sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

ROTEIRO PET FRIENDLY: CAMPOS DO JORDÃO (SP)


Campos do Jordão (SP)
Campos do Jordão está localizada a cerca de 167 km de distância da capital paulista. Conhecida como um dos principais destinos de inverno do país, costuma ficar lotada nos meses de junho a agosto, quando as temperaturas climáticas podem chegar a -5ºC, mas as ruas da cidade fervem com diversos eventos culturais e gastronômicos, especialmente nas ruelas que ficam na pequena Vila Capivari e que concentram os principais restaurantes e lojas da cidade.

Assim como Monte Verde (MG), Extrema (MG) e outros destinos semelhantes, o clima de montanha da cidade foi considerado tempos atrás como o melhor do mundo para o tratamento de doenças respiratórias (as outras cidades também defendem o titulo, mas não sei quem é mesmo legitima). Desde então, pela sua arquitetura e pelo clima mais frio, Campos do Jordão é chamada de “Suiça brasileira“ e passou a atrair cada vez mais turistas, espalhando sua fama.

Confesso (como se vocês, leitores, já não houvessem notado) que não é muito nosso perfil (nem meu, e muito menos da Alegria) essa coisa de ficar batendo perna em lojinhas ou passar horas sentadas nas mesas dos restaurantes. A gente vai, conhece, registra e passa tempo suficiente para ter informações úteis para agregar ao roteiro que transmitimos para vocês. E pronto!
Choperia Baden Baden

Safari Restaurante
Logo no primeiro dia, demos uma voltinha pela vila e conhecemos alguns restaurantes onde os pets são bem-vindos. A famosa casa alemã Baden Baden (sim, da cerveja), fica bem no miolo do centrinho e aceita pets de todos os portes nas suas mesas externas. A casa é uma mistura da culinária típica alemã com uma choperia tradicional e, aos finais de semana e na temporada, costuma ser bastante agitada a movimentação por lá. Palco de confraternizações, encontros e eventos, talvez nestas ocasiões, não seja muito indicada para quem está com pets, especialmente os de grande porte, pois o espaço entre as mesas é meio apertado. Mas, num dia qualquer, como o que nós escolhemos, nos atendeu super bem. Pedi um misto de salsichas com molho de mostrada e mel, acompanhado de um chopp (claro!), enquanto a Alegria recebia água fresca e curtia a movimentação dos cães nas ruas da vila. Sim, Campos do Jordão tem bastante cães de rua, mas não vi nenhum em estado critico (ao contrário, alguns até estavam bem fortinhos) e todos muito tranquilos, quando se aproximavam era apenas por curiosidade ou na tentativa de levar um pedaço de salsicha (o que frequentemente conseguem com os clientes, por isso estão tão gordinhos).  Cheguei a perguntar a algumas pessoas sobre a questão dos cães de rua e o que me contaram foi que, como Campos é o município mais desenvolvido da região e tem mais estrutura, os municípios vizinhas, por vezes, “desovam” seus cães de rua lá na cidade. Eles vão ficando e acabam sendo “adotados” pelos comerciantes que lhes oferecem água e alimento.

Bom, além do Baden Baden, o Safari Restaurante e Bar e o Villa di Phoenix, que estão ali do ladinho, também aceitam pets. Na verdade, opções de restaurantes pet friendly em Campos não faltam. Muitos possuem mesas externas onde não se opõem à permanência dos animais. Vocês podem acessar o site da Turismo 4 Patas e utilizar a ferramenta de busca para encontrar outros locais.
Vista da Cidade do Morro do Elefante
Da Vila Capivari, fomos até o Morro do Elefante, um dos mirantes mais visitados de Campos do Jordão. Ele fica a apenas 10 minutos partindo de carro da vila e também pode ser acedido pelo Miniférico – aquelas cadeirinhas que transportam as pessoas morro acima e morro abaixo. Mas não dá para fazer isso com pets. Então fomos de carro mesmo. Lá de cima, uma vista panorâmica da cidade que, sinceramente, não me impressionou.

Parque Amantikir



Labirintos


Jardim Japonês e Jardim Chinês


Saímos de lá a tempo de conhecermos um lugar que eu queria muito: o Parque Amantikir. Poucas pessoas sabem que o Amantikir é pet friendly, mas nós pesquisamos, fomos lá conferir e, de fato, não há nenhuma restrição aos animais. Todos os portes são bem vindos, fomos recebidas de forma muito simpática e as únicas regras eram: manter o cão na guia e recolher os dejetos. E pronto, seus belíssimos jardins estavam ao nosso dispor. O lugar está em meio a Serra da Mantiqueira e abriga cerca de 22 tipos de jardins inspirados em 12 países, onde cada um mostra uma cultura diferente.  São mais de 700 espécies de plantas e flores, em espaços para contemplação da natureza e da arte da jardinagem. Tem jardim Alemão, Francês, e até Austríaco. Os habitués Jardins Chinês e Japonês (que encontramos em muitos jardins de contemplação pelo mundo) e até um labirinto, de onde levamos algum tempinho para conseguirmos sair. Um passeio que, definitivamente, vale a pena. Estávamos eu, a Alegria e um pequeno grupo de turistas e a tranquilidade nos fez sentir em harmonia com toda aquela natureza e a paz do lugar. Não sei como é nas temporadas.

E, para nós, o que realmente interessava na parte da cidade foi visto. Depois disso, o que a gente queria mesmo era colocar os pés e as patinhas nas trilhas, nos embrenharmos pelas matas, sentir o gostinho da adrenalina nas veias e dar vários mergulhos. É isso o que a gente gosta. É isso o que nos move. E, pra não fugir do habitual, foi nisso que focamos em nossa expedição pet friendly a Campos do Jordão.
Surya Pan Hotel & Eventos
Primeiramente, não podemos deixar de dedicar alguns parágrafos ao Surya Pan Hotel & Eventos, onde ficamos hospedadas e aproveitamos o tempo para prestar uma consultoria pet friendly. Não que eles estivessem muito necessitados – afinal, o hotel já recebe hóspedes com pets há alguns anos e são extremamente hospitaleiros seja em sua estrutura ou no atendimento-, mas é sempre bom aprimorar, ainda mais num mercado em plena expansão e crescimento, como é o mercado pet friendly hoje, verdade? Então, o que já era muito bom pra cachorro, promete ficar melhor ainda, depois da nossa visita. Em breve, o Surya Pan terá algumas opções de serviços exclusivos para os pets, será cenário de alguns eventos animais e colocará em funcionamento um restaurante especializado em hambúrgueres.

Para vocês terem uma idéia, a hospitalidade animal ali já começa com a fofura da mascote Sininho – uma SRD de cerca de 14 anos, que nos recepciona e acompanha em alguns momentos da estadia (quando não está tirando sua soneca no escritório do hotel). Pets de todos os portes são aceitos, ficam muito bem acomodados em qualquer das duas opções de chalés disponíveis e podem circular livremente por praticamente todas as áreas do hotel, exceção da área da piscina e do restaurante, onde podem ficar sim, porém mantidos nas guias, por razões óbvias. E área para nossos mascotes explorarem é o que não falta! O hotel está privilegiadamente localizado dentro de uma RPPN (Reserva Particular de Patrimônio Natural) com, nada mais nada menos que, 48mil m² de Mata Atlântica. Ou seja, é natureza para todos os lados que se olhe e isso inclui também os animais que ali vivem. Alguns trechos desta reserva podem ser percorridos pelos hóspedes num circuito de 8km de trilhas internas e autoguiadas, onde nos deparamos com diversas surpresas como o Bosque Mágico (com piscina natural), platôs / mirantes, a gruta Útero de Gaya, etc. Uma trilha de nível intermediário (talvez custe um pouquinho mais para os iniciantes), mas muito deliciosa de percorrer.
Chalé aconchegante e espaçoso

Hospitalidade animal nos detalhes e na Sininho


Paz e natureza

A atmosfera do hotel convida a, de fato, integrar-se com a natureza. Ali somos inspirados a relaxar, diminuir a velocidade, curtir o presente e cuidar do nosso corpo e nossa mente.

O momento mais gostoso do dia era curtir o pôr-do-sol no deck da super piscina, com vista para a Pedra do Baú e debruçadas sobre a Serra da Mantiqueira. Eu já achava que o sol oferecia um dos maiores espetáculos da terra ao se despedir, mas ali o show fica ainda melhor.
Meditação e Conexão
Trilha

Cascata Útero de Gaya

E, por falar em Pedra do Baú... a fantástica formação rochosa que pode ser avistada lá do Surya Pan destaca-se entre a exuberante Mata Atlântica. Ela também pode ser avistada de diversas cidades da Serra da Mantiqueira (Campos do Jordão e Santo Antônio do Pinhal), Vale do Paraíba (Taubaté) e Sul de Minas Gerais (Gonçalves e Sapucaí Mirim). Considerada um dos principais atrativos dos roteiros de ecoturismo e do turismo de aventura (a parte que a gente gosta!! Ehehe) de Campos do Jordão, na verdade pertence mesmo ao município de São Bento do Sapucaí região, que fica a 21km da vizinha mais famosa. A Pedra do Baú faz parte de um complexo particular de preservação permanente que leva seu nome (Complexo do Baú) e divide o espaço com mais dois picos: a Pedra do Bauzinho e a Ana Chata.
Entrada para o Complexo do Baú e informações sobre as trilhas

Trilhaaa!
Do topo da Pedra do Baú pode-se apreciar a impressionante vista de 360 graus, porém, por questões de segurança, infelizmente, não pudemos conferir esse visual. Viajar com cachorro é maravilhoso, mas exige responsabilidade e prudência. Às vezes, precisamos abrir mão de algo da programação para garantir a segurança e o bem-estar deles. Eu sempre digo que “o programa tem que ser seguro, agradável e divertido para todos”. Do contrário, não leve seu cão.  Para alcançar o topo da Pedra do Baú, é preciso escalar até 400 metros de paredes bem verticais e subir por escadas metálicas com cerca de 600 degraus feitos de grampos cravados na rocha. Isso exige, além de acompanhamento profissional com especialistas em escalada esportiva, bastante disposição e coragem... itens que, definitivamente não nos faltavam – nem a mim e nem à Alegria-, mas, ainda que a minha cãopanheirinha venha se tornando uma montanhista animal surpreendente, achei que essa parte da aventura ai seria um tanto quanto over para um cão. Mesmo para ela.
Mirante para a Pedra do Bauzinho

Com a mamys e o Tio Fabrício (Baú Ecoturismo)

Pedra do Bauzinho lá atrás


Mas quem disse que ficamos sem adrenalina?! Muito bem acompanhadas e assessoradas pelo guia Fabrício, da Baú Ecoturismo, seguimos a trilha do complexo que nos levaria até a pedra Ana Chata. Antes, demos uma passadinha no Bauzinho, que é acessível, sem grande esforço físico, com uma pequena caminhada de cerca de 10 minutos (ou menos) a partir do estacionamento. Lá, é possível ver a Pedra do Baú bem de frente. Uma belíssima vista de uma altura considerável. Nada de soltar seu peludinho da guia, hein?!



Seguimos a trilha para o topo da Ana Chata. Segundo as escalas do complexo, essa é uma trilha considerada nível Moderado, com cerca de 4km de extensão, que pode ser percorrida em 2 horas. Eles dizem ter sinalização para seguir, caso se percorra por conta. Eu vi essa informação em alguns blogs também. Mas... vos dou aqui, mais uma vez, minha opinião de praticante de trekking com alguma experiência, especialmente no que se trata de aventuras com cães. A assessoria e acompanhamento de um guia experiente e familiarizado com o lugar faz toda diferença. Se for alguém amante dos animais, melhor ainda! O Fabricio tem dois cães, faz aquele roteiro muitas vezes a cada mês e é dono de uma das principais agencias de ecoturismo e aventura da região. Isso me deixou super tranquila para curtir o meu momento com a Alegria e registrar nossa experiência, em vez de ficar me preocupando com o caminho a seguir e possíveis imprevistos. Especialmente quando chegamos na parte da via ferrata e da caverna (explico mais adiante).
Trilha nível intermedário

Trechos de Via Ferrata

Hora de escalar

Apoio e equipamentos essenciais para a escalada e até travessia de caverna em segurança


E quando ao nível de dificuldade da trilha, achei um tanto quanto puxadinha. Por mata fechada, o terreno apresenta alguns trechos de inclinações que, especialmente na volta, me obrigaram a fazer algumas paradas para retomar o fôlego. Fizemos o percurso em cerca de 3:30hs (ida e volta), contando com paradas, trechos mais complicados para passarmos a Alegria e tempo de descanso e contemplação lá em cima.



A trilha em si, não apresentou grandes desafios, além dos trechos mais íngremes. Mas a poucos metros do pico, precisamos lançar mão, dos dotes de escalada recém adquiridos em nossa expedição a Monte Verde (MG).



Eu tinha lido, nas placas que davam informações sobre as trilhas, na entrada do parque, dentre as legendas o item “Via Ferrata”. Mas confesso que nem me atentei a perguntar o que seria. Pois bem, muito prazer, dona Ferrata...



Em linguagem técnica. Via ferrata (expressão do italiano que significa algo como "caminho de ferro") é o itinerário que conduz o alpinista pela parede rochosa, ou em área de crista, a qual é preventivamente equipada com materiais metálicos. Em linguagem popular mesmo, são degraus de ferro encravados na rocha que permite ao montanhista realizar aquele trecho como se estivesse percorrendo, literalmente, uma escada, em vez de fazer em escalaminada (subida em pedras que necessitam o apoio das mãos).


Na prática, isso torna o montanhismo mais fácil para os praticantes amadores em alguns roteiros. Mas não significa que sejam dispensáveis as regras e equipamentos de segurança. Normalmente, o montanhista que quer atravessar uma via ferrata necessita apenas de um capacete de proteção contra pedras que podem cair do alto e um cinto de segurança para ser preso no cabo de aço através do mosquetão. Mas estávamos somente nós e os trechos de via ferrata que iríamos percorrer eram curtos. Nossa maior dificuldade mesmo foi auxiliar a Alegria neste desafio. Mais uma vez, o colete dog adventure da Alcott Gear foi essencial para içarmos ela nos degraus das vias ferratas. E a danadinha não só curtiu como colaborou em todas as travessias. Só ficou com um pouco de medo mesmo quando tivemos que cruzar a mini caverna, já quase no pico da montanha, e nos deparamos com alguns morcegos meio agitadinhos. Mas seguimos em frente e, no final, nos deparamos com um mirante espetacular a 1.700 metros de altitude que, em dias de sol, oferece uma das melhores vistas da Pedra do Baú. Nosso dia estava um pouquinho nebuloso, mas curtimos de qualquer forma nosso tempo lá em cima, admirando a vista da cidade e da serra. A gente já tinha se deliciado mesmo com a vista da Pedra do Baú lá do hotel...

Chegando no topo da Ana Chata

Visual incrível!

Descanso merecido com a mamys


Para recompensar, assim que finalizamos a trilha de volta da Ana Chata, seguimos para a Cachoeira dos Amores. Uma queda d´água tranquila, com um pequeno poço na parte de cima e uma prainha em baixo. Perfeita para dar um merulho ou relaxar um pouquinho com o barulho da água. Fica dentro de uma propriedade privada e paga-se uma pequena taxa para entrar. Lá tem algumas trilhas, mas nós só queríamos mesmo era ficar por ali...

Prainha da Cachoeira dos Amores
Valeu, mamys!!

Restaurante Café com Arte


Ultima parada, para almoço no restaurante Café com Arte, bem na saida da cachoeira dos Amores, retornando para a rodovia. Um lugar aconchegante para comer e descansar à sombra de uma árvore frondosa e ainda com vista para Pedra do Baú. A truta é a especialidade da casa, mas tem outros pratos e uma hospitalidade animal incrível.



Assim nos despedimos da nossa Expedição Pet Friendly em Campos do Jordão, com extenção em São Bento do Sapucaí (SP).

  

Pedra do Baú






SERVIÇOS:

















Telefone (12) 9737-5968/ 9623-1620






APOIOS À NOSSA EXPEDIÇÃO PET FRIENDLY:



Alcott Gear – Peitoral dog adventurer

Preserva Mundi – Repelente Repel Neem

Pet Society - Protetor Solar e Pet Glove para patinhas

Megamazon – Shampoo, Condicionador e body splash (banho seco)

Pet Delicia – Alimentação natural para viagens e aventuras da Alegria


VEJA NOSSO VÍDEO


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

10 Anos da Turismo 4 Patas



Era uma vez... uma organizadora de eventos, formada em turismo, que sonhava em trabalhar com animais. Certo dia, ela conheceu a sua fiel escudeira, Cléo, uma Golden Retriever pronta para topar qualquer parada. Isso incluía desde trilhas até rafting, passando pelos mais variados roteiros e atividades de ecoturismo e aventura. E elas gostavam muito de escrever suas experiências em um Blog que era seguido por centenas de pessoas, doidas para fazer a mesma coisa que elas faziam, ao lado dos seus mascotes.

Pronto! Foi mais ou menos assim que nasceu a Turismo 4 Patas. Não nasceu de um plano de negócios, nem cresceu baseada numa estratégia de metas. Ela simplesmente brotou de uma relação de muito amor e companheirismo e seguiu o fluxo, transformando- ainda que, algumas vezes, inconscientemente - muitas outras relações. E tornou-se um projeto de vida. Um propósito, uma missão.

Tantas aventuras, tantos momentos vividos, tantas descobertas, tantas despedidas, tantas conquistas, tantas alterações de percurso, tantas lágrimas e sorrisos, tantas superações, tantas histórias pra contar.



Este "conto de fadas" que começou com duas personagens sonhadoras, hoje conta com uma terceira, que chegou para adicionar ainda mais Alegria à esta receita. E, ao longo de uma década, milhares de outros personagens foram se juntando a elas. Pessoas e cães que compartilham o mesmo prazer em transformar as suas relações. Assim, temos hoje uma grande família de sonhadores: a Familia T4P.



Parabéns, para todos nós que, pouco a pouco, fomos realizando nossos sonhos.

FELIZ 10 ANOS!!!



sábado, 12 de agosto de 2017

ROTEIRO PET FRIENDLY: PARATY, PARA PETS


Paraty, para mim, para pets
Sabe aqueles lugares que te dão a sensação de que foram feitos para você? Pois é, assim é a cidade que fica a cerca de 260 km da capital do Rio de Janeiro (e a aproximadamente 290 km de São Paulo). Um dos destinos turísticos mais visitados do estado Rio de Janeiro. O lugar aonde você chega e tem absoluta certeza de que ele foi feito “para ti”... eheheh Pegou o espírito da coisa?! 

Pode ser uma piadinha piegas. Mas, pieguices à parte, a verdade é que foi essa a sensação que tomou conta de nós assim que chegamos em Paraty. Eu e a Alegria nos sentimos em casa e absolutamente integradas àquele lugar. Tanto é que, como em poucas vezes me permito fazer, joguei todo o planejamento prévio dessa nossa Expedição Pet Friendly para o alto e me deixei levar pelas oportunidades e sugestões que iam surgindo a cada dia que acordávamos lá. Começando pela nossa permanência que, a princípio, seria de apenas 3 dias e acabou se estendendo por uma semana (e a vontade era de ficar um mês, um ano ou até, quem sabe, arrumar as malas e mudar de vez). Ok, com certeza a recepção e a acolhida dos meninos da Pousada Pontal Gardens fez toda a diferença (já já contaremos melhor sobre isso). Sim, ter um gostinho do que vem a ser a vida local, também nos maravilhou. Sem dúvidas, chegar naquelas praias e cachoeiras paradisíacas e ter tudinho praticamente privativo para nós (fenômeno possível apenas na baixa temporada) alimentou o nosso sentimento de integração. Encontrar pessoas com nível elevado de gentileza, que contribuíram de diversas formas com as nossas experiências, complementou o nosso encantamento. Mas... a facilidade (e, melhor ainda, a naturalidade) com que a Alegria pode transitar em todos os lugares por onde passamos, sem nenhum olhar atravessado, sem parecer que estávamos invadindo o espaço alheio, sem a necessidade de nos encolhermos em algum cantinho para não incomodar ninguém... Ah, isso foi a cereja do bolo!!  


Área comum da Pontal Gardens

Até a decoração é pet friendly

Quartos espaçosos e confortáveis, com quintal

Cash, o anfitrião canino

Chegamos em Parati e fomos diretamente fazer nosso check in na Pousada Pontal Gardens. Sabe aquele lugar que parece que te faz parar o tempo? Eu não disse “parar no tempo” e sim “parar o tempo”. É isso mesmo, um lugar que te dá vontade de parar tudo, sentar numa daquelas poltronas confortáveis, pegar um livro (se você não levou, pode pegar emprestado lá mesmo) e ficar ali, horas, somente ouvindo o barulho dos muitos pássaros que tomam conta da área comum, enquanto bebem água ou beliscam frutas carinhosamente colocadas todos os dias para eles. A pousada é pequenina – apenas 6 confortáveis suítes, com diferentes layouts, todas com frigobar retrô Brastemp e quintalzinho -, sem grandes pretensões em termos de áreas de lazer (não tem piscina, sala de jogos, quadras, nada disso), mas gigantesca nos quesitos charme e hospitalidade. Fruto da realização de um sonho e da busca por uma vida com mais qualidade do casal Rony (chef de cozinha) e Fernando (veterinário), o lugar é para ser curtido, sem pressa e sem pressão de horários – a começar pelo café da manhã delicioso que é servido até as 11hs da manhã. Lá, todos os portes de cães são bem-vindos, desde que dóceis e sociáveis, com outras pessoas e com outros animais, e são recepcionados pelo mascote Cash, um Labrador Retriever pra lá de “boa gente”. A localização é perfeita, a apenas 200m da Praia do Pontal, a poucos passos do canal de onde saem alguns passeios de barco e a 500m do Centro Histórico da cidade. Fomos carinhosamente recepcionadas pelo Luciano, gerente da pousada (que pouco depois se tornou o Lu).

Mas, assim que colocamos a bagagem no nosso super quarto, não perdemos tempo e colocamos os pés e as patinhas para explorar aquelas ruas de pedras irregulares (conhecidas como pé-de-moleque). Alias, fica aqui a dica: prefira calçar tênis para caminhar pelas ruas de Paraty. Isso te dará mais equilíbrio e protegerá dos tropeços. A circulação de veículos é proibida na maior parte das ruas do Centro Histórico, por isso, a melhor forma de conhecê-lo é mesmo a pé.  

Restaurante Coupê e os dogs "locais"
Antes do tour, fizemos uma paradinha para almoço no restaurante Casa Coupê, que fica logo ali na Praça da Matriz (com vista para a linda Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios) e serve a melhor comida de bar da cidade. Aceita pets de todos os portes nas mesas externas e, se necessário (como no nosso caso, que começou a chover), não tem problema algum em acomodá-los no interior. Nos fizeram companhia no almoço, o casal Hans e Ju, proprietários do Shambala Spa, que não é pet friendly mas, como amantes de animais, torcem muito para que o turismo leve cada vez mais o público pet para a cidade. Eles nos passaram dicas maravilhosas de passeios na região.  

Finalizado o almoço, hora de voltar ao tour histórico...

Hora de explorar a parte histórica de Paraty
A cidade que, durante o período colonial brasileiro (1530-1815), foi sede do mais importante porto exportador de ouro do Brasil (era de lá, que seguia para a Corte do Rio de Janeiro, o ouro procedente de Minas Gerais), está localizada junto ao oceano e entre dois rios (o Perequê-Açu e o Patitiba) e possui hoje cerca de 39.965 habitantes  distribuídos em aproximadamente cinquenta bairros e localidades – os principais são os de Laranjeiras, Mambucaba e Centro Histórico. 

Seus casarios históricos, que mostram a herança portuguesa da época colonial do século 18, foram requalificados como pousadas, restaurantes, lojas de artesanato e museus. Mas não perderam a sua identidade, preservando a sua história e sua cultura nas suas fachadas, no colorido, nos símbolos maçônicos e religiosos e em outros detalhes. O que já lhe rendeu os títulos de “o conjunto arquitetônico colonial mais harmonioso", pela UNESCO, e Patrimônio Nacional tombado pelo IPHAN.

Perder-se pelas ruas de Paraty não é muito difícil (mas, sim, é delicioso), pois você segue andando, entrando e saindo das lojinhas, tirando mil e uma fotografias, como se estivesse num labirinto e, quando se dá conta, já se passaram horas. Existem tours guiados pela cidade, mas, com as dicas valiosas do Hans e da Ju, e também do pessoal da Pontal Gardens, preferimos “nos perder” por conta própria. Ah, assim como em Monte Verde (MG), em Paraty você encontrará muitos cães nas ruas. Por isso, o seu peludo precisa ser um animal tranquilo, dócil e sociável. Os “locais caninos” são super de boa, nem se incomodavam com a nossa passagem. Todos bem cuidados, com coleiras e percebemos que haviam recipientes com água e comida para eles em muitos dos estabelecimentos. Á noite, alguns deles até são abrigados nas lojas.

Matriz Nossa Senhora dos Remédios e Igreja Santa Rita de Cássia


Começamos nosso tour independente pelo começo. Ou melhor, de onde tudo começou: a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, que estava logo à nossa frente, na Praça da Matriz. Foi ali que, por volta de 1630, em terras doadas por Dona Maria Jácome de Melo, iniciaram a construção de uma pequena capela para Nossa Senhora dos Remédios, da qual ela era devota. E a vila passou a crescer em volta da pequena capela que, mais tarde, foi demolida e, em seu lugar, construída uma igreja maior, de pedra e cal, obra bastante custosa que só terminou em 1712, com a ajuda financeira da piedosa senhora Paratiense, Dona Geralda Maria da Silva, que por isto recebeu do Imperador Dom Pedro II o título de Dona do Paço. Um detalhe curioso são as torres inacabadas e o fundo da edificação por terminar. Acredita-se que isso aconteceu não só pela falta de recursos e mão-de-obra escrava, mas também porque a igreja teria afundado, inclinando-se perigosamente para frente, devido à inconsistência do terreno onde foi construída.

Como já deve ter dado para perceber, a história de Paraty carrega uma forte influência religiosa, especificamente católica, vinda de Portugal. Além da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, o Centro Histórico possui mais 3 igrejas: Igreja de Santa Rita de Cássia, Igreja de Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Quando construídas, cada uma foi sendo destinada a uma camada da população: senhoras aristocratas, escravos, homens pardos libertos, etc.

Esta influência se traduz não só na arquitetura, como também nas festas tradicionais que até hoje acontecem na cidade histórica de Paraty, como: Festa do Divino, Corpus Christi, Festa de Nossa Senhora dos Remédios, de Nossa Senhora do Rosário, etc.

Casarios coloniais de Paraty


Paraty se escreve com I ou com Y?

Eu não sei vocês, mas nós nos perguntamos muitas vezes: afinal, o nome do município se escreve com “Y” ou com “I”?! Pois, normalmente, vemos as duas formas serem utilizadas, né?


Paraty, na língua tupi, significa "peixe de rio" ou "viveiro de peixes", era o nome que os índios guaianás davam ao local onde hoje se situa a cidade. Já “Parati” é uma espécie de peixe da família das tainhas (Mugil Brasiliensis) e que, durante o inverno, vem desovar e procriar nos rios que desembocam na baía de Paraty e depois voltam ao mar.

Originalmente, o nome do município era grafado com dois "i": Paratii. Posteriormente, já no século XVIII, os colonizadores decidem manter o antigo nome indígena – com “Y”, que foi mantida até 1943, quando a Convenção Ortográfica Brasil-Portugal suprimiu o Y do alfabeto português.

Esta situação ambígua perdurou até 1972, quando o Senador Vasconcelos Torres, atendendo às solicitações feitas pelas autoridades locais, apresentou ao Senado Federal o Projeto de Lei no. 25, determinando que a grafia das cidades e monumentos históricos "tivessem os seus nomes expressos na forma ortográfica em que eram escritos antes de 18 de janeiro de 1944". A Comissão de Educação e Cultura, através de seu Relator, o Senador Milton Trindade, quanto ao mérito do projeto de lei, sugere: "...a nossa impressão vai mais longe: nenhuma medida oficial, amparada ou não em lei, conseguirá impedir que a grafia de determinado nome continue sendo escrita de determinado modo, se, na verdade, O SEU REGISTRO É O QUE VEM DA TRADIÇÃO HISTÓRICA, IRREMOVÍVEL, SE CONSAGRADA PELO CONSENSO GENERALIZADO DE UMA COMUNIDADE..." (o grifo é nosso).

O referido projeto de lei foi rejeitado porque os parlamentares acordaram que não se deveria impor às outras cidades históricas a grafia antiga, que poderia não lhes agradar.

Mas acatando a sugestão do Relator Milton Trindade, no Parecer no. 261, transcrito, a comunidade paratiense, através de seus Órgãos Públicos e entidades locais, passou a utilizar papéis timbrados com a grafia PARATY e vem insistindo para que todos passem a utilizar a antiga forma ortográfica.

À semelhança, porém, do que ocorre com o topônimo Bahia (cidade e estado) que é grafado com "h" e a palavra baiano não é, assim Paraty (cidade município) se escreve com "y", mas paratiense se escreve com "i". Isto para se aplicar a Ortografia Brasileira vigente.

Igreja de Nossa Senhora das Dores
Sim, a parte histórica e cultural é riquíssima. Mas, como vocês sabem, a gente embarca nas nossas expedições sedentas de aventura e muita interação com a natureza, né? Então, para nós, esse tour básico já atendeu nossas expectativas. A gente sabia que Paraty era muito mais que apenas uma pequena cidade histórica e queríamos conferir! 

Entre a baía da Ilha Grande e o belo trecho da Mata Atlântica, Paraty se impõe no cenário das mais incríveis e charmosas cidades do mundo. 


No quesito montanhas, a cidade é rodeada de Parques e Reservas Ecológicas, dentre eles: Parque Nacional da Serra da Bocaina, a Área de Proteção Ambiental do Cairuçú, a Reserva da Joatinga e ainda, faz limite com o Parque Estadual da Serra do Mar. Ou seja, é Mata Atlântica por todo lado. O que a torna uma das regiões mais preservadas do Brasil.

Super propícia à prática de esportes de aventura e ecoturismo, em Paraty pode-se caminhar por dias a fio. Mas, infelizmente, nós não tínhamos esse tempo todo – mesmo com a esticadinha em nossa estadia.  

Então, no dia seguinte, selecionamos um dos circuitos de cachoeiras e partimos de mochila nas costas, eu e a Alegria.  Desta vez, precisamos tirar o carro do estacionamento.  Normalmente, as cachoeiras que visitamos fazem parte da rota da maioria dos Jeeps que levam os turistas para conhecer as cachoeiras e alambiques de Paraty. O acesso pela pista de terra pode ser complicado para veículos sem tração, mas nós não tivemos nenhum problema em fazer o percurso com nosso carro (uma Sandero Stepway). Se estiver indo para Paraty pela primeira vez e quiser incluir o roteiro das cachoeiras na sua programação, convém saber se as estradas são compatíveis com o seu veiculo ou se não será melhor contratar um tour com veículos 4x4.



Entrada do Villa Verde e a ponte pêncil

Restaurante Villa Verde

Jardim e piscinas naturais

Meu amigo caiçara, me mostrando as águas do rio Perequê

Passando pelo trevo de Paraty, em direção a Cunha, cerca 6 km da pousada, do lado esquerdo da estrada, fica a entrada para o Restaurante Villa Verde. Você verá somente uma placa com o nome do restaurante, deverá estacionar em algum local mais apropriado (não há estacionamento) e seguir pela ponte de madeira, atravessando por cima do rio Perequê. Este é um lugar que merece ser incluído no seu circuito gastronômico de Paraty. Infelizmente, não tive a chance de experimentar uma das deliciosas massas caseiras feitas pelo chef Dario Rossera, porque estávamos apenas começando o dia e, na verdade, nós tínhamos ido parar ali por causa das piscinas naturais que nos indicaram. Sim, o restaurante italiano está na área de um dos parques de Proteção Ambiental e às margens do rio Perequê. Ali, pode-se passar o dia banhando nas águas límpidas e cristalinas das piscinas naturais e curtindo a natureza e tomando um drink, enquanto sua massa é preparada na cozinha totalmente aberta. Um lugar duplamente delicioso e pet friendly.  

Igreja da Penha

Cachoeira do Tobogã

Poço do Tarzan
Depois dos mergulhos nas piscinas naturais do Villa Verde, seguimos a estrada e, alguns quilômetros depois, do lado direito, uma igreja nos chamou a atenção: a Igreja da Penha, construída em cima de uma grande rocha, que lhe dá um ar bem pitoresco.  Ali, há um estacionamento, onde se paga uma taxa de R$ 10,00 (valor de julho/2017) e pode-se usufruir da estrutura de banheiros, visitar a igreja e ter acesso à trilha que levará à Cachoeira do Tobogã.  No local, também há um marco da Estrada Real e um do Centro de Informações Turísticas do Caminho do Ouro, indicando que este trecho faz parte da famosa rota turística-histórica que reúne quatro caminhos da época do Brasil Colonial que passam pelos estados de Minas Gerais (principalmente), Rio de Janeiro e São Paulo.  

Em pouco tempo se alcança a Cachoeira do Tobogã. Normalmente é uma das mais visitadas de Paraty, mas estava ali, todinha para nós.  Seu principal atrativo é a grande pedra lisa por onde corre o fluxo de água, formando um grande tobogã, onde se pode escorregar até cair em uma piscina natural. Eu preferi pular essa parte do escorrega, mas a Alegria não dispensou uns mergulhos. Depois, seguimos para o Poço do Tarzan, que fica logo acima do Tobogã. A trilha que liga as duas cachoeiras é bem tranquila, sendo preciso somente algum cuidado por conta de pedras escorregadias no caminho. Para chegar até o Poço do Tarzan, é preciso atravessar uma pequena ponte pênsil de madeira, por cima do rio – o que não deixa de dar mais um ar aventureiro ao passeio. Uma bela cachoeira que desemboca num poço de profundidade variada (alguns pontos mais rasos, outros não tanto) e, juntos, formam um ótimo local para um mergulho restaurador. Não estava calor, mas, como eu dificilmente nego um banho de cachoeira, resolvi nadar junto com a Alegria. Uma pedra de 10,80 metros de altura completa o cenário. Ali, ao lado, o Restaurante Poço do Tarzan serve bebidas, lanches e refeições. Mais uma vez, demos a sorte de termos o local exclusivamente para nós.  

Trilha para a Cachoeira da Pedra Branca
Poço da Usina e cascata e poço superior
Paraíso todo nosso!!
Mergulho refrescante 

Nós e a natureza: conexão total!

Dali, seguimos para a cachoeira da Pedra Branca. Trata-se de uma das mais belas cachoeiras de Paraty, localizada dentro de uma propriedade privada, onde se paga uma taxa de R$ 5,00 para entrada e conservação do local (valor de julho/2017). Seguimos por uma pequena trilha, limpa e sinalizada, e, em apenas dez minutos avistamos o primeiro poço com a cachoeira principal. Conhecido como Poço da Usina, porque ali encontram-se as ruínas da primeira usina de força da cidade.  

A vista era de cair o queixo, mas, para ter acesso ao poço, era preciso descer alguns metros por um caminho lateral à cachoeira. Além disso, com 6 metros de profundidade, o local não inspirou muita confiança para descermos e nadarmos, uma vez que estávamos sozinhas (gostamos de aventura e adrenalina, mas somos conscientes). Fizemos somente uma parada para fotos e para apreciação e seguimos uma escadinha por cima da cachoeira (nesse trecho, é imprescindível colocar o cão na guia!), que nos levou a um segundo poço com uma cascata mais amigável. Ficamos por lá... e ficamos, ficamos...até bater a fome e nos darmos conta de que já estávamos ao meio da tarde e ainda não havíamos almoçado.  

Partimos da cachoeira para a praia. Eis aqui um dos pontos encantadores de Paraty: você vai da água doce para a salgada, das montanhas para o litoral, da cachoeira para o mar... em questão de minutos.  



Caminhada na Praia do Jabaquara e paradinha para almoço


La Luna Bistrô: comida boa, visual incrível e hospitalidade animal

Fechando o dia com as patas na areia

A belíssima baía de Paraty possui cerca de 60 praias, sendo algumas com acesso por carro, outras por trilhas e muitas com acesso apenas por barco. Próximas ao Centro Histórico, temos a Praia do Pontal (aquela que está a apenas 200m da Pousada Pontal Gardens) e a Praia do Jabaquara. Foi nessa segunda opção que decidimos finalizar nosso dia.

Popular entre os moradores, a Praia do Jabaquara tem acesso fácil, mar calmo e diversos quiosques e restaurantes. Ideal para velejar, andar de pedalinho, caiaques e SUP, atrai famílias com crianças, pois não possui ondas. Em uma das suas extremidades, desagua o rio Jabaquara, deixando a água do mar escura e o fundo lodoso, onde se encontra a famosa lama de propriedade medicinal. Fizemos uma pequena caminhada pela extensa faixa de areia e encontramos muitos outros tutores passeando com seus mascotes, tranquilamente. Fomos até o La Luna Bistrô, onde ali mesmo, pés e patas na areia, vista para o mar, paramos para almoçar e finalizar o nosso dia.  

Ponta para zarpar: Protetor solar Pet Society, Repelente Preserva Mundi e toalha T4P


Na manhã seguinte, estávamos ansiosíssimas para zarpar no nosso passeio de barco. Existem duas maneiras de fazer um passeio de barco em Paraty:  A primeira é nas escunas, com capacidade para até 150 passageiros, onde os passeios duram, em média cinco horas, com roteiros pré-definidos, musica alta, serviço de bordo e, muito provavelmente, não aceitarão o seu mascote. A segunda opção é contratar uma embarcação exclusiva para você e o seu mascote e montar o seu roteiro de acordo com o que vocês irão curtir e também com alguma avaliação sobre as frequências dos locais, para que vocês consigam fazer paradas mais tranquilas e legais para o seu pet.  Obviamente, escolhemos a segunda opção. 

Pode zarpar, capitão!

Visual da baia de Paraty

Guiadas, num roteiro exclusivo, sugerido pelo simpático marinheiro Sr Irenio, um dos poucos barqueiros pet friendly de Paraty - que faz parte da preciosa listinha de sugestões do pessoal da Pontal Gardens (olha nós aqui de vips outra vez!), saímos ali do canal da cidade em direção ao nosso dia de aventura no mar. A embarcação simples, mas muito bem conservada e limpa, não tinha banheiro, mas dispunha de cooleer para levarmos bebidas, colete salva-vidas e snorkel... além de muita gentileza e simpatia do Sr Irenio.  E o melhor de tudo, estava todinha disponível para nós e seguiria rumo às praias que escolhêssemos.  

Essa parte da escolha foi um pouquinho difícil. Afinal, a baía de Paraty abriga mais de 60 ilhas paradisíacas e 90 praias irretocáveis de areias brancas e mar cor, hora azul, hora verde.
  


Praia de Jurumirim
Imagens que conseguimos das tartarugas
Uhuuuu, a praia de Amyr Klink é nossa!!!

Paraiso em meio às montanhas e Mata Atlântica

Dá pra ficar aqui o dia todo?!

Nossa primeira parada foi na Praia de Jurumirim. E, vou te contar, a minha vontade era dispensar todo o resto do roteiro e passar o dia todinho lá naqueles 2 a 3 metros de faixa de areia, rodeada por montanhas e Mata Atlântica. E, além de nós, os únicos seres que deram as caras foram um gatinho que dormia em baixo de uma árvore e duas tartarugas que colocaram rapidamente a cabeça para fora d´água numa velocidade que nem me deu chance de tirar uma foto. Não dizem que tartarugas são lentas? ahahaha Pois é, aquele pedaço de paraíso, de águas tranquilas, pertence à família do navegador Amyr Klink (e foi de onde ele iniciou sua viagem para a Antártica) e serve de habitat para as tartarugas de Pente, uma espécie em extinção no mundo.  Nós desembarcamos, corremos um pouco pela areia e mergulhamos. Mas o passeio precisava continuar.  


Parada para conhecer o Engenho de 500 anos


Na próxima parada, o Sr Irenio decidiu os mostrar um moinho de um dos primeiros engenhos de cachaça da região.   Ele não sabia explicar muito bem a história, só sabia que tinha mais de 500 anos. Ficava numa praia, não muito conhecida, onde paramos o barco e entramos num pequena trilha na mata... e lá estava ele, enorme, de ferro, quase se fundindo com a vegetação que já tomava conta, e a poucos metros do mar. Não sei como conseguiram levar aquilo para lá há tantos anos atrás, nem como esse engenho funcionava ali. Mas a imagem era impressionante.  


Simbora pra próxima parada

Ilha da Pescaria: Alegria dividindo os biscoitos com os peixinhos
Dali, seguimos para a Ilha da Pescaria, um local digno de marajá, com cinco casas construídas e um heliporto – segundo informações, de propriedade de Cid Ribeiro, diretor da LG. Mas, como a maioria das ilhas pertencentes a nomes famosos e endinheirados ali da baia, os que frequentam mesmo os locais acabam sendo os caseiros. Pois seus donos mal aparecem por lá... Não há desembarque na ilha. Ali, a parada é para mergulhar e nadar com os peixinhos que surgem assim que o Sr Irenio joga farelos de biscoitos na água. A Alegria não sabia se pulava no mar ou se roubava um biscoito da mão do Sr Irenio ahahah. Eu confesso que fiquei um pouco receosa, pois o mar estava bastante mexido e agitado e nadar em alto mar é algo que não me deixa exatamente confortável. Eu adoro banho de mar, desde que meus pés alcancem a areia. Mas, normalmente, prefiro me arrepender de ter encarado, do que amargar o arrependimento de ter deixado a oportunidade passar. Então, coloquei o colete e o snorkel e mergulhei. A Alegria veio logo depois de mim e me dei conta de que era a primeira vez que a minha filhota fazia um passeio e nadava em alto mar. Estar de colete, para ela, também foi importante, pois assim ficamos as duas mais tranquilas.

Quando fizemos o passeio, assim como na maioria dos lugares onde paramos, só tínhamos nós, mas durante a alta temporada os barcos chegam a fazer fila para que os visitantes possam mergulhar com os peixinhos ali. Por isso que eu amo baixa temporada!

Pois é, a experiência não foi das mais legais, nem para mim nem para a Alegria, por conta da agitação do mar e logo voltamos para o barco e seguimos viagem até a Lagoa Azul.  Cercado por rochas e mata verde, o local é uma grande piscina natural repleta de vida marinha. O tom da água que dá nome ao lugar é tão intenso que impressiona. Desembarcamos, nadamos, tiramos fotos e seguimos rumo a Paraty Mirim, na Praia do Cruzeiro, de onde sai a trilha para o Pão de Açúcar. Nossa idéia era subir no pico mas, infelizmente, quando chegamos, não havia nenhum guia para nos acompanhar e o Sr Irenio me desencorajou ir sozinha. Deixamos para a próxima visita a Paraty.

Lagoa Azul

Praia Vermelha - Paraty 

Com mais um amigo caiçara, curtindo o final do dia na Praia Vermelha
Nossa última parada, a Praia Vermelha é uma bela praia com areias avermelhadas, com acesso apenas por barco. Um dos pontos de parada das escunas, pois oferece uma estrutura com restaurantes para refeições e bares com cadeiras e mesas à beira-mar. Ali, nosso barco parou a certa distância e um barquinho menor, do Restaurante Bambubar, veio nos pegar para levar até a areia. Havia algumas pessoas na praia, mas bem poucas. Alegria logo se enturmou com um cãozinho caiçara e correram muito, brincando na areia e no mar, sem ninguém se importar. A comida não é muito barata (o problema dos lugares muito turísticos), pode-se pagar R$ 65 por um PF!! Mas come-se muito bem e os frutos do mar são fresquinhos. Sem falar no visual que se tem enquanto se come.  

E nosso dia estava chegando ao fim. Cerca de quase 8 horas de passeio e quase não vimos o tempo passar. Na volta, nosso gentil marinheiro ainda fez questão de parar junto a um barco pesqueiro e me fez uma linda e deliciosa surpresa: pegou com o colega um balde cheinho de camarões e me deu de presente!!! Vou comer camarão até a próxima visita a Paraty, por conta do Sr Irenio.  


Trilha no Manguezal, em Paraty-Mirim

Praia de Paraty-Mirim (point secreto rss)

Cash, me apresenta o refúgio da família em plena baía de Paraty

Cães ao marrrrrr!
E, no nosso terceiro dia em Paraty, muitos eram os planos de passeios. Havíamos pensado em explorar a região de Trindade, mas soubemos que lá, por ser uma área de proteção ambiental, não permitiam o acesso de animais domésticos, sob risco de multa. Mas o que mais me preocupou mesmo, foram as informações sobre a incidência de leishmaniose na região. Abortamos o roteiro, joguei todos os planos para o alto e me deixei levar pelas gratas oportunidades que o destino me presenteia. O Rony e o Fernando (proprietários da Pontal Gardens) nos convidaram a conhecer um cantinho muito especial deles e do Cash: uma casa, no alto da montanha, na praia de Paraty-Mirim. E nós aceitamos! Passamos um dia maravilhoso, fizemos uma trilha em meio ao manguezal e a Alegria e o Cash se divertiram horrores na praia e no píer privativo da casa.  Ao voltarmos, almoçamos no Quiosque Cheiro de camarão, na Praia de Corumbê. 


Praia de São Gonçalo: tatu ou cachorro?!

Farofeira canina kkk

Oieeeee!

No dia seguinte, nosso último dia em Paraty, mais uma vez, Rony, Fernando e Cash, nos fizeram companhia, desta vez para conhecermos um pouquinho mais das praias “locais”. Passamos a manhã na Praia de São Gonçalo, uma extensa praia de onde saem barcos que levam turistas para a Ilha dos Pelados. Os cães ficaram brincando na área e nadando no mar, enquanto nós simplesmente curtíamos o momento. E finalizamos o dia e nossa estadia com um delicioso churrasco na casa de um dos amigos dos meninos e do Luciano, regado a vinho, música, papo legal, cachorros exaustos e uma vista animal!! Como não voltar a Paraty?!! 


Rony, Nando e Cash: nossos anfitriões especiais. Gratidão!



Veja o video da nossa Expedição Pet Friendly Paraty







SERVIÇOS:
POSTO ARCO –ÍRIS ROSEIRA (Pit Stop No km 82 da Rodovia Dutra, para quem sai de SP. Tem espaço pet friendly na praça de alimentação e banheiros que permitem a entrada dos pets)

POUSADA PONTAL GARDENS

RESTAURANTE CASA COUPÊ

RESTAURANTE VILLA VERDE

LA LUNA - BISTRÔ DE PRAIA

QUIOSQUE CHEIRO DE CAMARÃO


BARQUEIRO SR IRENIO: (24) 99943-7869 - WhatsApp - falar com a filha, Tiara. Indicação da Turismo 4 Patas ganha 10% de desconto

Larissa Rios