quinta-feira, 31 de março de 2016

Câncer Canino: Tratamento, uma batalha em equipe


JUNTAS, para mais uma batalha
 
Muitos de vocês, que nos acompanham aqui no Blog ou pelas redes sociais, sabem que no inicio deste ano a Cléo foi diagnosticada com Câncer. A partir daí, passamos a compartilhar o passo a passo que estamos seguindo desde a cirurgia de retirada do tumor primário (encontrado no intestino). Falamos sobre o que é o Câncer, como ele atinge nossos mascotes, como prevenir, como diagnosticar, quais os sentimentos que tomam conta de nós quando recebemos a notícia, etc. Podem ler ou reler tudo isso nos posts “Câncer Canino: Juntos podemos vencer esse bicho papão” e “Câncer Canino: Diagnóstico”.

E vamos seguir com a nossa série de matérias relacionadas ao assunto. Pois a nossa intenção é, além de dividir com vocês as nossas angústias, nossos medos, nossas vitórias e nossas descobertas, compartilhar informações relevantes e que contribuam para que possamos salvar cada vez mais vidas. Mais que isso, queremos aprender como lidar com essa doença e como proporcionar a melhor qualidade de vida a um cão oncológico. E, claro, mostrar esse aprendizado para vocês.

Pois bem, acompanhando a linha cronológica dos posts, já que retiramos o tumor primário da Cléo, descobrimos qual o tipo específico de câncer que ela tem, sabemos a forma de atuação deste tipo de células e quais os riscos da doença, agora chegou a hora de decidir qual caminho seguiremos.

O câncer – seja em humanos ou em animais - é uma doença muito difícil de controlar. Mas, se o diagnóstico é feito em fase inicial e o tratamento for realizado da maneira correta, as chances de uma vida com qualidade ou até mesmo a cura são significativas.

O tratamento é escolhido de acordo com o tamanho da lesão e sua extensão. Normalmente, em oncologia veterinária, o tratamento da doença baseia-se na cirurgia, quimioterapia e radioterapia, que podem ser usadas unicamente ou em combinação entre si e/ou com outros tratamentos e terapias.

A cirurgia é particularmente importante no tratamento dos tumores sólidos (aqueles que formam nódulos e massas) e, é recomendável que o cirurgião seja um profissional habilitado (cirurgia oncologista)  para realização das técnicas de exérese (extirpação) e reparação (plástica) do paciente.

A quimioterapia é a terapia de eleição para os tumores hematopoiéticos (linfomas, leucemias, mielomas) e também para os tumores venéreos transmissíveis em cães (TVT). E costuma ser o “carro-chefe” no tratamento complementar à cirurgia para os tumores com potencial de disseminação metastática (se espalham por outras partes do corpo).

Alguns pacientes com cânceres avançados (sem possibilidade de cura ou com doença metastática) também podem ser beneficiados com quimioterapia (exemplos: carcinoma mamário inflamatório, linfoma recorrente). A radioterapia, embora não muito utilizada no Brasil, pode ser particularmente útil em casos de remoção incompleta do tumor ou como terapia paliativa em casos em que a cirurgia não é possível.

Algumas opções de protocolo de tratamento do câncer incluem ainda: terapia imune (promove a estimulação do sistema imunológico, por meio do uso de substâncias modificadoras da resposta biológica), terapias paliativas (indicadas para os casos sem possibilidade de cura, apenas para contenção do crescimento do tumor, visando melhor qualidade de vida através da prevenção e alivio do sofrimento imposto pela doença) e manejo da dor (prevê a dor e administra medicações e/ou terapias, garantindo assim o máximo conforto para o animal).

No caso específico da Cléo, para o GIST (Sarcoma Estromal Intestinal), a cirurgia costuma ser o tratamento de escolha, especialmente para tumores únicos que ainda não apresentam metástases. E foi o que fizemos.  Imediatamente após a descoberta do tumor, a Cléo foi operada pelo Dr. Gabriel Seabra, do Centro de Saúde Animal ZOOVET. Após a cirurgia, a terapia com agentes de alvo molecular (quimioterapia) é a opção mais utilizada para os GISTs metastáticos, enquanto a radioterapia é muito pouco empregada neste tipo de câncer.

 
Quimioterapia

QUIMIOTERAPIA

A quimioterapia é o tratamento medicamentoso destinado a eliminar ou retardar o crescimento do câncer.

Normalmente é o procedimento sugerido para tratar os casos malignos e com tendência a metástases.  Também é usada para tratar formas em que o câncer não pode ser tratado com cirurgia ou radioterapia, ou, em combinação, quando houver a possibilidade de aumentar a eficácia destes tratamentos.

O objetivo da quimioterapia é de tentar controlar ou até mesmo acabar com o câncer, prolongando a sobrevida e ajudando a melhorar a qualidade de vida do paciente oncológico.

 Os quimioterápicos animais são medicamentos derivados de substâncias naturais, como plantas, ou até mesmo de bactérias, sendo muitas vezes as mesmas drogas utilizadas em humanos. Eles agem nas diferentes fases do ciclo celular, danificando as células cancerígenas que se multiplicam rapidamente. A maioria dos quimioterápicos afeta o DNA celular diminuindo a habilidade destas células de se multiplicarem e leva à morte celular. 

Algumas vezes o tratamento pode não resultar na cura da doença, mas pode conseguir controlar e retardar a progressão.

O tratamento quimioterápico é escolhido individualmente de acordo com cada caso, levando em consideração o tipo de tumor e sua biologia molecular (genética e comportamento celular) e o paciente que vai ser tratado. O protocolo pode variar de algumas semanas a meses e a frequência pode ser diária, semanal ou mensal.
 
Oral e Injetável
 
Existem várias formas de apresentação dos quimioterápicos utilizados na oncologia veterinária. Algumas drogas devem ser administradas por via intravenosa (na veia, sempre administrados por um profissional veterinário), outras podem ser administradas em baixo da pele ou no músculo, ou ainda por via oral (neste caso, pelo tutor do animal). Em alguns casos, o medicamento pode ser injetado diretamente dentro do tumor.

Para alguns tipos de câncer, é o tratamento mais eficaz oferecendo a melhor oportunidade para atingir remissão (quando o câncer é indetectável) enquanto preserva uma boa qualidade de vida. Um bom exemplo deste tipo de câncer é o linfoma, em que dependendo do tipo celular (B ou T) pode conseguir remissão em 90% dos casos.

A quimioterapia também é recomendada após remoção cirúrgica de um câncer maligno, para prevenir a recorrência local e impedir que este se espalhe (metástases) ou mesmo usada antes da remoção cirúrgica para diminuir o tamanho do tumor e facilitar sua ressecção.

Pode ser utilizada, ainda, em pacientes em que não é possível a remoção cirúrgica ou em casos que já sofreram metástases. Nestes casos o objetivo do tratamento não é a cura, mas melhorar a qualidade de vida do paciente (voltam a comer, caminhar e brincar).

O tratamento quimioterápico do câncer em animais compara-se com a medicina humana. Os riscos associados à quimioterapia variam de acordo com o protocolo utilizado. Os quimioterápicos não são específicos às células cancerígenas e podem afetar outras células normais do corpo que também estão em rápida multiplicação.

O que se diz em relação aos efeitos colaterais, é que cães e gatos geralmente toleram a quimioterapia muito melhor do que os pacientes humanos. Perda de pêlo é rara em pequenos animais, sendo mais comum no poodle, yorkshire, schnauzer e shitzu e os gatos podem perder os bigodes. O pêlo volta a crescer após o tratamento. Os efeitos mais comuns são vômito, diarréia, náusea, perda de apetite e toxidez à medula óssea (afetando a produção de glóbulos brancos e deixando o animal mais susceptível à infecção).

É esperado pelo menos um destes sintomas durante o tratamento. Mas é importante salientar que cada animal reage de uma maneira individual ao tratamento quimioterápico, sendo possível ter uma reação inesperada a um agente ou nenhuma reação a todo o tratamento.

Retornos periódicos para reavaliação (feitos a cada dois meses inicialmente, e a cada 6 meses posteriormente) são muito importantes para detectar o reaparecimento do câncer, antes que esteja em estágio avançado.  Mas podem ser feitos em intervalos menores de tempo, caso o tipo de câncer seja agressivo e de rápido crescimento. 

As opções de tratamento e as chances de sucesso são maiores quando a doença está em estágio inicial.

 

 
Então, para a Cléo, após a retirada do tumor, a indicação de tratamento complementar foi a quimioterapia. Com a natureza metastática agressiva do GIST a idéia seria atacar as células cancerígenas, numa tentativa de inibir ou retardar o seu desenvolvimento.
 
A Dra. Renata Sobral, da Clinica OncoCane, oncologista que acompanha a Cléo, sugeriu como primeira opção um quimioterápico oral. E, como segunda opção, a quimioterapia comum, intravenosa, a ser feita na própria clinica.
 
Eu precisei de um tempo de reflexão para poder reunir e analisar todas as sugestões, indicações, informações e experiências que recebi. E, principalmente, ouvir o meu coração.  
 
Não era uma decisão fácil. A primeira opção, do quimioterápico oral, poderia ter efeitos colaterais mais leves, mas acarretaria num custo mensal bastante significativo, que talvez eu não conseguisse manter, além da incerteza de se conseguir a medicação com a frequência necessária, pois trata-se de um medicamento importado que dificilmente se encontra no mercado brasileiro. As condições financeiras não me permitiram optar por este tratamento. E quanto às sessões de quimioterapia tradicional, ainda que não tenha efeitos colaterais tão agressivos em animais como são nos humanos, existe o risco.

 
Eu tinha que levar em consideração a idade dela e outros problemas que afetam a sua saúde, além do câncer - como a displasia coxofemural, por exemplo. E, mais que isso, eu tinha que pensar, principalmente, na vida que ela merece viver. A Cléo sempre foi uma cachorrinha ativa, alegre, aventureira. Sempre amou brincar, correr, nadar, estar em meio a natureza... E um dos principais efeitos colaterais da quimioterapia, que mais me chamou a atenção, foi a possibilidade da queda de imunidade. Como falei no texto acima, a quimioterapia pode afetar a produção de glóbulos brancos, deixando o animal mais susceptível a infecções oportunistas.
 
Com o sistema de defesa frágil, ela ficaria exposta a adquirir doenças transmitidas por agentes infeciosos, como bactérias, fungos, parasitas e vírus. Verminoses, pulgas e carrapatos, por exemplo, são agentes infecciosos que deixam o organismo dos animais em desequilíbrio. Assim como também a baixa umidade de ar, ambientes com muita corrente de ar, contato com produtos químicos que causam alergias e até mesmo o estresse, poderiam afetar a minha filhota.

 
Ela teria que viver cercada de cuidados, ainda maiores do que os que já temos. Seus passeios seriam consideravelmente reduzidos; não poderia ficar muito tempo exposta ao sol ou ao vento; nadar poderia implicar num resfriado ou mesmo pneumonia; uma picada de pulga ou carrapato poderia ter resultados graves; as brincadeiras com outros cães e até mesmo com sua irmãzinha, a Alegria, seriam arriscadas porque qualquer arranhão ou mordidinha um pouco mais forte poderia infeccionar.

 
Definitivamente eu não a via feliz neste cenário. E eu também me via meio em pânico com essa possível rotina de proteção e zelo grau máximo.

 
Mas, e aí?! Se nós não seguiríamos os tratamentos recomendados pela oncologista, o que faríamos? Deixaríamos a doença a vontade? Sim, porque ela estava ali… independente do qual seria o nosso próximo passo.

 
Uma decisão muito difícil. Uma escolha cruel. Uma mãe (sim, porque, no final das contas, é o que eu sou dela, de certa forma) nunca deveria passar por isso... Ter que escolher entre batalhar para salvar a sua filhota ou  não mexer em algo que pode ficar pior... Confiar que tudo vai ficar bem...

 
Pois bem, depois de muito refletir, decidi que não seguiremos nenhuma das opções de tratamentos quimioterápicos mencionadas. Devo confessar que essa foi uma das decisões mais difíceis da minha vida. Mas o meu coração me disse para não submetê-la a nada que, por um instante ou por 1% de chance que seja, possa tirar o brilho do seu olhar. É isso!!!
 
Que fique claro que eu não sou contra o tratamento quimioterápico e muito menos julgo ou (menos ainda) condeno quem escolhe esta opção. Há vários casos de pacientes oncológicos – humanos ou caninos – que já foram beneficiados pela quimioterapia. Mas tem que ser uma decisão muito bem ponderada e tomada com muito bom-senso, pensando, principalmente, no que será melhor para o paciente. Talvez, se a Cléo fosse mais nova e não tivesse outras complicações de saúde que tiveram que ser levadas em consideração, eu optasse por tentar a quimio. Quando ela foi diagnosticada com displasia, eu tentei de tudo um pouco – transplante de células-tronco, implante de ouro, acupuntura, ozônioterapia, etc. Eu digo que só não plantei bananeira na Av. Paulista porque ninguém me disse que isso poderia ajudá-la. Mas ela tinha 6 aninhos, era outro cenário, outra situação. Agora, ela já tem seus 9 anos de idade, seus problemas articulares não se limitam somente ao quadril, as complicações poderiam ser pesadas caso ela viesse a sofrer com os efeitos colaterais da quimio, enfim... Nesse momento, para ELA, a melhor opção é abrir mão do recurso.
 
Eu farei sim, tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que ela viva, o tempo que tiver que viver, com qualidade, bem-estar, alegria e o seu brilho no olhar.

 
O seu tratamento será voltado a evitar qualquer sofrimento e oferecer-lhe uma ótima qualidade de vida, mesmo convivendo com a doença. E isso será proporcionado com uma super dieta baseada numa alimentação especialmente balanceada e com o foco na estimulação do seu sistema imunológico; com terapias alternativas e paliativas que proporcionarão conforto e alivio de qualquer dor ou incômodo que possa surgir; e com um protocolo controle frequente através de exames que nos permitam detectar, o quanto antes, o surgimento de novos tumores, se eles surgirem; um suporte espiritual poderoso, com muita fé e vibração de boas energias... e muito, MUITO AMOR, meu e da sua irmãzinha.
 
Nós estaremos orientadas, supervisionadas e acompanhadas por uma SUPER equipe de profissionais de diversas especialidades que estão se unindo ao nosso redor: Dra. Renata Sobral (Médica Veterinária Oncologista da Clinica OncoCane), Dra. Ana Carolina Rubio (Médica veterinária e nutróloga da Pet´s Mash Alimentação Natural), Dra. Natália De Mathis (Médica Veterinária e Acupunturista da Ma Vie Reabilitação Animal), Dr. Gabriel Seabra (Médico Veterinário Clínico do Centro de Saúde Animal Zoovet) e Themis Regina Kogitzki (Instrutora e especialista em Massoterapia Canina da Anima Therapy). E, claro, uma torcida imensa de amigos, fãs e familiares que vivem nos enviando manifestações de carinho e mostrando que essa luta é de todos nós.
 
Nos próximos posts, nós vamos falar de cada um dos tratamentos e terapias que atenderão a Cléo e mostrar seus efeitos, nosso dia-a-dia, o que funcionou, o que não funcionou...enfim, vamos compartilhar a nossa experiência com vocês. E, quem sabe assim, não podemos ajudar ouros animais que estejam passando pela mesma situação?
 
Só não podemos esquecer que cada plano de tratamento deve ser analisado e definido em conjunto entre o tutor e o veterinário de forma a oferecer o melhor para as necessidades de cada animal. O que não funcionaria para a Cléo, pode funcionar para o seu mascote. E o que funciona para o seu mascote pode não ser o melhor para a minha Cléo. Seu veterinário deverá trabalhar acompanhando a segurança e a eficácia do plano escolhido.

 
Cada escolha é individual. E é isso o que a minha filhota escolheria, se tivesse consciência do que se passa. É isso que ela merece. A certeza de que tudo fiz, faço e farei, pensando sempre no melhor para ELA. E vamos passar por mais essa experiência JUNTAS!
 

Larissa Rios

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