ser dócil e sociável com todos e se sentir tranquilo e a vontade.

- Entenda a linguagem corporal dos animais. Os cães expressam muito dos seus sentimentos, desejos e emoções através do corpo. Por exemplo, quando está com medo tende a colocar o rabo entre as pernas, já quando se sente dominante, o rabo fica ereto e sem movimentos. Pelos eriçados, focinho enrugado, dentes a mostra, rosnados e alguns latidos também podem ser alertas de que a comunicação entre os animais pode não estar indo bem. Reconhecer esses sinais pode ajudar a evitar atritos ou a agir antes que a briga comece.

- Ao chegar ao local, mantenha a calma e apresente o seu mascote aos animais já presentes. Deixe que se cheirem, se conheçam e estabeleçam contato. Se preciso e se disponível, procure os monitores para auxiliar.

- Supervisione o seu mascote. Sim, fique de olho nele o tempo inteiro! Observe as brincadeiras para que não passem do limite amigável, evite que ele se aproxime das mesas alheias ou mesmo ataque a comida do prato vizinho, etc.

- Colabore com a higiene e limpeza do local e recolha os dejetos do seu animal.

- Não ofereça comida a nenhum cão que você não conheça ou sem o consentimento dos tutores. Ele pode ter uma alergia ou intolerância a determinados alimentos ou mesmo o tutor pode não gostar por questões disciplinares. E também não permita que o seu cão peça comida alheia.

- Cadelas no cio? Nem pensar, né ?!


Vai lá conferir e depois conta pra gente. Se tiver sugestão de outros locais pet friendly, escreva para contato@turismo4patas.com.br




Larissa Rios

quarta-feira, 26 de abril de 2017

ROTEIRO PET FRIENDLY: REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO


Apertou esse cinto direitinho mesmo?!

Petrópolis está localizada a aproximadamente 463 km da cidade de São Paulo, de onde partimos. A viagem seria relativamente longa, por isso, precisávamos fazer uma pequena parada, como é recomendado quando viajamos com pets de carro. Assim, a Alegria poderia esticar as patinhas, se hidratar e fazer suas necessidades, e eu também.



No km 82 da Rodovia Presidente Dutra (Roseira, SP), encontramos o  Posto Arco-Íris Roseira. O complexo de conveniência oferece não somente abastecimento de combustível como também serviços básicos para os viajantes como banco 24 horas, banheiros, fraldários, restaurantes self-service e outras opções de gastronomia como Casa do Pão de Queijo, Spoletto, etc. E, para nossa surpresa, era pet friendly.

Posto Arco-Iris Roseira: Espaço DOG

Vai rolar lanchinho pra mim também?
Tá demorando muito, mamys!

 Como não sabía se encontraríamos algum lugar assim mais adiante, resolvi já parar por ali mesmo e não arriscar. Essa é uma das grandes dificuldades de quem viaja com pets de carro. Especialmente para quem viaja sozinho, como era o meu caso. Porque deixá-los presos dentro do carro no estacionamento, nem pensar, né? O risco do animal morrer por uma hipertermia é gigantesco. MESMO QUE VOCÊ DEIXE O VIDRO DO CARRO ENTREABERTO, TÁ? Deixá-lo preso do lado de fora do local também não é uma opção. Postos de conveniência são locais de grande circulação de pessoas que vão e vêm de lugares que não conhecemos. E se alguém levar nosso peludo embora?! Nem gostamos de imaginar isso...



Entendendo isso, o Posto Arco-Íris Roseira criou o Espaço Dog. Uma salinha separada, na praça de alimentação, com três baias para os cães e também mesas e cadeiras para que os tutores possam lanchar sem preocupação e com seu animal por perto. Você pode colocar seu peludo preso na baia, enquanto vai se servir num dos restaurantes (pois eles não podem ficar circulando na praça de alimentação) e depois, voltar para o Espaço Dog e comer tranquilamente com ele ao seu lado na mesa. Ah, a Alegria também foi até ao banheiro comigo, sem problema algum.


De volta à estrada


De pança e tanques reabastecidos, seguimos viagem.



Petrópolis é um dos principais destinos da região serrana do estado do Rio de Janeiro. Localizada no interior, a cerca de 66 km de distância da atual capital fluminense, a cidade, que também já foi capital do estado, é conhecida como “Cidade Imperial” justamente por oferecer atrações muitíssimo valiosas para a história do nosso país. Ali, nasceu o sonho do Imperador D. Pedro I. Lugar onde D. Pedro II construiu seu Palácio, vivendo os melhores momentos de sua vida. E muitos outros pontos importantes que contam a descoberta e o desenvolvimento do nosso Brasil.

Em uma viagem curta como seria a nossa, é impossível conhecer e desfrutar de lugares como a Catedral de São Pedro de Alcântara, o Palácio de Cristal, o Museu Imperial, a Casa de Santos Dumont, a Cervejaria Bohemia, o Palácio Quintandinha e, claro, as atrações naturais da Serra dos Órgãos. Não como eles merecem.

Por isso, deixamos para explorar Petrópolis numa próxima visita e focamos em nosso objetivo que era conhecer e certificar a POUSADA 3 VALES com o Selo Pet Friendly da TURISMO 4 PATAS.


Chegamos na 3 Vales


Chalés da 3 Vales

Interior dos chalés: espaço para os mascotes
Área da piscina, só com guia

Restaurante: com vista para a piscina e direito a acompanhante ;-)

Cercada pelas belezas naturais da Mata Atlântica, a Pousada 3 Vales está localizada entre os municípios de Petrópolis e São José do Rio Preto. Sim, ali pertinho do Rio de Janeiro (a apenas 113 km), o que te dá, meu querido leitor carioca, a vantagem de não somente ir se hospedar como também poder curtir o Day Use sempre que quiser.  Quem for de outra localidade, vale a pena se programar para uns diaszinhos na região. E é claro que sempre na companhia do seu amigão. 



Os chalés da 3 Vales são aconchegantes e muito espaçosos, podendo receber cães de todos os portes, sem restrição. Aliás, restrição é algo que pouco figura na política pet friendly daquele lugar. Claro que algumas regrinhas mínimas devem existir, para a ordem do funcionamento e para um convívio harmônico dentre todos os hóspedes. Mas, no geral, os pets podem circular em todas as áreas da pousada. Em locais como piscina e restaurante (sim, eles podem te acompanhar nas refeições!), devem ser mantidos nas guias. No entanto, a quantidade de área verde liberada para correr a vontade é mais que satisfatória. Há também um lago disponível para quem quiser nadar com seu peludo ou praticar o Stand Up Paddle. Só não pode nadar no lago pesqueiro.  Dezenas de atividades para relaxamento e diversão ao ar livre estão disponíveis. A única coisa que não está disponível ali é o acesso à internet. Mas, quem fazia questão de internet? Eis aí a grande chance de se desligar e se conectar somente com a natureza.


Lago liberado para os hóspedes animais

Já posso nadar?!
Ebaaaaa, melhor parte!

Agora secar um pouquinho.
Coloca aí a minha avaliação...
 
Selo Pet Friendly categoria PREMIUM


Depois que nós vistoriamos a pousada e demos o treinamento para a equipe de atendimento, não tivemos dúvidas: concedemos o SELO categoria PREMIUM e fomos explorar o que mais gostamos... as trilhas e cachoeiras.

Simbora para a aventura!
Cachoeira das Nuvens
Frio? Ah, ela Não ia perder um mergulhinho
  
Disseram que tinha mais uma?!
Rumo à Cachoeira da Usina

Como ela estava no dia e como ela é normalmente

E agora, vamos fazer o que?


Lá dentro da propriedade, pode-se fazer caminhadas e chegar facilmente até as quedas d’água da Cachoeira das Nuvens e a da Usina, que deslumbram os visitantes. Quando nós estivemos lá, havia chovido bastante nos dias anteriores e, infelizmente, alguns galhos e pedras foram arrastados e impediram o nosso acesso à cachoeira da Usina. Não estava lá muito bonita, mas deu para ter uma idéia de como ela é normalmente. Mas na Cachoeira das Nuvens a Alegria conseguiu dar um mergulho, apesar do frio... essa aventureira não resiste de jeito nenhum!



Sobrou um tempinho antes de voltarmos a São Paulo e aproveitamos a oportunidade para conhecer e trazer algumas dicas de locais e atividades para curtir com nossos mascotes ali bem pertinho, nos arredores da região.  Partimos para Itaipava!!

À aproximadamente 30 km da pousada, o distrito de Itaipava (que, na verdade é um bairro de Petrópolis) é conhecido como refúgio de inverno de diversas celebridades e da alta sociedade carioca. Suas atrações, concentradas no centrinho, valem um bate e volta. Restaurantes, feirinhas, lojas de artesanatos locais e o Parque Municipal de Petrópolis fizeram nossa programação.  

Parque Municipal de Petrópolis

 Começamos com uma caminhada pelo Parque Municipal de Petrópolis, um espaço público, bem cuidado e espaçoso, com diversas opções de lazer para toda a família – incluindo o pet. Tem pista asfaltada para bike, parquinho para as crianças e muita área gramada para os cães. Permite cachorros de todos os portes, desde que sejam mantidos nas guias. 


Restaurante Pastarella: pet friendly em Itaipava


Rodízio de Fondue
De lá, fomos almoçar no restaurante Pastarella, cuja atração principal é o rodizio de fondue, mas também oferece pizzas e outras opções. Um lugar bem agradável, com mesas ao ar livre, onde os pets são bem-vindos. Nós não reservamos e demos a sorte de estar tranquilo. Mas a recomendação, especialmente indo com pets, é que se faça a reserva previamente.

Passeios pelas ruas de Itaipava
 Depois do almoço, indica-se uma caminhada pela vila e até uma visita à Feirinha de Itaipava, onde encontra-se muitos stands de roupas, artesanatos, acessórios, sapatos e até mesmo produtos pet. Infelizmente nós não tínhamos mais tempo para as comprinhas. Mas, se você esteve lá, pode mandar essa dica pra gente... vamos trocar figurinhas ;-)


Podem mandar dicas que vamos voltar!!!



Larissa Rios
(Turismóloga, mãe da Alegria e fundadora da Turismo 4 Patas)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

O CHOCOLATE PODE MATAR O SEU CÃO!


Nada de dividir o seu chocolate com o mascote!

Ele é uma verdadeira tentação, não somente para os humanos, mas também para nossos mascotes. Sim, estamos falando do CHOCOLATE!

Quem suspeitaria de algo tão maravilhoso?

Acredite se quiser, mas a guloseima que deixa homens, mulheres e crianças com água na boca pode provocar sérios danos à saúde do seu amigão.

O alerta é válido para o ano inteiro. Porém, com a aproximação da Páscoa, é notório aumento do consumo de chocolate. Nas prateleiras, os desejados ovos de Páscoa aparecem nos mais variados tamanhos, formatos e sabores.

Se você é daqueles tutores que não resistem a compartilhar um pouquinho da sua comida com o seu cachorro, melhor pensar duas vezes (melhor pensar muito mais vezes, quando se tratar de chocolate). E fique muito atento também ao local onde você irá armazenar os ovos de chocolate da família, pois seu pet pode descobrir o esconderijo e quando você notar, ele já estará passado mal e poderá ser tarde demais.

Sim, o caso é dos graves. Comer chocolate pode ser fatal para um cão, dependendo do tamanho do animal, da quantidade e do tipo de chocolate que ele ingerir.

Chocolate: um veneno para o seu pet


Mas, por que o chocolate é assim tão nocivo para os pets?

Primeiro, porque os doces, em geral, são metabolizados de maneiras diferentes em humanos e animais. E, o chocolate, em especial, contém ingredientes nada saudáveis para os cães. Como, por exemplo, os carboidratos, lipídios, aminas biogênicas, neuropeptídeos e metilxantinas  (teobromina e cafeína).

São justamente as metilxantinas os maiores causadores de intoxicação em cães. Elas são facilmente metabolizadas pelo organismo humano, mas os cães não conseguem eliminá-las. Por isso acabam intoxicados.

A teobromina (theobromine) é um alcalóide amargo relacionado com a cafeína, que pode ter efeitos perigosos no animal.  No sistema nervoso central, ela vai competir com a adenosina, que é um inibidor pré-sináptico neuromodulador, levando o cão à excitação. A cafeína, por sua vez, estimula diretamente o miocárdio (músculo cardíaco) e o sistema nervoso central, potencializando a excitação causada pela teobromina. Desta forma, as duas juntas, podem causar descontrole das funções cerebrais e do músculo cardíaco, levando a quadros como os de convulsões e epilepsia.

Cada tipo de chocolate apresenta um nível diferente de risco aos animais, dependendo do teor de teobromina existente em sua formulação. Quanto mais matéria lípida, menor será o teor de teobromina. Ou seja, quanto mais escuro, “puro e concentrado”, for o chocolate, mais teobromina possui e conseqüentemente maior o risco de intoxicação. Assim sendo o chocolate amargo (que leva em torno de 1,35% de teobromina), utilizado em confeitarias para fazer doces é o que oferece maior risco de intoxicação animal do que o chocolate branco (onde o teor gira em torno de 0,005%). De qualquer forma, na dúvida, nunca dê qualquer tipo de chocolate ao seu amigão.

A gravidade da intoxicação, e seus sintomas, também podem variar de acordo com o porte do animal e a quantidade de chocolate que ele ingerir. No geral, a dose tóxica para cães é em torno de 100-150 mg por kg de peso e a dose letal situa-se entre 250-500 mg por kg de peso. Se um cão de 2,2 kg de peso ingerir uma dose de 113,4 gramas de chocolate ao leite, essa quantidade já é tóxica. Já se esse mesmo animal comer 12,9 gramas de chocolate amargo essa também será uma dose tóxica, pois a quantidade de teobromina vai variar nos diferentes tipos de chocolates existentes no mercado. Já um cão de 31,7 kg, para se intoxicar precisa ingerir 2.268 gramas de chocolate ao leite ou 185,8 gramas de chocolate amargo.

Sim, normalmente, os cães de grande porte são capazes de tolerar maiores quantidades de chocolate. Mas, pode parar de fazer contas! De uma maneira ou de outra, todo chocolate é nocivo à saúde dos pets e não deve ser oferecido ao animal. Mesmo que ele faça cara de choro e abandono, tenha sempre em mente que banir estas guloseimas do cardápio de seu melhor amigo é, antes de tudo, uma prova de preocupação e amor.

As substâncias nocivas do chocolate ficam dentro do organismo do cão, agindo no sangue, de 17,5 horas até seis dias, dependendo da quantidade ingerida, pois sua eliminação não acontece pelos rins, somente por via hepática. Com isso, os sintomas mais variados podem ir aparecendo aos poucos, horas depois da ingestão; se o chocolate é ingerindo por vários dias seguidos pode desencadear um quadro de intoxicação ainda pior.

Não brinque coma  saúde do seu amigão

Os sinais clínicos mais comuns são: vômito, diarréia, polidipsia e poliúria (bebe mais água e urina mais), náuseas, excitação, tremores, ofegância e arritmias cardíacas.  Os animais podem também apresentar incontinência urinária, hipertermia (aumento da temperatura corpórea) e em casos mais graves, convulsões, coma e morte. Hemorragia intestinal pode ocorrer em alguns casos normalmente entre 12 e 24 horas após a ingestão.

Infelizmente não existe antídoto para a intoxicação com teobromina. Trata-se de uma emergência médica e a intervenção do Médico Veterinário se faz necessária imediatamente. Se a ingestão for recente (até 3 horas) a indução ao vômito pode ser recomendada. Como o chocolate por sua constituição lipídica, tende a ficar “grudado” na mucosa gástrica, a lavagem gástrica pode ser feita, principalmente se a indução ao vomito não for satisfatória ou se já fizer mais tempo de ingestão. A fluidoterapia deve ser realizada para correção de distúrbios eletrolíticos, além da rehidratação do animal. Um calmante (prescrito pelo medico veterinário) pode ser usado para diminuir a excitabilidade assim como controle das convulsões; as arritmias devem ser corrigidas e o fluxo urinário deve ser mensurado. O uso de carvão ativado (ou carvão vegetal) pode diminuir a absorção das teobrominas, diminuindo a sua meia vida. Tenha sempre em mãos, pois isso poderá ajudar em quaisquer suspeita de intoxicação animal. O carvão ativado em capsulas é facilmente encontrado em farmácias e age como uma substância absorvente que, ao ser ingerido ele liga-se ao veneno no estômago e retarda a sua absorção e ação. Mas isso não substitui a ida ao veterinário, ok? É apenas uma estratégia para ganhar tempo e tentar amenizar os danos que podem ser causados pela intoxicação.

A rapidez no socorro ao animal é fundamental, pois somente o médico veterinário será capaz detectar a gravidade do quadro e definir quais as melhores formas de atuação para salvar o seu pet.

De olho na crescente tendência de proprietários em presentear os mascotes nas datas festivas como Natal, Páscoa e aniversário, algumas empresas lançaram no mercado, alternativas tão gostosas quanto o chocolate para humanos. Estes produtos, desenvolvidos especialmente para eles, os pets, não contêm adição de açúcar, nem cafeína ou teobromina.

Você também pode agradar ao seu amigão oferecendo outras opções de petiscos como pedaços de frutas e legumes.  O petisco, porém, não deve substituir as refeições.

Lembre-se de que os pets têm necessidades específicas em sua dieta, que deve ser nutritiva, garantindo seu bom desenvolvimento. Portanto, escolher bem os alimentos para o seu amigão é ter a certeza de que ele será sempre saudável. E dividir o seu ovo de Páscoa, definitivamente, não é uma prova de amor.

Boa Páscoa!


 Larissa Rios

segunda-feira, 3 de abril de 2017

LUTO: O PROCESSO APÓS A DESPEDIDA DO SEU ANIMAL


Despedida do animalzinho

A Cléo já partiu há pouco mais de 4 meses. Eu já escrevi vários posts nas redes sociais depois que ela se foi, falando diversas coisas e expondo os meus sentimentos durante esse processo tão doloroso, que é o luto. Mas vinha adiando esse artigo. É que quando escrevo aqui no Blog, normalmente, eu trato de temas onde eu falo com propriedade, com conhecimento e embasamento, para os meus leitores sobre situações genéricas que, não necessariamente, eu tenha vivido. Às vezes eu busco informações sobre o tema, consulto especialistas, pesquiso muito até me sentir preparada para compartilhar com vocês, mesmo sem eu ter passado pela situação.



Falar sobre algo tão pessoal e íntimo, como é o processo do luto, é mais complicado. Porque, por mais que eu tenha lido muito a respeito, pesquisado e consultado profissionais, é algo muito meu... e de cada um. E é algo confuso também, que vai mudando a cada instante a intensidade dos seus pensamentos e sentimentos e, consequentemente, a forma como você se coloca na situação. Por isso, até agora, eu ainda não havia me sentido preparada para escrever sobre o tema em si.



Mas, este final de semana, o grupo CÃO VIDA (um Grupo de Apoio aos Tutores de Cães com Câncer, que eu decidi criar quando recebi o diagnóstico da Cléo), realizou um bate-papo e palestra com a psicóloga Eliana Alcauza, do Humanae – Núcleo de Psicologia e Cultura, justamente sobre ele: o luto.  E durante esse evento, eu aprendi um pouco mais sobre as fases de um luto, pude ouvir dos demais participantes as experiências deles neste processo e pude falar sobre a minha vivência de uma forma tão leve e clara que me fez perceber que, sim, eu estou percorrendo caminho certo e estou preparada para falar, escrever e viver esse processo. E chegou a hora de compartilhar isso com vocês.



Segundo a psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross existem 5 fases do luto:



1) Negação

Quando negamos o problema, tentado encontrar algum jeito de não entrarmos em contato com a realidade, evitando, por exemplo, falar sobre o assunto.



2) Raiva

Aqui é a hora de nos revoltarmos com o mundo. Brigamos com a vida, com Deus, com o universo. Nos sentimos injustiçados (porque eu?) por estarmos passando por isso.



3) Barganha

Quando começa a fase da negociação, inclusive consigo mesmo, fazendo promessas e dizendo que será uma pessoa melhor se sair da situação.



4) Depressão

É a fase do isolamento, de nos recolhermos para nosso mundo interno, sendo dominados pela melancolia e nos sentindo impotentes diante da situação.



5) Aceitação

É o estágio em que já não há mais desespero e conseguimos enxergar a realidade como realmente é, ficando prontos pra enfrentar a perda ou a morte.





SIM, eu sei que as teorias e estudos sobre o luto falam da perda de um ente querido, referindo-se aos humanos. O próprio significado da palavra, no dicionário da língua portuguesa, diz que trata-se de um substantivo masculino, que define “um sentimento de tristeza profunda pela morte de alguém”. E até mesmo a definição das fases, obviamente, estão baseadas nos sentimentos do luto pela perda de um ser humano.

Por isso, a maioria das pessoas que perde um pet, evita expor sua dor porque “os outros vão me achar ridícula por estar sofrendo tanto pela morte de um cão”. Que se exploda o que os outros vão pensar!! O que importa é o que você está sentindo e, se alguém a sua volta não consegue entender ou ao menos respeitar, o problema não é seu.



Na verdade, no sentido amplo (e prático, da vida, do nosso dia a dia), o luto é um processo necessário e fundamental para preencher o vazio deixado por qualquer perda significativa não apenas de alguém, mas também de algo importante, tais como: objeto, viagem, emprego, ideia, e, também, pelo animal de estimação.



Saiba que, de acordo com depoimentos de pessoas que já passaram pelas perdas, tanto de seres humanos como de animais de estimação, a intensidade da dor imediata que você sente no ato da despedida é exatamente a mesma!! E sim, o processo do luto também. Ainda mais quando o amor, ao longo da vida, teve a mesma força.


Estabeleça o seu ritual, no seu tempo


Então, quero compartilhar aqui, algumas descobertas nas minhas fases e dar algumas dicas para quem esteja passando pelo mesmo processo doloroso após ter se despedido do seu animalzinho:





1)  PERMITA-SE SENTIR A DOR

Eu não me lembro de, até o momento, ter sentido uma dor tão dilacerante quanto a que me acometeu no momento da partida da Cléo. É algo indescritível, que só se entende sentindo. Uma falta de ar, um desespero e a sensação de estar sendo cortada ao meio por uma lâmina afiada... tudo ao mesmo tempo, em uma fração de segundos, que me fez achar que eu morreria junto. Algo apagou tudo o que estava ao meu redor e concentrou toda a minha atenção somente nestas sensações. Eu queria ter a capacidade de entrar nela ou me fundir a ela, e partir junto. “O que eu vou fazer?”, “Como vou viver agora?”, “Porque você me deixou?”, “Volta, pelo amor de Deus!”... estes e outros pensamentos invadiram a minha mente naquela hora, enquanto eu a abraçava e chorava. Pareceu uma eternidade, mas não passou de alguns poucos minutos. E logo, eu fui tomada por uma inércia, uma sensação de dormência, de estar sonhando... e já não conseguia coordenar pensamentos, sentimentos e movimentos. Eu não tinha capacidade de responder por nada, nem por mim mesma. E me entreguei. Me deixei cuidar. Tive a grande sorte de ter ao meu lado pessoas especiais e muito queridas, que cuidaram de tudo... do corpinho dela, da sua cremação, da notícia para as demais pessoas e de mim. Eu vinha de um período de luta pela saúde dela, onde não me permiti fraquejar nem um instante, até que chegasse o final. Ela descansou, era o meu momento de descansar também. Eu só queria chorar e dormir, e foi isso que me permitir fazer por 2 dias. Me permitiria quantos mais dias eu sentisse que seriam necessários. Chorei na cama, chorei no chuveiro, chorei no chão da cozinha, chorei... senti doer a cabeça, o coração, o estômago... doeu muito e eu deixei doer. Eu me permitir deitar lá no fundinho do poço e ficar lá até que o meu coração deu o sinal de que estava pronto para iniciar o processo de reconstrução.



2)  RESPEITE-SE E COMPREENDA O SEU TEMPO



Eu me dei o direito de decidir o meu tempo para cada coisinha, cada decisão, cada mudança que tivesse que ser feita após a morte da Cléo. Só voltei para nossa casa, dois dias após a sua partida. Não fui já dando fim a todas as coisas que lhe pertenciam ou traziam lembranças dela. Doei alguns objetos de cara, outros foram sendo doados aos poucos. E alguns pertences dela ainda estão comigo, pela casa... e nem sei se algum dia serão descartados. Eu não quis fazer velório ou assistir à sua cremação. E, só realizei o ritual de liberar as suas cinzas, quando encontrei a oportunidade ideal para fazer uma despedida à sua altura. Eu evitei ir a alguns lugares “nossos” nos primeiros dias e também adiei o encontro com as pessoas com as quais convivemos, por que não me sentia preparada para encará-las.  Eu tenho um tufo de pêlos dela guardado até hoje e, de vez em quando, vou lá e dou uma cheiradinha para matar a saudade do seu perfume. Minha casa tem fotos dela espalhadas por cada canto. Eu recebi muitos conselhos, opiniões, idéias... respeito e agradeço por cada uma delas. Mas, em respeito a mim mesma, escolhi os meus tempos e as minhas opções.  Às vezes tenho a sensação de que ela se foi há muitos anos. Outras vezes, me parece que foi ontem.

São apenas 4 meses e já não me dói tanto como no início. Eu consigo escrever e falar dela sem chorar. Há dias em que não derramo sequer uma lágrima. Por alguns momentos me questiono se é normal eu já estar me sentindo tão bem. Mas ai percebo que isso não significa que eu não sinta sua falta, que ela não tenha mais importância em minha vida ou que não doa mais. Eu só me permiti viver e sentir as fases conforme elas foram acontecendo. E isso talvez tenha me ajudado a transformar aquela dor dilacerante do início, numa saudade gostosa.

Em alguns momentos me pergunto “Como pode já não existir mais? Não estar mais aqui?” E tá tudo bem eu continuar me perguntando isso.



3)  EXPONHA SEUS SENTIMENTOS E COMPARTILHE O SOFRIMENTO



Eu amo escrever e isso me ajuda a expor os meus sentimentos. Eu sou uma pessoa um tanto quanto reservada. Não sou muito boa com as palavras verbais e não tenho tanta clareza com a fala, como tenho com a escrita. Por isso, especialmente nos primeiros dias após a morte da Cléo, eu escrevi. Escrevi muito! Coloquei tudo que vinha à minha mente ou ao coração, para fora. Dividi, compartilhei, expus. Foram textos longos, profundos, por vezes tristes, outras vezes mais motivadores. Não sei se todos os meus contatos das redes sociais curtiram esses posts, se houve quem achasse que era exposição demais, se alguém achou aquilo meio deprimente ou chato, se alguém me deu um “block” ou deixou de me seguir, se acharam que eu estava passando dos limites ou me aproveitando da situação para ganhar mais visibilidade... Ou, ainda, possivelmente, houve quem achasse que era drama demais para “apenas um cachorro”.

Bom, se alguma destas opções se tornou real, sorry.  O espaço é meu, não obrigo ninguém a me adicionar ou acompanhar minhas publicações, portanto escrevo o que eu quiser (claro, desde que não ofenda ou atinja de alguma forma ninguém). Não concorda, não gosta ou acha chato, basta não ler. Mas, respeito é bom, e não só eu, como todo mundo, gosta!

O que eu sei é que muitas (muitas mesmo) pessoas leram, se emocionaram, se identificaram, se solidarizaram, comentaram, compartilharam e curtiram meus posts. Algumas pessoas que já haviam passado pelo mesmo que eu, se sentiram compreendidas ou mesmo entenderam melhor os sentimentos que as acometeram nas suas experiências. Outras, que estavam preocupadas comigo, mas que não tinham coragem de me ligar ou escrever perguntando como eu estava, sentiram-se aliviadas por terem noticias e saberem como eu estava lidando com a situação. Houve também quem aproveitasse para me consolar, para oferecer ajuda, um ombro amigo, para dizer o quanto elas também estavam sofrendo com a partida da Cléo, enfim...

Isso foi parte essencial do meu processo de reconstrução. Me fez sentir que eu não estava sozinha, alegrou o meu coração por saber o quanto a minha filhota era querida e, de alguma forma, pertencia a todos. Também passei a ter um sentimento de gratidão ao ver que a minha experiência estava ajudando outras pessoas a passarem pelo processo delas de uma maneira melhor. É como se eu tivesse encontrado sentido para aquilo tudo. Como se eu tivesse dividido o meu sofrimento com dezenas de outras pessoas. Cada vez que eu escrevia um texto, eu dissolvia um pedacinho da dor.

Portanto, ponha pra fora, seja na escrita ou falando com seus amigos e familiares. Fale, escreva quantas vezes for preciso. Quantas vezes você sentir vontade. E se alguém não quiser te ouvir ou ler, não tem problema, busque quem queira! Mas não se reprima. Você vai ver como tudo ficará muito mais leve.



4)  CULTIVE PENSAMENTOS E SENTIMENTOS POSITIVOS



Eu sei que é difícil, que nos primeiros dias, as imagens que irão tomar conta da sua mente são sempre as mais dolorosas. Especialmente se o seu animalzinho passou por uma fase difícil, enfrentou uma doença, morreu nos seus braços ou você teve que eutanasiá-lo e presenciou isso. Sim, eu sei... a imagem do corpinho inerte do seu mascote irá, de todas as formas, tentar invadir seus pensamentos e até mesmo seus sonhos. Acolha também esse momento, mas não o deixe dominar o espaço por muito tempo. Aos pouquinhos, vá tentando puxar lá de dentro do seu coração, as imagens dos momentos em que vocês foram felizes juntos. Lembre-se da infância dele (caso você o tenha conhecido filhote), lembre-se das peraltices, dos passeios, das lambidas... Certeza de que você tem aí no seu arquivo muito mais lembranças positivas do que negativas. Eu por exemplo, convivi 9 anos com a Cléo e somente no seu ultimo ano de vida ela teve problemas de saúde sérios e tivemos momentos difíceis. O que significa que tenho 8 anos de momentos felizes para lembrar. E como fomos felizes!!! Pense nisso. No quanto você o amou, cuidou... se você está passado pelo processo de um luto pelo seu animal e está dedicando o seu tempo para ler esse artigo, é porque você foi um tutor maravilhoso. O melhor tutor que ele pode ter tido, até o final. Portanto, ele foi sim, um animalzinho feliz e amado. A Cléo não sofre mais, não sente mais dores, não tem limitações. Eu não passo mais pela angústia de não ter certeza do que ela está sentindo, de não saber se eu posso fazer algo diferente. Eu sei que eu fiz o melhor que pude. E dei todo o meu amor.





5)   NÃO TENTE SUBSTITUIR



Sabe aquele ditado que diz que “Ninguém é insubstituível” ?!

Pois é, eu não concordo muito com isso não. Eu acho que cada coisinha desse universo é única (incluindo os seres) e que não se pode substituir nada 100%.

Se uma roseira morre, você pode até plantar outra roseira. Mas, repare bem, não será exatamente igual à anterior. Talvez o vermelho das pétalas não seja tão vivo, talvez os galhos pendam mais para a direita do que para a esquerda...

Se você teve uma melhor amiga na infância, mas perderam o contato. Hoje, na vida adulta, você tem outra melhor amiga. Mas ela, definitivamente, não é igual à anterior.

Cada relacionamento amoroso que você estabelece é diferente. A receita da feijoada padrão é a mesma, mas em cada restaurante tem um gosto particular. Com os animais de estimação também é assim. Você pode ter tido 20 cachorros ao longo da sua vida. Mas cada um deles era diferente. Com cada um deles você estabeleceu uma relação, você conviveu de uma maneira particular.

Portanto, quando o seu mascote morre, não adianta sair correndo e providenciar outro animal para substituí-lo. Porque ele não será igual, não será o mesmo animal que partiu. E você não pode colocar essa responsabilidade e as suas expectativas nas costas desse novo serzinho.

Mas isso não significa que você não possa ocupar o espaço.

Por exemplo: Se perdemos a nossa mãe e temos alguém (uma amiga, uma tia, etc) que consideramos uma segunda mãe para nós, nosso coração, de certa forma, satisfaz a necessidade de nutrir um sentimento dentro de um relacionamento materno e nos sentimos amadas, protegidas, amparadas por uma mãe. Ainda que não seja a nossa mãe verdadeira, de sangue, e que tenhamos consciência disso. Nós vamos continuar sentindo saudades da nossa mãe, mas teremos esse espacinho preenchido em nosso coração por outra pessoa.

Quando a Cléo morreu, eu fiquei meio perdida. Toda a minha preocupação voltada à saúde dela, todo o tempo que eu dedicava a levá-la para suas terapias e tratamentos, todo cuidado que eu tinha que ter nas atividades do nosso dia a dia por conta das suas limitações... o que eu faria com tudo isso agora? Eu tive que re-organizar  toda a minha agenda, porque agora eu tinha horas sobrando nas minhas manhãs. Eu tive que redirecionar as minhas preocupações e prioridades. E, sim, eu tive milhares de oportunidades de pegar logo um outro cachorro (recebi várias fotos de filhotes para doação, amigos que queriam me presentear, etc), mas isso não resolveria. Porque não seria a Cléo, seria um NOVO cachorro. E eu tinha que ter consciência disso primeiro.

Se você não tem um outro animalzinho, consegue ter a plena consciência do que acabei de escrever e sente-se preparado para se dedicar e amar um NOVO ser, então não vejo problema algum em pegar um outro animal logo em seguida. Lembre-se: o tempo é seu!

Eu não me sentia preparada e, além disso, eu não estava sozinha... eu tinha a Alegria (minha outra mascote). E, nesse momento, eu decidi que precisava voltar a minha atenção para ela, para nós. Eu percebi que, até ali, seja por conta da intensidade da relação que eu tinha com a Cléo, seja por causa do tempo e da atenção que a Cléo me demandava, eu ainda não tinha conseguido estabelecer uma relação de verdade com a Alegria. Não que eu não a amasse, que não cuidasse bem dela, nada disso... mas é que, de certa forma, ela sempre esteve em segundo plano. Porque mesmo quando eu estava passeando, viajando ou vivendo algum momento só com ela, eu estava com o meu pensamento na Cléo, eu sentia falta da Cléo, eu sentia até mesmo culpa por estar ali com a Alegria e ter deixado a Cléo em casa.... enfim. Eu percebi que nunca havia estado ou me entregado 100% para a Alegria. E ela nunca me cobrou, mas eu sabia que ela merecia isso. Portanto, eu decidi que aquela era a hora de construirmos a nossa relação. Sem falar que, ela também sofreu com a partida da Cléo e precisava da minha ajuda para passar pelo processo dela, assim como estava me ajudando a passar pelo meu.

O processo de luto dá-se tanto em humanos como animais (sim, eles também vivenciam, à sua maneira, a perda de um irmãozinho ou amiguinho). Em nós, humanos, o processo de luto é acompanhado por um conjunto de sentimentos, entre os quais: tristeza, raiva, culpa, ansiedade, solidão, fadiga, desamparo, choque, anseio, torpor, alívio e emancipação. Refletindo-se em sintomas físicos de vazio no estômago, aperto no peito, nó na garganta, falta de ar, falta de energia, boca seca entre outros.

Nos animais, pode vir acompanhado de depressão, falta de apetite, agressividade e até mesmo levar a morte. Há diversos casos de animais que morreram pouco tempo depois de perderem um companheiro.

A Alegria demorou a transparecer, mas sim, teve reações à morte da Cléo. Ficou mais insegura, carente, desenvolveu medos (ex: chuva e trovoadas) e até mesmo protagonizou alguns episódios de agressividade contra outros animais.

Um novo animal, naquele momento, não somente não iria substituir a Cléo, como também iria me impedir de enxergar que eu já tinha um NOVO animal ao meu lado e que ele também precisava de cuidados. Daqui a um tempo, nós duas estaremos preparadas para recebermos um novo animal em nossas vidas.





6)   NÃO SE COBRE OU SE JULGUE



E se eu tivesse voltado com ela para o hospital? E se eu tivesse feito tal procedimento?  Será que eu a amei o suficiente? Será que eu fiz mesmo tudo o que estava ao alcance? Eu já não choro mais, será que não estou sentindo sua falta?

O “Será” e o “E Se”, vão nos acompanhar durante algum tempo... assim como aquelas imagens e lembranças ruins que falei lá no item 4, eles vão tentar dominar a sua consciência fazendo com que você se questione, se julgue, se puna... Não se cobre. Assim como eu, tenho certeza de que você fez o possível pelo seu animalzinho e teria feito mais, se houvesse possibilidades. Teria impedido o acidente se fosse possível, teria levado em mais um especialista se houvesse chance de cura... Se você ainda chora, mesmo depois de anos, é porque ainda há sentimentos para colocar para fora. Se você não chora, não significa que não sinta falta, mas que talvez a felicidade de ter tido aquele animal em sua vida seja maior que a dor da ausência dele. Se você tomou optou pela eutanásia ou o deixou partir de morte natural, certeza de que tomou a melhor decisão para vocês dois e que escolheu isso com muito amor. Não se cobre. Não se julgue. O que passou, passou e aconteceu como deveria ter sido. E, caso haja novas chances, poderão ser diferentes...ou não.



7)  BUSQUE ACREDITAR EM ALGO QUE TE CONFORTE



Eu acredito que a Cléo veio para minha vida com uma missão. Na verdade ela veio por varias razões, ela veio com alguns desafios. Para me inspirar e criar a Turismo 4 patas, para me ensinar sobre a relação cães e tutores, para me apresentar a pessoas que hoje são essenciais em minha vida, para me fortalecer em diversas situações difíceis, para me mostrar que sou capaz de superações nunca pensadas, para me tornar mais humana, para me ensinar a amar incondicionalmente e até mesmo para me ensinar a lidar com a morte (algo que eu tanto temia). Eu sei que ela veio para minha vida por uma razão... e que não poderia ser nenhum outro animal, que não ela. E eu sei que, quando ela cumpriu o seu papel, até o último desafio, ela partiu. Ela foi para um lugar onde poderá se recuperar dos efeitos desta sua ultima encarnação, se restabelecer e se preparar para uma nova vida... com uma nova missão e novos desafios... seja ao meu lado ou ao lado de uma outra pessoa. Eu acredito nisso e isso me conforta, me traz paz.

Independente de crenças ou religiões, busque acreditar em algo que acalente o seu coração. Seja em reencarnação, seja no fato de que você deu ao seu animal a melhor vida dele,  seja no fato de que agora aquele corpo físico não sofre mais... enfim... eu acho que a fé nos fortalece, nos coloca de pé e nos ajuda a seguir em frente. E é isso que precisamos, dar os passos, sejam maiores ou menores, sejam lentos ou rápidos... mas que sejam para a frente. Acreditando.



8)  SE NÃO CONSEGUE SOZINHO, PROCURE AJUDA!



É importante perceber quando não conseguimos encarar a situação sozinhos, quando não conseguimos dar os passos adiante e, deixar o orgulho, a vergonha ou o que quer que seja que esteja te bloqueando a gritar por socorro de lado. Não é nenhum atestado de fraqueza assumir que não está conseguindo e se deixar ajudar. O que não pode é se afundar na tristeza, que pode evoluir para uma depressão e ocasionar problemas muito mais graves. E nada de sair tomando remédios para dormir ou acalmar por conta própria, ok?

Um psicólogo poderá identificar o estágio do luto em que você se encontra e o ajudar a vivenciar os sentimentos e analisar os pensamentos da melhor maneira, sem evitá-los. E assim, você poderá se permitir vivenciar o seu luto.





Não existe uma sequencia dos estágios de luto, assim como também é muito particular a forma com que cada pessoa lida com esse processo. Não há tempo definido para cada fase, nem para o processo terminar. Tudo depende da pessoa e da sua perda. E não, não há como se preparar para isso. Por mais que você leia sobre o assunto, converse com pessoas que passaram pela experiência, quando chegar a sua hora possa ser que aconteça tudo diferente. E não há como fugir, todos nós que temos animais vamos passar (ou já passamos) por isso... e pelas perdas de outros entes também.



O que eu posso te dizer é que, sabe aquele ditado “A gente só dá valor quando perde?”, com esse eu concordo! Esse é um sábio ditado ao qual devemos prestar muita atenção e seguir. Devemos valorizar o que temos, enquanto temos. Pois não sabemos quando vamos deixar de ter. E é da natureza humana, se perder no tempo, se distrair com outras coisas e só nos darmos conta da importância de algo ou alguém, depois que o perdemos. Não deixe mais esse sentimento tomar conta de você durante o seu processo de luto. Dê valor, ame, cuide, desfrute da companhia do seu animalzinho enquanto o tem ao seu lado fisicamente. E faça isso já, agora. Porque, infelizmente, eles vivem muito menos do que gostaríamos. Tenho certeza de que, assim, o seu coração se sentirá um pouquinho mais preparado para enfrentar o luto.

Cléo




Larissa Rios