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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

CÂNCER DE MAMA CANINO


Cléo, mascote T4P (Foto Ike Levy)

Outubro é o mês oficial para as campanhas de prevenção do câncer de mama. No mundo inteiro, jornais, revistas, sites e televisão veiculam mensagens e matérias que falam sobre este tipo de câncer, suas origens, como diagnosticar, como tratar e, principalmente, como prevenir e detectar.

E a doença não afeta somente os humanos. Nossos animais também podem ser acometidos pelos tumores mamários.

Na verdade, o tumor de mama é o mais comum em cadelas. Hoje, esse tipo de neoplasia representa cerca de 25 a 50% de todos os tumores diagnosticados nas fêmeas caninas.

Independente da raça, as fêmeas com idade acima dos 10 anos e que não sejam castradas, são as mais atingidas.

Os principais fatores de risco são: a estimulação estrogênica,  emprego de contraceptivos, alimentação rica em gordura.

Dentre as formas de prevenção dos tumores de mama, a principal delas é a castração.  E quanto antes, mais chances de protegê-las. A castração da fêmea antes do primeiro cio reduz a apenas 0,05% a probabilidade de vir a desenvolver a neoplasia mamária. Após o primeiro cio, essa probabilidade já sobre para 8% de chance de desenvolver neoplasia de mama. E quando a cadela já passou do segundo cio já são 26% probabilidade. Ou seja, o risco do câncer nas fêmeas aumenta a cada cio sem a castração. E tudo isso deve-se ao fato de que a castração reduz a produção de hormônios (progesterona e estrogênio), reduzindo a possibilidade do crescimento de células anormais.

Não fazer a utilização de anticoncepcionais e utilizar dietas balanceadas também estão entre as dicas para prevenção.

E é extremamente importante que as visitas periódicas ao medico veterinário façam para da rotina do animal.

Em casa, você também pode detectar qualquer alteração na sua mascote. Aproveite as brincadeiras e afagos para fazer um exame manual, manuseando a pelagem e a pele dela, acariciando minuciosamente para sentir qualquer anomalia, nódulo ou deformação existente.  E, no caso de identificar algo, por menor que seja, não hesite em consultar um veterinário para avaliação profissional.

Segundo os médicos veterinários, o maior dos problemas é justamente a negligência dos proprietários que só levam os animais ao consultório quando o tumor já cresceu bastante e as chances de cura diminuem.

A neoplasia mamária, na maioria das vezes, não causa dor, não dá febre e o animal não reclama. É uma doença silenciosa que exige a sua atenção.

Cuide-se e cuide dela também!!!  A sua cãopanheira agradece!


sábado, 11 de junho de 2016

Câncer Canino: Dieta Especial


Humm comida!!!
Eu sempre fui bem resistente à ideia da alimentação natural. “Ah, eu mal cozinho pra mim, vou cozinhar para os cachorros?!”; “Dá muito trabalho”; “Não tenho espaço na geladeira pra armazenar comida para duas Goldens Retrievers”; “Custa mais do que a ração”; “Eu viajo muito – com e sem elas--, como vou fazer para dar comida durante a viagem ou deixar no hotelzinho?!”.
Enfim, muitas eram as justificativas que eu apresentava para mim mesma e para todos que me questionavam qual a alimentação das minhas meninas e porque eu não dava AN para elas.

Aos poucos, fui ficando cada vez mais rodeada de tutores que decidiram mudar a alimentação dos seus mascotes e foram abandonando a ração. E eu ia ouvindo os seus relatos sobre as melhoras apresentadas em um curto espaço de tempo. De controle de peso a problemas de pele, passando por outros diagnósticos que foram aparecendo.

Ok. Senti uma pitadinha de curiosidade. Porque não experimentar?!

No mínimo, as meninas vão se lambuzar e agradecer pelo agradinho ao paladar.

Então, comecei a introduzir a AN na dieta delas, aos pouquinhos... uma das refeições diárias, pelo menos (elas comem 3 vezes ao dia). Pesquisei bastante a respeito, li muitos sites especializados e conversei com outros tutores que já haviam ingressado nessa tendência. Porque, se era para fazer, que fosse bem feito.

E, de fato, elas amaram! E eu, confesso, senti uma satisfação imensa de ver o prazer com que elas comiam.

Meninas à espera do jantar

 

Menu preparado em casa

Mas, ainda assim, não foi o suficiente para me manter na rotina de chef canina... Com o passar dos dias, a correria de ir atrás de ingredientes, dedicar horas no fogão, armazenar tudo no meu pequeno congelador... ufa. Desestimulei e voltei pra ração.  
Até que veio o chacoalhão do diagnóstico de câncer da Cléo. Era preciso fazer algo para ajudá-la. E eu estava disposta a tudo!  

Para quem não acompanhou desde o começo, nós já falamos aqui sobre o que é o Câncer, como ele atinge nossos mascotes, como prevenir, como diagnosticar, quais os sentimentos que tomam conta de nós quando recebemos a notícia, etc. Podem ler ou reler tudo isso nos posts Câncer Canino: Juntos podemos vencer esse bicho papão”, “Câncer Canino: Diagnóstico” e “Câncer Canino: Tratamento, uma batalha em equipe

Bom, diante da decisão de não a submetê-la a quimioterapia, eu assumi o compromisso de proporcioná-la a melhor qualidade de vida possível. E uma das formas de conseguir isso, seria através da alimentação. Sim, a alimentação não somente faria parte do protocolo de tratamento definido por mim e pelos profissionais que acompanham a Cléo, como seria o alicerce de tudo.




RAÇÃO X ALIMENTAÇÃO NATURAL

É verdade que alimentar o pet com ração seca é bem mais prático. Mas isso está bem distante da dieta ancestral canina e felina: naturalmente úmida variada, pobre em carboidratos e predominantemente carnívora. Na natureza, predadores consomem uma ampla variedade de espécies de presas, além de ovos, gramíneas, tubérculos e frutas.
Por maior que seja a qualidade anunciada da ração, ainda assim é um alimento industrializado, processado. Se formos pesquisar a fundo o impacto que a comida processada tem no nosso organismo, ficaríamos chocados. Imagine, então, no organismo dos nossos animais. É uma oportunidade para nos questionarmos: porque o meu cachorro come ração e não come carne, legumes e grãos, como eu?
Se dermos uma olhadinha com atenção no rótulo das rações, vamos encontrar uma grande quantidade de vitaminas, aminoácidos (derivados protéicos) e de sais minerais como ferro, zinco, fósforo entre outros que são adicionados ao alimento.
Por que de tanto complemento nesse alimento?!
Simplesmente porque a indústria de rações utiliza ingredientes de baixo custo e, consequentemente, de baixa qualidade. Isso faz com que se torne necessária a adição de uma quantidade quase infindável de compostos quimicos.

Outra questão, no mínimo curiosa, é a durabilidade. Como é possível fazer com que uma ração dure um ano ou mais? Isso só é possível devido à utilização de grandes quantidades de conservantes (BHT e BHA), que hoje são considerados vilões na alimentação humana e inclusive vêm sendo estudados como possíveis responsáveis por diversas alterações celulares (câncer).
Aditivos sintéticos, como corantes, responsáveis por dar as cores dos grãos de ração, representam as PRINCIPAIS causas de alergias em humanos e animais.
E, por último, os palatabilizantes sintéticos, conservantes e outros componenentes químicos e elementos transgênicos.
E por estas e outras razões, que a indústria de rações vem perdendo um espaço considerável para a alimentação natural nos países europeus e norte-americanos (na Califórnia, EUA, ela já é aplicada desde os anos 70). E a coisa já começou a mudar aqui no Brasil também.
Afinal, se “nós somos o que comemos”, com nossos pets não deveria ser diferente. Os nutricionistas humanos vivem nos alertando e educando a preferir comida fresca, variada e preparada em casa, certo? Com nossos cães deveríamos agir da mesma maneira.

A dieta natural agrada, de cara, aos bichos através da variedade e do cheiro. A felicidade deles é notória ao se depararem com um belo e suculento prato de comida. Aliás, a umidade deste tipo de alimentação é um dos fatores diferenciais, já que representa 70%. Isso garante aos nossos pets, o principal nutriente para o corpo: a água. 

A comida natural também fortalece o sistema imunológico dos cães e gatos e já foi em muitos casos, a cura de algumas doenças nos animais que não conseguiam reagir a elas antes quando comendo somente ração. Como, por exemplo, alergias. O pelo do animal também fica mais bonito e brilhoso e cai menos. As fezes diminuem de volume, melhoram a textura e reduzem consideravelmente os odores. 

Estudos já comprovaram que, ao serem alimentados com uma dieta natural equilibrada, os cães ficam mais fortes e mais bem nutridos e vivem muito mais.


Veja esse vídeo do Rodney Habib, um famoso blogueiro canadense, especialista em nutrição animal, e saiba como a alimentação natural pode aumentar a longevidade e a saúde do seu animal, dentre outros benefícios:


Na verdade, os benefícios de uma alimentação natural são tantos, que fica até difícil de listá-los em um único artigo. Então, vamos focar na razão principal que me levou a adotar essa mudança na vida da Cléo.




CÂNCER X DIETA

As estatísticas atuais são assustadoras: hoje, 1 em cada 2 cães possui câncer. Pois é, essa é a doença que mais atinge nossos mascotes atualmente. E apenas 10% dos casos de câncer têm origem genética. Os restantes 90% são resultado do estilo de vida que proporcionamos aos nossos animais e de fatores externos como: estresse, obesidade, infecções, vida sedentária, poluição e toxinas e – a maior fatia – ALIMENTAÇÃO. 

Segundo estudos, cerca de 30 a 40% de todos os tipos de câncer podem ser prevenidos se adotarmos uma simples alteração na dieta dos nossos animais. (Canine Nutrigenomics)

Pois é, assim como você, o seu cachorro também é o que ele come.

Um dos maiores problemas de animais com câncer é a caquexia ou perda involuntária e progressiva de peso. Esta acentuada perda de peso, devida a alterações metabólicas da doença ou do tratamento, diminui a qualidade de vida do animal, diminui a resposta ao tratamento da doença e diminui o tempo de sobrevida do animal. Por isso, a alteração da dieta para uma alimentação natural pode também ajudar a estimular o apetite do mascote.

Além disso, instituir um plano nutricional adequado a cada enfermo e enfermidade amplia as nossas possibilidades terapêuticas, melhora os prognósticos e a sobrevida dos pacientes. 

A utilização de alimentos que apresentam componentes com propriedades e efeitos medicamentosos sobre o organismo (chamados nutracêuticos, alicamentos ou alimentos funcionais), colaboram na prevenção e no tratamento de enfermidades. A aplicação deste tipo de alimento na dieta diária do pet com câncer é citada por diversos veterinários holísticos em todo o mundo como um fator imprescindível na redução de alguns tumores, no impedimento da disseminação de outros, na desintoxicação relacionada a fatores carcinogênicos e na prevenção de outros mais. Tais alimentos também compensam desequilíbrios e desajustes alimentares através de componentes biologicamente ativos como leucotrienes, polifenóis, licopenos, antioxidantes, carotenóides e etc, além de agirem diretamente sobre a dinâmica da célula cancerígena.

Um aporte constante de alimentos ricos em compostos anticancerígenos é uma arma indispensável para combater e/ou impedir o desenvolvimento do Câncer. Assim como evitar alimentos que possam vir a nutrir as células cancerígenas também é muito importante. 

Pesquisas científicas em câncer desde a década de 90 vem demonstrando que uma nutrição baseada em baixa porcentagem de carboidratos, alta proteína e gordura de boa qualidade são as mais indicadas, pois favorecem o metabolismo do doente e não o da célula tumoral. 
Carboidratos: o vilão da dieta anticancerígena
Numa dieta anticancerígena, um dos maiores vilões é o carboidrato, pois é do açúcar proveniente destes nutrientes que as células tumorais se alimentam. A glicose constitui o principal substrato energético do tecido neoplásico em crescimento. Portanto, a estratégia de uma dieta anticancerígena consiste em forçar o tumor a utilizar outros substratos para contribuir na redução da proliferação celular. Os carboidratos mais indicados no caso do câncer são os que contêm menos açúcares ou baixos valores glicêmicos como brócolis, couve flor, couve de Bruxelas, vagens, repolhos, abobrinhas e batata yacon. Devem-se evitar batatas, batatas doces, mandiocas, abóboras e cenouras.
Apenas 20% do volume total de cada refeição ou menos, no caso dos portadores de câncer, deve estar constituído de carboidratos. 

Boas fontes de proteína animal devem ser utilizadas, como carnes e vísceras de bovinos, ovinos, suínos, aves, peixes e ovos. Alguns destes alimentos (carnes e peixes) contêm duas substâncias importantes numa dieta anticancerígena: a arginina, que, em alguns trabalhos científicos tem aparecido com efeito de retardar a progressão de tumores; e a glutamina, que também poderia ter efeitos supressores na carcinogênese e apresenta um intenso efeito imunoestimulante, indutor de uma maior imunomodulação em todo o organismo, a qual reduziria as taxas de crescimento do tumor e das metástases (Souba, 1993; Kaufmann et al.,2003). 

 Já a utilização de laticínios e seus subprodutos é contra indicada por muitos autores, em indivíduos portadores de câncer.

Diferentes compostos bioquímicos nos alimentos exercem diferentes ações sobre as células cancerígenas e os processos cancerosos:

 
Verduras crucíferas: bloqueio da ação de substâncias cancerígenas

Bloqueio da ação de substâncias cancerígenas: brócolis, repolho, alho, Ômega 3 (atum branco, sardinha, salmão, cavala pequena ou óleo de peixe e óleo de linhaça ou borragem), morango, legumes crucíferos (couve, couve de bruxelas, couve flor, couve chinesa, brócolis)

No bloqueio da promoção do desenvolvimento da célula cancerosa: cúrcuma ou açafrão-da-terra, chá verde, soja, tomate, legumes crucíferos (uvas somente para humanos!)
Frutas Vermelhas: Bloqueio da progressão da célula cancerosa
No bloqueio da progressão da célula cancerosa: mirtilo, morango, Ômega 3, cítricos, morango, frutas vermelhas, alho, alho, alecrim, tomilho, orégano, manjericão, hortelã.

Redução da angiogênese (formação de vasos sanguíneos que nutrem os tumores e facilitam as metástases): cúrcuma, gengibre, chá verde, legumes crucíferos, salsa, aipo, frutas vermelhas (morango, mirtillo, amora, framboesa)

Induz apoptose (morte celular programada) de células cancerosas: chá verde, cúrcuma, legumes crucíferos, alho, alecrim, tomilho, orégano, manjericão, hortelã; salsa, aipo, algas, frutas vermelhas (morango, mirtillo, amora, framboesa)

Nutracêuticos: agem no controle da imunidade e das inflamações
Aumentam imunidade: os cogumelos, Shiitake, Maitake, Enokitake, Cremini, Portobello, Ganoderma, Cordiceps, Agaricus

Efeito anti-inflamatório: alecrim, cúrcuma, salsa, aipo, cítricos (laranja, limão, tangerina, grapefruit ou pomelo), romã

 Fontes: Sites Cachorro Verde, Bicho Integral e Pet´s Mash

E já que eu acabei me convencendo, por todas as informações acima e mais algumas que, se eu for expor aqui esse post vai acabar virando um livro, de que a alimentação natural é mesmo a melhor opção para a saúde dos nossos animais, optei pela mudança não somente na vida da Cléo, como também da Alegria.

Mas, ATENÇÃO, para dois pontos importantes: 

1)   Toda e qualquer alteração alimentar deve ser feita gradualmente, principalmente em animais com doenças debilitantes.  
2)   Alimentação natural NÃO É RESTO DE COMIDA e nem o compartilhamento da sua dieta com o seu mascote!!

Cléo e Alegria na primeira consulta com a Dra Ana Carolina Rúbio

Antes de partir para a mudança, consulte um médico veterinário especializado que irá te orientar a oferecer uma dieta balanceada e equilibrada, baseada em ingredientes frescos e naturais, preferencialmente orgânicos, especialmente preparados para o consumo canino. E, mais que isso, especialmente elaborada para o seu animal, como indivíduo. Aqui em casa, por exemplo, a comida da Cléo é diferente da comida da Alegria, tanto em quantidade, quanto em nutrientes e suplementos. A dieta da Cléo é anticancerígena, para um animal idoso, com problemas articulares, que precisa de um controle de peso rígido. A da Alegria é para um animal jovem, esportista, cheio de energia e em crescimento.

Para quem não quer ou não pode preparar a comida em sua própria casa, hoje já existem diversas opções de empresas que oferecem no mercado um amplo leque de produtos que vão desde refeições desidratadas, passando por enlatadas e chegando às congeladas. Algumas disponibilizam receitas já prontas, para cães que não possuem nenhum problema de saúde ou restrição alimentar. Outras elaboram as dietas personalizadas, elaboradas por um veterinário nutrólogo. Num próximo post, falarei sobre as empresas de alimentação natural que já conhecemos, quais as vantagens de cada uma, quais os sites de referência sobre o assunto e, claro, contaremos como estamos nos organizando em relação às viagens, com a nova dieta.
Dieta personalizada: para as necessidades de cada cão
Conheci, na época, a empresa Pet´s Mash – Alimento natural para Cães, criada por médicos veterinários nutrólogos que oferecem um acompanhamento nutricional personalizado para atender às necessidades do seu pet. A Dra. Ana Carolina Rúbio (Veterinária nutróloga), em nossa primeira consulta, já me esclareceu tudinho sobre o que a minha filhota, Cléo, deveria ingerir para que pudéssemos manter as células cancerígenas sob controle e o que seria abolido do seu cardápio, dali por diante. E assim iniciamos a base do nosso protocolo de tratamento do câncer.

Se a alimentação natural é mais difícil de manter? Pode ser. Se o custo é mais alto do que a ração? Depende do tipo de alimentação que se for optar, dos fornecedores que escolher e do tipo de ração que fazia uso. Se dá trabalho para armazenar? Um pouco, se considerarmos que tenho duas cachorras de porte grande. Mas, considerando o que eu já gastei, em tempo, dedicação e dinheiro, para exames, cirurgia, medicações, terapias e todos os outros cuidados que a doença da Cléo tem me demandando, se eu fosse colocar tudo isso na ponta do lápis, a conta não fecharia. Se eu tivesse aberto a cabeça para esse assunto antes, com certeza já teria mudado de conduta e optado pela alimentação natural desde quando ela ainda era filhotinha. Talvez não tivesse evitado a doença, talvez sim. Mas eu estaria com uma sensação um pouco maior de “fiz a minha parte”.

Uma amiga querida, e adepta da alimentação natural para seus filhotes (com a qual eu tiro muitas dúvidas, inclusive), me disse uma coisa importante: “Cada pessoa tem o seu tempo de absorver informações novas. Você levou o seu tempo. O importante é que nunca é tarde e você fez o “seu melhor” diante do seu conhecimento e continua fazendo isso”.

Talvez, o mais importante na hora de decidirmos qual o tipo de alimentação vamos oferecer aos nossos cães, seja pensarmos com carinho se estamos de fato fazendo tudo aquilo que podemos por eles. E isso, certamente depende de muitos fatores. A resposta para essa questão não é, e nem pode ser a mesma para todos os proprietários. Mas foi a minha resposta para a Cléo. E pude mudar a história com a Alegria, que praticamente acabou de chegar.

Larissa Rios

quinta-feira, 31 de março de 2016

Câncer Canino: Tratamento, uma batalha em equipe


JUNTAS, para mais uma batalha
 
Muitos de vocês, que nos acompanham aqui no Blog ou pelas redes sociais, sabem que no inicio deste ano a Cléo foi diagnosticada com Câncer. A partir daí, passamos a compartilhar o passo a passo que estamos seguindo desde a cirurgia de retirada do tumor primário (encontrado no intestino). Falamos sobre o que é o Câncer, como ele atinge nossos mascotes, como prevenir, como diagnosticar, quais os sentimentos que tomam conta de nós quando recebemos a notícia, etc. Podem ler ou reler tudo isso nos posts “Câncer Canino: Juntos podemos vencer esse bicho papão” e “Câncer Canino: Diagnóstico”.

E vamos seguir com a nossa série de matérias relacionadas ao assunto. Pois a nossa intenção é, além de dividir com vocês as nossas angústias, nossos medos, nossas vitórias e nossas descobertas, compartilhar informações relevantes e que contribuam para que possamos salvar cada vez mais vidas. Mais que isso, queremos aprender como lidar com essa doença e como proporcionar a melhor qualidade de vida a um cão oncológico. E, claro, mostrar esse aprendizado para vocês.

Pois bem, acompanhando a linha cronológica dos posts, já que retiramos o tumor primário da Cléo, descobrimos qual o tipo específico de câncer que ela tem, sabemos a forma de atuação deste tipo de células e quais os riscos da doença, agora chegou a hora de decidir qual caminho seguiremos.

O câncer – seja em humanos ou em animais - é uma doença muito difícil de controlar. Mas, se o diagnóstico é feito em fase inicial e o tratamento for realizado da maneira correta, as chances de uma vida com qualidade ou até mesmo a cura são significativas.

O tratamento é escolhido de acordo com o tamanho da lesão e sua extensão. Normalmente, em oncologia veterinária, o tratamento da doença baseia-se na cirurgia, quimioterapia e radioterapia, que podem ser usadas unicamente ou em combinação entre si e/ou com outros tratamentos e terapias.

A cirurgia é particularmente importante no tratamento dos tumores sólidos (aqueles que formam nódulos e massas) e, é recomendável que o cirurgião seja um profissional habilitado (cirurgia oncologista)  para realização das técnicas de exérese (extirpação) e reparação (plástica) do paciente.

A quimioterapia é a terapia de eleição para os tumores hematopoiéticos (linfomas, leucemias, mielomas) e também para os tumores venéreos transmissíveis em cães (TVT). E costuma ser o “carro-chefe” no tratamento complementar à cirurgia para os tumores com potencial de disseminação metastática (se espalham por outras partes do corpo).

Alguns pacientes com cânceres avançados (sem possibilidade de cura ou com doença metastática) também podem ser beneficiados com quimioterapia (exemplos: carcinoma mamário inflamatório, linfoma recorrente). A radioterapia, embora não muito utilizada no Brasil, pode ser particularmente útil em casos de remoção incompleta do tumor ou como terapia paliativa em casos em que a cirurgia não é possível.

Algumas opções de protocolo de tratamento do câncer incluem ainda: terapia imune (promove a estimulação do sistema imunológico, por meio do uso de substâncias modificadoras da resposta biológica), terapias paliativas (indicadas para os casos sem possibilidade de cura, apenas para contenção do crescimento do tumor, visando melhor qualidade de vida através da prevenção e alivio do sofrimento imposto pela doença) e manejo da dor (prevê a dor e administra medicações e/ou terapias, garantindo assim o máximo conforto para o animal).

No caso específico da Cléo, para o GIST (Sarcoma Estromal Intestinal), a cirurgia costuma ser o tratamento de escolha, especialmente para tumores únicos que ainda não apresentam metástases. E foi o que fizemos.  Imediatamente após a descoberta do tumor, a Cléo foi operada pelo Dr. Gabriel Seabra, do Centro de Saúde Animal ZOOVET. Após a cirurgia, a terapia com agentes de alvo molecular (quimioterapia) é a opção mais utilizada para os GISTs metastáticos, enquanto a radioterapia é muito pouco empregada neste tipo de câncer.

 
Quimioterapia

QUIMIOTERAPIA

A quimioterapia é o tratamento medicamentoso destinado a eliminar ou retardar o crescimento do câncer.

Normalmente é o procedimento sugerido para tratar os casos malignos e com tendência a metástases.  Também é usada para tratar formas em que o câncer não pode ser tratado com cirurgia ou radioterapia, ou, em combinação, quando houver a possibilidade de aumentar a eficácia destes tratamentos.

O objetivo da quimioterapia é de tentar controlar ou até mesmo acabar com o câncer, prolongando a sobrevida e ajudando a melhorar a qualidade de vida do paciente oncológico.

 Os quimioterápicos animais são medicamentos derivados de substâncias naturais, como plantas, ou até mesmo de bactérias, sendo muitas vezes as mesmas drogas utilizadas em humanos. Eles agem nas diferentes fases do ciclo celular, danificando as células cancerígenas que se multiplicam rapidamente. A maioria dos quimioterápicos afeta o DNA celular diminuindo a habilidade destas células de se multiplicarem e leva à morte celular. 

Algumas vezes o tratamento pode não resultar na cura da doença, mas pode conseguir controlar e retardar a progressão.

O tratamento quimioterápico é escolhido individualmente de acordo com cada caso, levando em consideração o tipo de tumor e sua biologia molecular (genética e comportamento celular) e o paciente que vai ser tratado. O protocolo pode variar de algumas semanas a meses e a frequência pode ser diária, semanal ou mensal.
 
Oral e Injetável
 
Existem várias formas de apresentação dos quimioterápicos utilizados na oncologia veterinária. Algumas drogas devem ser administradas por via intravenosa (na veia, sempre administrados por um profissional veterinário), outras podem ser administradas em baixo da pele ou no músculo, ou ainda por via oral (neste caso, pelo tutor do animal). Em alguns casos, o medicamento pode ser injetado diretamente dentro do tumor.

Para alguns tipos de câncer, é o tratamento mais eficaz oferecendo a melhor oportunidade para atingir remissão (quando o câncer é indetectável) enquanto preserva uma boa qualidade de vida. Um bom exemplo deste tipo de câncer é o linfoma, em que dependendo do tipo celular (B ou T) pode conseguir remissão em 90% dos casos.

A quimioterapia também é recomendada após remoção cirúrgica de um câncer maligno, para prevenir a recorrência local e impedir que este se espalhe (metástases) ou mesmo usada antes da remoção cirúrgica para diminuir o tamanho do tumor e facilitar sua ressecção.

Pode ser utilizada, ainda, em pacientes em que não é possível a remoção cirúrgica ou em casos que já sofreram metástases. Nestes casos o objetivo do tratamento não é a cura, mas melhorar a qualidade de vida do paciente (voltam a comer, caminhar e brincar).

O tratamento quimioterápico do câncer em animais compara-se com a medicina humana. Os riscos associados à quimioterapia variam de acordo com o protocolo utilizado. Os quimioterápicos não são específicos às células cancerígenas e podem afetar outras células normais do corpo que também estão em rápida multiplicação.

O que se diz em relação aos efeitos colaterais, é que cães e gatos geralmente toleram a quimioterapia muito melhor do que os pacientes humanos. Perda de pêlo é rara em pequenos animais, sendo mais comum no poodle, yorkshire, schnauzer e shitzu e os gatos podem perder os bigodes. O pêlo volta a crescer após o tratamento. Os efeitos mais comuns são vômito, diarréia, náusea, perda de apetite e toxidez à medula óssea (afetando a produção de glóbulos brancos e deixando o animal mais susceptível à infecção).

É esperado pelo menos um destes sintomas durante o tratamento. Mas é importante salientar que cada animal reage de uma maneira individual ao tratamento quimioterápico, sendo possível ter uma reação inesperada a um agente ou nenhuma reação a todo o tratamento.

Retornos periódicos para reavaliação (feitos a cada dois meses inicialmente, e a cada 6 meses posteriormente) são muito importantes para detectar o reaparecimento do câncer, antes que esteja em estágio avançado.  Mas podem ser feitos em intervalos menores de tempo, caso o tipo de câncer seja agressivo e de rápido crescimento. 

As opções de tratamento e as chances de sucesso são maiores quando a doença está em estágio inicial.

 

 
Então, para a Cléo, após a retirada do tumor, a indicação de tratamento complementar foi a quimioterapia. Com a natureza metastática agressiva do GIST a idéia seria atacar as células cancerígenas, numa tentativa de inibir ou retardar o seu desenvolvimento.
 
A Dra. Renata Sobral, da Clinica OncoCane, oncologista que acompanha a Cléo, sugeriu como primeira opção um quimioterápico oral. E, como segunda opção, a quimioterapia comum, intravenosa, a ser feita na própria clinica.
 
Eu precisei de um tempo de reflexão para poder reunir e analisar todas as sugestões, indicações, informações e experiências que recebi. E, principalmente, ouvir o meu coração.  
 
Não era uma decisão fácil. A primeira opção, do quimioterápico oral, poderia ter efeitos colaterais mais leves, mas acarretaria num custo mensal bastante significativo, que talvez eu não conseguisse manter, além da incerteza de se conseguir a medicação com a frequência necessária, pois trata-se de um medicamento importado que dificilmente se encontra no mercado brasileiro. As condições financeiras não me permitiram optar por este tratamento. E quanto às sessões de quimioterapia tradicional, ainda que não tenha efeitos colaterais tão agressivos em animais como são nos humanos, existe o risco.

 
Eu tinha que levar em consideração a idade dela e outros problemas que afetam a sua saúde, além do câncer - como a displasia coxofemural, por exemplo. E, mais que isso, eu tinha que pensar, principalmente, na vida que ela merece viver. A Cléo sempre foi uma cachorrinha ativa, alegre, aventureira. Sempre amou brincar, correr, nadar, estar em meio a natureza... E um dos principais efeitos colaterais da quimioterapia, que mais me chamou a atenção, foi a possibilidade da queda de imunidade. Como falei no texto acima, a quimioterapia pode afetar a produção de glóbulos brancos, deixando o animal mais susceptível a infecções oportunistas.
 
Com o sistema de defesa frágil, ela ficaria exposta a adquirir doenças transmitidas por agentes infeciosos, como bactérias, fungos, parasitas e vírus. Verminoses, pulgas e carrapatos, por exemplo, são agentes infecciosos que deixam o organismo dos animais em desequilíbrio. Assim como também a baixa umidade de ar, ambientes com muita corrente de ar, contato com produtos químicos que causam alergias e até mesmo o estresse, poderiam afetar a minha filhota.

 
Ela teria que viver cercada de cuidados, ainda maiores do que os que já temos. Seus passeios seriam consideravelmente reduzidos; não poderia ficar muito tempo exposta ao sol ou ao vento; nadar poderia implicar num resfriado ou mesmo pneumonia; uma picada de pulga ou carrapato poderia ter resultados graves; as brincadeiras com outros cães e até mesmo com sua irmãzinha, a Alegria, seriam arriscadas porque qualquer arranhão ou mordidinha um pouco mais forte poderia infeccionar.

 
Definitivamente eu não a via feliz neste cenário. E eu também me via meio em pânico com essa possível rotina de proteção e zelo grau máximo.

 
Mas, e aí?! Se nós não seguiríamos os tratamentos recomendados pela oncologista, o que faríamos? Deixaríamos a doença a vontade? Sim, porque ela estava ali… independente do qual seria o nosso próximo passo.

 
Uma decisão muito difícil. Uma escolha cruel. Uma mãe (sim, porque, no final das contas, é o que eu sou dela, de certa forma) nunca deveria passar por isso... Ter que escolher entre batalhar para salvar a sua filhota ou  não mexer em algo que pode ficar pior... Confiar que tudo vai ficar bem...

 
Pois bem, depois de muito refletir, decidi que não seguiremos nenhuma das opções de tratamentos quimioterápicos mencionadas. Devo confessar que essa foi uma das decisões mais difíceis da minha vida. Mas o meu coração me disse para não submetê-la a nada que, por um instante ou por 1% de chance que seja, possa tirar o brilho do seu olhar. É isso!!!
 
Que fique claro que eu não sou contra o tratamento quimioterápico e muito menos julgo ou (menos ainda) condeno quem escolhe esta opção. Há vários casos de pacientes oncológicos – humanos ou caninos – que já foram beneficiados pela quimioterapia. Mas tem que ser uma decisão muito bem ponderada e tomada com muito bom-senso, pensando, principalmente, no que será melhor para o paciente. Talvez, se a Cléo fosse mais nova e não tivesse outras complicações de saúde que tiveram que ser levadas em consideração, eu optasse por tentar a quimio. Quando ela foi diagnosticada com displasia, eu tentei de tudo um pouco – transplante de células-tronco, implante de ouro, acupuntura, ozônioterapia, etc. Eu digo que só não plantei bananeira na Av. Paulista porque ninguém me disse que isso poderia ajudá-la. Mas ela tinha 6 aninhos, era outro cenário, outra situação. Agora, ela já tem seus 9 anos de idade, seus problemas articulares não se limitam somente ao quadril, as complicações poderiam ser pesadas caso ela viesse a sofrer com os efeitos colaterais da quimio, enfim... Nesse momento, para ELA, a melhor opção é abrir mão do recurso.
 
Eu farei sim, tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que ela viva, o tempo que tiver que viver, com qualidade, bem-estar, alegria e o seu brilho no olhar.

 
O seu tratamento será voltado a evitar qualquer sofrimento e oferecer-lhe uma ótima qualidade de vida, mesmo convivendo com a doença. E isso será proporcionado com uma super dieta baseada numa alimentação especialmente balanceada e com o foco na estimulação do seu sistema imunológico; com terapias alternativas e paliativas que proporcionarão conforto e alivio de qualquer dor ou incômodo que possa surgir; e com um protocolo controle frequente através de exames que nos permitam detectar, o quanto antes, o surgimento de novos tumores, se eles surgirem; um suporte espiritual poderoso, com muita fé e vibração de boas energias... e muito, MUITO AMOR, meu e da sua irmãzinha.
 
Nós estaremos orientadas, supervisionadas e acompanhadas por uma SUPER equipe de profissionais de diversas especialidades que estão se unindo ao nosso redor: Dra. Renata Sobral (Médica Veterinária Oncologista da Clinica OncoCane), Dra. Ana Carolina Rubio (Médica veterinária e nutróloga da Pet´s Mash Alimentação Natural), Dra. Natália De Mathis (Médica Veterinária e Acupunturista da Ma Vie Reabilitação Animal), Dr. Gabriel Seabra (Médico Veterinário Clínico do Centro de Saúde Animal Zoovet) e Themis Regina Kogitzki (Instrutora e especialista em Massoterapia Canina da Anima Therapy). E, claro, uma torcida imensa de amigos, fãs e familiares que vivem nos enviando manifestações de carinho e mostrando que essa luta é de todos nós.
 
Nos próximos posts, nós vamos falar de cada um dos tratamentos e terapias que atenderão a Cléo e mostrar seus efeitos, nosso dia-a-dia, o que funcionou, o que não funcionou...enfim, vamos compartilhar a nossa experiência com vocês. E, quem sabe assim, não podemos ajudar ouros animais que estejam passando pela mesma situação?
 
Só não podemos esquecer que cada plano de tratamento deve ser analisado e definido em conjunto entre o tutor e o veterinário de forma a oferecer o melhor para as necessidades de cada animal. O que não funcionaria para a Cléo, pode funcionar para o seu mascote. E o que funciona para o seu mascote pode não ser o melhor para a minha Cléo. Seu veterinário deverá trabalhar acompanhando a segurança e a eficácia do plano escolhido.

 
Cada escolha é individual. E é isso o que a minha filhota escolheria, se tivesse consciência do que se passa. É isso que ela merece. A certeza de que tudo fiz, faço e farei, pensando sempre no melhor para ELA. E vamos passar por mais essa experiência JUNTAS!
 

Larissa Rios

quinta-feira, 17 de março de 2016

Câncer Canino: Diagnostico


 
Como vocês já leram aqui em um post anterior, a Cléo, minha filhota e mascote da Turismo 4 Patas, foi diagnosticada com um tumor no intestino. Sim, um buraco se abriu aos meus pés quando recebi essa noticia. Um filminho, daqueles em que conseguimos assistir toda uma vida no mesmo segundo em que dura uma piscada, passou pela minha cabeça, relembrando todos os momentos que passamos juntas. E um medo gigantesco arrepiou a minha espinha.

Mas não durou muito ... Foi o tempo suficiente para eu puxar a cordinha do paraquedas enquanto caía naquele buraco que se abriu aos meus pés...  Enxuguei as lágrimas, recolhi os sentimentos de derrota, fraqueza e pessimismo que tentavam me dominar e tranquei dentro do baú do esquecimento.
Ainda que o câncer seja ameaçador (e é, muito!), não significa uma sentença! E cá estava eu, assimilando a minha primeira lição: o diagnóstico do câncer não determina o final da linha. Ele apenas dá a largada para uma sequência de batalhas. E como eu nunca fui de fugir de nenhuma guerra, parti para o ataque.
 
Nós poderíamos ter algo muito importante ao nosso favor: especialistas afirmam que, quanto mais rápido a doença for diagnosticada, maiores são as chances de cura, pois tudo depende do tipo de tumor e do quanto a doença está avançada. A Cléo havia feito uma Ultrassonografia  a cerca de 6 meses (quando apareceu o sangramento nas fezes) e o tumor não havia aparecido nas imagens. Portanto, era bem provável que ele não estivesse ali há muito tempo... a gente pode ter pego tudo bem no iniciozinho.
 
Mas, para sabermos qual era a real situação lá dentro e também obtermos outras respostas, precisávamos realizar uma cirurgia de extração do tumor.
 
Mal tive tempo para decidir, até porque não havia o que se pensar. Era preciso retirar aquele tumor do intestino da Cléo com urgência e começarmos a agir.
 
A cirurgia ocorreu no Centro de Saúde Animal Zoovet, onde a Cléo foi operada pelo Dr Gabriel Seabra, e durou 4 (intermináveis) horas. Eu quase surtei, ali sentada na recepção da clinica!! Na verdade, o que mais tomou tempo foi a sedação, já que a minha pequena guerreira deu algum trabalho para se entregar à anestesia. E também o fato de que a equipe médica teve todo o cuidado para que o tumor fosse retirado com boa margem de segurança e o intestino fosse o mais preservado possível. Deu tudo certo!!

Diante de todo o risco de uma cirurgia aos 9 anos de idade e de ser um procedimento bastante delicado e invasivo, minha filhota resistiu bravamente e 2 dias depois já estava em casa, serelepe e alegre. Uma recuperação extraordinária!

E agora, com o material em mãos, o passo seguinte seria o envio para as análises que nos dão o diagnóstico e a identificação do câncer.
 

COMO O CÂNCER É DIAGNOSTICADO

Exames de imagem e clínicos podem encontrar os tumores. Mas só a partir das análises laboratoriais das amostras coletadas destes tumores, é que podemos obter o diagnóstico específico.

Um diagnóstico de câncer é realizado através das analises das amostras de células ou de tecidos ao microscópio. Em alguns casos, testes laboratoriais como DNA e RNA, ajudarão a dizer se o câncer está (ou não) presente. Estes testes também podem ajudar na escolha das melhores opções de tratamento. Análises das células e tecidos podem evidenciar muitos outros tipos de doenças e não só o câncer. Por exemplo, se os médicos não tem certeza de que um nódulo é cancerígeno (nem todos os nódulos são câncer), eles podem processar a amostra para determinar se é câncer ou eventualmente outra enfermidade como uma infecção  ou outras alterações que podem causar o aparecimento de lesões parecidas com o câncer.

O primeiro processo que é realizado para este fim se denomina biópsia, e a amostra de tecido é chamada espécime de biópsia. O exame é denominado de Exame Patológico. É ele que determina se um tumor é maligno ou benigno.

Os resultados de biópsias e citologias de rotina podem levar de 1 até 7 dias para ficar pronto, após a amostra ser recebida no laboratório.
 
E foi depois de dias de imensa ansiedade e expectativa (e muita torcida para que o tumor fosse benigno), que ouvi, numa voz disfarçadamente embargada do Dr Gabriel, que, infelizmente, o resultado apontou o tumor da Cléo como maligno.
 
Eu demorei a aceitar que ouvi aquilo, nem sei como dirigi de volta pra casa e, quando cheguei lá e me deparei com ela, desabei num choro compulsivo, que foi interrompido por uma lambida. Mais uma vez, lá estava ela, ao meu lado, pra me consolar, dizendo, à sua maneira, que tudo iria ficar bem.
Quantas lições essa cachorrinha  já me deu ao longo da sua vidinha!!  Pois é, nós duas sabemos, como poucos, levantar e sacudir a poeira... E, não seria um tumorzinho que iria nos derrotar. Não assim, tão facilmente!
 

TUMORES: BENIGNOS E MALIGNOS
 
 

Esta é a questão que mais nos assombra quando detectamos um tumor, seja em um humano ou em nossos animais. É a partir desta identificação que traçamos todos os passos seguintes, que respiramos um ar mais denso ou mais leve, que necessitamos de mais ou menos reforço em nossa fé.
Como já falamos, é através da análise das células ou de um fragmento do tecido que compõe o tumor (a biópsia), que o patologista confirma a natureza benigna ou maligna da neoplasia.
Basicamente, a diferença entre benigno e maligno é definida pela aparência e estrutura das células atacadas pelo tumor.
Os tumores benignos são constituídos por células bem semelhantes às que os originaram e não possuem a capacidade de provocar metástases. Já os malignos são agressivos e possuem a capacidade de infiltrar outros órgãos. Eles crescem localmente, de forma lenta, e não têm a capacidade de se espalhar para outras regiões do corpo. Na maioria dos casos pode ser totalmente removido (e o paciente curado) por meio de cirurgia.

Os tumores malignos (tumores cancerosos) são aqueles que têm a capacidade de se espalhar, as vezes rapidamente,  para outras regiões do corpo, quer localmente, através da corrente sanguínea, ou através o sistema linfático. A cura neste tipo de tumor depende do diagnóstico precoce e do tratamento adotado. Muitas vezes, necessitam de quimioterapia e Radioterapia, na tentativa de se chegar a células cancerosas que se espalharam para além da região do tumor ou são deixados para trás após a cirurgia de remoção de um tumor

Após a cirurgia caso sejam deixados alguns resquícios de células, tanto os tumores benignos (mais raramente) quanto os malignos podem reaparecer mais tarde perto da região do tumor original. A cirurgia para remover um tumor maligno é mais difícil do que a cirurgia de um tumor benigno.

Fontes: Hospital Albert Einstein, Oncoguia,  Site da ONCOCANE e Dra Renata Sobral (www.renatasobral.com.br)

 
Bom, agora que já sabíamos com “o quê” estávamos lidando, precisávamos saber com “quem” haveríamos de aprender a conviver.
 

COMO O CÂNCER É IDENTIFICADO

Embora a maioria dos cânceres possa ser identificado após o Exame Patológico (biópsia), às vezes, é preciso utilizar outros procedimentos especiais para se obter um diagnóstico mais preciso e identificar o tipo e grau exatos de um câncer.

São estudos especiais que podem utilizar-se de corantes químicos, da análise de alterações cromossômicas, da identificação de sequências de DNA específicas , e outros. No caso do tumor da Cléo, submetemos a amostra à análise imunohistoquímica.
 
Imunohistoquímica (ou coloração por imunoperoxidase) é um método de análise dos tecidos via microscópio, que utiliza anticorpos produzidos em laboratório para reconhecer antígenos que estão ligados ao câncer, buscando identificar características moleculares das diversas doenças. É muito útil na identificação de certos tipos de cânceres.

Em diversos casos é necessário utilizar o exame imuno-histoquímico, por exemplo, para fornecer dados mais preciosos e individualizados sobre o melhor tratamento e provável evolução do câncer. Esse exame pode auxiliar em diversas situações, tais como o diagnóstico de tumores indiferenciados - definir se um tumor é um carcinoma, linfoma, melanoma ou sarcoma. Como cada tipo de tumor tem um tratamento e evolução diferente, é importante tentar diferenciá-los através da imuno-histoquímica, que vai pesquisar moléculas associadas a diferentes tipos de tumor, podendo nos apresentar a caracterização de linhagens de diferenciação de células tumorais.

 

E, no resultado do exame Imunohistoquimico, tivemos o desprazer de conhecê-lo: Sarcoma Estromal Intestinal , também conhecido como GIST (ou Tumor Estromal Gastrointestinal ).

O GIST é um tipo raro de tumor do trato gastrointestinal (TGI). É raro mesmo em humanos e dificilmente encontrado em cães. Com alto grau de malignidade, tem uma significativa tendência a metástases. Estes tumores são considerados verdadeiros “achados clínicos” (que, cá pra nós, eu preferia não achar).

Sua causa está mais fortemente ligada à mutações genéticas. O termo estromal é referente à origem das células que formam este tipo de câncer, que são provenientes do estroma - tecido de conexão e sustentação do TGI (trato gastrointestinal. Os sintomas podem ser: hiporexia, dor e distensão abdominal e sangramentos digestivos, mas a maioria dos casos são assintomáticos e isso dificulta seu diagnóstico precoce. A Cléo, como sabemos, só apresentava uma pequena quantidade nas fezes e nada mais.
 
 
Locais de surgimento do GIST primário
 
Normalmente aparecem através de um tumor primário, que se localiza em uma única área. Segundos estudos da organização GIST Support, os locais de maior incidência do tumor primário são: estômago (55%), duodeno e intestino (30%), esôfago (5%), reto (5%) e colon (2%), além de outros locais mais incomuns. No caso da Cléo, o tumor estava localizado bem no meio do intestino (região mesogástrica intestinal) . Nessa situação são denominados tumores localizados.

Entretanto, os GISTs podem ser bastante agressivos e com grande potencial para se espalhar para outras partes do corpo (normalmente fígado, cavidades abdominais e, mais raramente, linfonodos), formando novos tumores em outros locais diferentes de sua origem, sendo classificado como um tumor metastático. Esse é o nosso caso, infelizmente. (Fonte: GIST Support)

Por isso, a partir do momento do dignóstico e da identificação do GIST, toda e qualquer providência que tomaremos, será com o objetivo de inibir e controlar o desenvolvimento das células cancerígenas que a Cléo mantém em seu organismo.

Juntamente com a Oncologista, Dra Renata Sobral, da Clinica Oncocane, que passou a acompanhar a Cléo a partir dai, e o Dr Gabriel Seabra, do Centro de Saude Animal Zoovet, que é o clinico geral da Cléo, vamos pesquisar e analisar as principais opções de tratamentos indicadas para este tipo de câncer.

As dúvidas são muitas e, juntamente com elas, os receios. A Cléo é uma jovem senhora, com um quadro de displasia coxofemural grave, algumas lesões na coluna... portanto, qualquer que seja a decisão, deve ser tomada com muita cautela. É preciso avaliar bem as opções, os prós e os contras de cada uma delas e pensar, acima de tudo, no bem-estar da minha filhota.

Seja qual for a decisão, tenho certeza de que a minha pequena guerreira vai lutar com unhas e dentes pelo tempo que lhe restar... irá aproveitá-lo segundo por segundo, pois ela sabe muito bem como fazer isso...e vem me ensinando a cada dia...

Larissa Rios