Humm comida!!! |
Eu sempre fui bem resistente à ideia da
alimentação natural. “Ah, eu mal cozinho pra mim, vou cozinhar para os
cachorros?!”; “Dá muito trabalho”; “Não tenho espaço na geladeira pra armazenar
comida para duas Goldens Retrievers”; “Custa mais do que a ração”; “Eu viajo
muito – com e sem elas--, como vou fazer para dar comida durante a viagem ou
deixar no hotelzinho?!”.
Enfim, muitas eram as justificativas que eu
apresentava para mim mesma e para todos que me questionavam qual a alimentação das
minhas meninas e porque eu não dava AN para elas.
Aos poucos, fui ficando cada vez mais
rodeada de tutores que decidiram mudar a alimentação dos seus mascotes e foram
abandonando a ração. E eu ia ouvindo os seus relatos sobre as melhoras
apresentadas em um curto espaço de tempo. De controle de peso a problemas de
pele, passando por outros diagnósticos que foram aparecendo.
Ok. Senti uma pitadinha de curiosidade. Porque
não experimentar?!
No mínimo, as meninas vão se lambuzar e
agradecer pelo agradinho ao paladar.
Então, comecei a introduzir a AN na dieta
delas, aos pouquinhos... uma das refeições diárias, pelo menos (elas comem 3
vezes ao dia). Pesquisei bastante a respeito, li muitos sites especializados e
conversei com outros tutores que já haviam ingressado nessa tendência. Porque,
se era para fazer, que fosse bem feito.
E, de fato, elas amaram! E eu, confesso,
senti uma satisfação imensa de ver o prazer com que elas comiam.
Meninas à espera do jantar |
Menu preparado em casa
Mas, ainda assim, não foi o suficiente para me manter na rotina de chef canina... Com o passar dos dias, a correria de ir atrás de ingredientes, dedicar horas no fogão, armazenar tudo no meu pequeno congelador... ufa. Desestimulei e voltei pra ração.
Até que veio o chacoalhão do diagnóstico de
câncer da Cléo. Era preciso fazer algo para ajudá-la. E eu estava disposta a
tudo!
Para quem não acompanhou desde o começo, nós
já falamos aqui sobre o que é o Câncer, como ele atinge nossos mascotes, como
prevenir, como diagnosticar, quais os sentimentos que tomam conta de nós quando
recebemos a notícia, etc. Podem ler ou reler tudo isso nos posts “Câncer
Canino: Juntos podemos vencer esse bicho papão”, “Câncer
Canino: Diagnóstico”
e “Câncer Canino: Tratamento, uma batalha em equipe”
Bom, diante da decisão de não a submetê-la
a quimioterapia, eu assumi o compromisso de proporcioná-la a melhor qualidade
de vida possível. E uma das formas de conseguir isso, seria através da
alimentação. Sim, a alimentação não somente faria parte do protocolo de
tratamento definido por mim e pelos profissionais que acompanham a Cléo, como
seria o alicerce de tudo.
RAÇÃO X ALIMENTAÇÃO NATURAL
É verdade que alimentar o pet com ração seca é bem mais prático. Mas isso
está bem distante da dieta ancestral canina e felina: naturalmente úmida
variada, pobre em carboidratos e predominantemente carnívora. Na natureza,
predadores consomem uma ampla variedade de espécies de presas, além de ovos,
gramíneas, tubérculos e frutas.
Por maior que seja a qualidade anunciada da ração, ainda assim
é um alimento industrializado, processado. Se formos pesquisar a fundo o
impacto que a comida processada tem no nosso organismo, ficaríamos chocados.
Imagine, então, no organismo dos nossos animais. É uma oportunidade para nos
questionarmos: porque o meu cachorro come ração e não come carne, legumes e
grãos, como eu?
Se dermos uma olhadinha com atenção no rótulo das rações, vamos
encontrar uma grande quantidade de vitaminas, aminoácidos (derivados protéicos)
e de sais minerais como ferro, zinco, fósforo entre outros que são adicionados
ao alimento.
Por que de tanto complemento nesse alimento?!
Simplesmente porque a indústria de rações utiliza ingredientes
de baixo custo e, consequentemente, de baixa qualidade. Isso faz com que se
torne necessária a adição de uma quantidade quase infindável de compostos
quimicos.
Outra questão, no mínimo curiosa, é a durabilidade. Como é
possível fazer com que uma ração dure um ano ou mais? Isso só é possível devido
à utilização de grandes quantidades de conservantes (BHT e BHA), que hoje são
considerados vilões na alimentação humana e inclusive vêm sendo estudados como
possíveis responsáveis por diversas alterações celulares (câncer).
Aditivos sintéticos, como corantes, responsáveis por dar as cores
dos grãos de ração, representam as PRINCIPAIS causas de alergias em humanos e
animais.
E, por último, os palatabilizantes sintéticos, conservantes e outros
componenentes químicos e elementos transgênicos.
E por estas e outras razões, que a indústria de rações vem
perdendo um espaço considerável para a alimentação natural nos países europeus
e norte-americanos (na Califórnia, EUA, ela já é aplicada desde os anos 70). E
a coisa já começou a mudar aqui no Brasil também.
Afinal,
se “nós somos o que comemos”, com nossos pets não deveria ser diferente. Os
nutricionistas humanos vivem nos alertando e educando a preferir comida fresca,
variada e preparada em casa, certo? Com nossos cães deveríamos agir da mesma
maneira.
A dieta natural agrada, de cara, aos
bichos através da variedade e do cheiro. A felicidade deles é notória ao se
depararem com um belo e suculento prato de comida. Aliás, a umidade deste tipo
de alimentação é um dos fatores diferenciais, já que representa 70%. Isso
garante aos nossos pets, o principal nutriente para o corpo: a água.
A comida
natural também fortalece o sistema imunológico dos cães e gatos e já foi em
muitos casos, a cura de algumas doenças nos animais que não conseguiam reagir a
elas antes quando comendo somente ração. Como, por exemplo, alergias. O pelo do
animal também fica mais bonito e brilhoso e cai menos. As fezes diminuem de
volume, melhoram a textura e reduzem consideravelmente os odores.
Estudos já
comprovaram que, ao serem alimentados com uma dieta natural equilibrada, os
cães ficam mais fortes e mais bem nutridos e vivem muito mais.
Veja
esse vídeo do Rodney Habib, um famoso blogueiro canadense, especialista em
nutrição animal, e saiba como a alimentação natural pode aumentar a longevidade
e a saúde do seu animal, dentre outros benefícios:
Na verdade, os benefícios de uma
alimentação natural são tantos, que fica até difícil de listá-los em um único
artigo. Então, vamos focar na razão principal que me levou a adotar essa
mudança na vida da Cléo.
CÂNCER X DIETA
As
estatísticas atuais são assustadoras: hoje, 1 em cada 2 cães possui câncer. Pois
é, essa é a doença que mais atinge nossos mascotes atualmente. E apenas 10% dos
casos de câncer têm origem genética. Os restantes 90% são resultado do estilo
de vida que proporcionamos aos nossos animais e de fatores externos como:
estresse, obesidade, infecções, vida sedentária, poluição e toxinas e – a maior
fatia – ALIMENTAÇÃO.
Segundo estudos,
cerca de 30 a 40% de todos os tipos de câncer podem ser prevenidos se adotarmos
uma simples alteração na dieta dos nossos animais. (Canine Nutrigenomics)
Pois é, assim
como você, o seu cachorro também é o que ele come.
Um dos
maiores problemas de animais com câncer é a caquexia ou perda involuntária e
progressiva de peso. Esta acentuada perda de peso, devida a alterações
metabólicas da doença ou do tratamento, diminui a qualidade de vida do animal,
diminui a resposta ao tratamento da doença e diminui o tempo de sobrevida do
animal. Por isso, a alteração da dieta para uma alimentação natural pode também
ajudar a estimular o apetite do mascote.
Além
disso, instituir um plano nutricional adequado a cada enfermo e enfermidade
amplia as nossas possibilidades terapêuticas, melhora os prognósticos e a
sobrevida dos pacientes.
A
utilização de alimentos que apresentam componentes com propriedades e efeitos
medicamentosos sobre o organismo (chamados nutracêuticos, alicamentos ou
alimentos funcionais), colaboram na prevenção e no tratamento de enfermidades.
A aplicação deste tipo de alimento na dieta diária do pet com câncer é citada
por diversos veterinários holísticos em todo o mundo como um fator
imprescindível na redução de alguns tumores, no impedimento da disseminação de
outros, na desintoxicação relacionada a fatores carcinogênicos e na prevenção
de outros mais. Tais alimentos também compensam desequilíbrios e desajustes
alimentares através de componentes biologicamente ativos como leucotrienes,
polifenóis, licopenos, antioxidantes, carotenóides e etc, além de agirem
diretamente sobre a dinâmica da célula cancerígena.
Um aporte
constante de alimentos ricos em compostos anticancerígenos é uma arma
indispensável para combater e/ou impedir o desenvolvimento do Câncer. Assim
como evitar alimentos que possam vir a nutrir as células cancerígenas também é
muito importante.
Pesquisas
científicas em câncer desde a década de 90 vem demonstrando que uma nutrição
baseada em baixa porcentagem de carboidratos, alta proteína e gordura de boa
qualidade são as mais indicadas, pois favorecem o metabolismo
do doente e não o da célula tumoral.
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Carboidratos: o vilão da dieta anticancerígena |
Numa
dieta anticancerígena, um dos maiores vilões é o carboidrato, pois é do açúcar
proveniente destes nutrientes que as células tumorais se alimentam. A glicose
constitui o principal substrato energético do tecido neoplásico em crescimento.
Portanto, a estratégia de uma dieta anticancerígena consiste em forçar o tumor
a utilizar outros substratos para contribuir na redução da proliferação celular.
Os carboidratos mais indicados no caso do câncer são os que contêm menos açúcares
ou baixos valores glicêmicos como brócolis, couve flor, couve de Bruxelas,
vagens, repolhos, abobrinhas e batata yacon. Devem-se evitar batatas, batatas
doces, mandiocas, abóboras e cenouras.
Apenas
20% do volume total de cada refeição ou menos, no caso dos portadores de
câncer, deve estar constituído de carboidratos.
Boas
fontes de proteína animal devem ser utilizadas, como carnes e vísceras de
bovinos, ovinos, suínos, aves, peixes e ovos. Alguns destes alimentos (carnes e
peixes) contêm duas substâncias importantes numa dieta anticancerígena: a
arginina, que, em alguns trabalhos científicos tem aparecido com efeito de retardar
a progressão de tumores; e a glutamina, que também poderia ter efeitos supressores
na carcinogênese e apresenta um intenso efeito imunoestimulante, indutor de uma
maior imunomodulação em todo o organismo, a qual reduziria as taxas de
crescimento do tumor e das metástases (Souba, 1993; Kaufmann et al.,2003).
Já a utilização de laticínios e seus
subprodutos é contra indicada por muitos autores, em indivíduos portadores de
câncer.
Diferentes compostos bioquímicos nos alimentos exercem diferentes ações sobre as células cancerígenas e os processos cancerosos:
• Bloqueio da ação de substâncias cancerígenas:
brócolis, repolho, alho, Ômega 3 (atum branco, sardinha, salmão, cavala pequena
ou óleo de peixe e óleo de linhaça ou borragem), morango, legumes crucíferos
(couve, couve de bruxelas, couve flor, couve chinesa, brócolis)
• No bloqueio da promoção do desenvolvimento da célula cancerosa: cúrcuma ou açafrão-da-terra, chá verde, soja, tomate, legumes crucíferos (uvas somente para humanos!)
• No bloqueio da promoção do desenvolvimento da célula cancerosa: cúrcuma ou açafrão-da-terra, chá verde, soja, tomate, legumes crucíferos (uvas somente para humanos!)
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Frutas Vermelhas: Bloqueio da progressão da célula cancerosa |
• No bloqueio da progressão da célula cancerosa:
mirtilo, morango, Ômega 3, cítricos, morango, frutas vermelhas, alho, alho,
alecrim, tomilho, orégano, manjericão, hortelã.
Redução da
angiogênese (formação de vasos sanguíneos que nutrem os tumores e facilitam as
metástases): cúrcuma, gengibre, chá verde, legumes crucíferos, salsa, aipo,
frutas vermelhas (morango, mirtillo, amora, framboesa)
• Induz apoptose (morte celular programada) de células cancerosas: chá verde, cúrcuma, legumes crucíferos, alho, alecrim, tomilho, orégano, manjericão, hortelã; salsa, aipo, algas, frutas vermelhas (morango, mirtillo, amora, framboesa)
• Induz apoptose (morte celular programada) de células cancerosas: chá verde, cúrcuma, legumes crucíferos, alho, alecrim, tomilho, orégano, manjericão, hortelã; salsa, aipo, algas, frutas vermelhas (morango, mirtillo, amora, framboesa)
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Nutracêuticos: agem no controle da imunidade e das inflamações |
• Aumentam imunidade: os cogumelos,
Shiitake, Maitake, Enokitake, Cremini, Portobello, Ganoderma, Cordiceps,
Agaricus
• Efeito anti-inflamatório: alecrim,
cúrcuma, salsa, aipo, cítricos (laranja, limão, tangerina, grapefruit ou
pomelo), romã
Mas, ATENÇÃO, para dois pontos importantes:
1) Toda e qualquer alteração alimentar deve ser feita gradualmente,
principalmente em animais com doenças debilitantes.
2) Alimentação natural NÃO É RESTO DE COMIDA e nem o compartilhamento
da sua dieta com o seu mascote!!
Cléo e Alegria na primeira consulta com a Dra Ana Carolina Rúbio |
Antes de partir para a mudança, consulte
um médico veterinário especializado que irá te orientar a oferecer uma dieta
balanceada e equilibrada, baseada em ingredientes frescos e naturais,
preferencialmente orgânicos, especialmente preparados para o consumo canino. E,
mais que isso, especialmente elaborada para o seu animal, como indivíduo. Aqui
em casa, por exemplo, a comida da Cléo é diferente da comida da Alegria, tanto
em quantidade, quanto em nutrientes e suplementos. A dieta da Cléo é
anticancerígena, para um animal idoso, com problemas articulares, que precisa
de um controle de peso rígido. A da Alegria é para um animal jovem, esportista,
cheio de energia e em crescimento.
Para quem não quer ou não pode preparar
a comida em sua própria casa, hoje já existem diversas opções de empresas que
oferecem no mercado um amplo leque de produtos que vão desde refeições
desidratadas, passando por enlatadas e chegando às congeladas. Algumas disponibilizam
receitas já prontas, para cães que não possuem nenhum problema de saúde ou
restrição alimentar. Outras elaboram as dietas personalizadas, elaboradas por
um veterinário nutrólogo. Num próximo post, falarei sobre as empresas de alimentação natural que já conhecemos, quais as vantagens de cada uma, quais os sites de referência sobre o assunto e, claro, contaremos como estamos nos organizando em relação às viagens, com a nova dieta.
Dieta personalizada: para as necessidades de cada cão |
Conheci, na época, a empresa Pet´s Mash – Alimento natural para Cães, criada por médicos veterinários nutrólogos que oferecem um
acompanhamento nutricional personalizado para atender às necessidades do seu
pet. A Dra. Ana Carolina Rúbio (Veterinária nutróloga), em nossa primeira consulta, já me esclareceu
tudinho sobre o que a minha filhota, Cléo, deveria ingerir para que pudéssemos manter
as células cancerígenas sob controle e o que seria abolido do seu cardápio, dali
por diante. E assim iniciamos a base do nosso protocolo de tratamento do
câncer.
Se a alimentação natural é mais difícil
de manter? Pode ser. Se o custo é mais alto do que a ração? Depende do tipo de alimentação
que se for optar, dos fornecedores que escolher e do tipo de ração que fazia
uso. Se dá trabalho para armazenar? Um pouco, se considerarmos que tenho duas
cachorras de porte grande. Mas, considerando o que eu já gastei, em tempo,
dedicação e dinheiro, para exames, cirurgia, medicações, terapias e todos os
outros cuidados que a doença da Cléo tem me demandando, se eu fosse colocar
tudo isso na ponta do lápis, a conta não fecharia. Se eu tivesse aberto a
cabeça para esse assunto antes, com certeza já teria mudado de conduta e optado
pela alimentação natural desde quando ela ainda era filhotinha. Talvez não
tivesse evitado a doença, talvez sim. Mas eu estaria com uma sensação um pouco maior
de “fiz a minha parte”.
Uma amiga querida, e adepta da
alimentação natural para seus filhotes (com a qual eu tiro muitas dúvidas,
inclusive), me disse uma coisa importante: “Cada
pessoa tem o seu tempo de absorver informações novas. Você levou o seu tempo. O
importante é que nunca é tarde e você fez o “seu melhor” diante do seu
conhecimento e continua fazendo isso”.
Talvez, o mais importante na hora de
decidirmos qual o tipo de alimentação vamos oferecer aos nossos cães, seja
pensarmos com carinho se estamos de fato fazendo tudo aquilo que podemos por
eles. E isso, certamente depende de muitos fatores. A resposta para essa
questão não é, e nem pode ser a mesma para todos os proprietários. Mas foi a
minha resposta para a Cléo. E pude mudar a história com a Alegria, que
praticamente acabou de chegar.
Larissa
Rios