segunda-feira, 3 de abril de 2017

LUTO: O PROCESSO APÓS A DESPEDIDA DO SEU ANIMAL


Despedida do animalzinho

A Cléo já partiu há pouco mais de 4 meses. Eu já escrevi vários posts nas redes sociais depois que ela se foi, falando diversas coisas e expondo os meus sentimentos durante esse processo tão doloroso, que é o luto. Mas vinha adiando esse artigo. É que quando escrevo aqui no Blog, normalmente, eu trato de temas onde eu falo com propriedade, com conhecimento e embasamento, para os meus leitores sobre situações genéricas que, não necessariamente, eu tenha vivido. Às vezes eu busco informações sobre o tema, consulto especialistas, pesquiso muito até me sentir preparada para compartilhar com vocês, mesmo sem eu ter passado pela situação.



Falar sobre algo tão pessoal e íntimo, como é o processo do luto, é mais complicado. Porque, por mais que eu tenha lido muito a respeito, pesquisado e consultado profissionais, é algo muito meu... e de cada um. E é algo confuso também, que vai mudando a cada instante a intensidade dos seus pensamentos e sentimentos e, consequentemente, a forma como você se coloca na situação. Por isso, até agora, eu ainda não havia me sentido preparada para escrever sobre o tema em si.



Mas, este final de semana, o grupo CÃO VIDA (um Grupo de Apoio aos Tutores de Cães com Câncer, que eu decidi criar quando recebi o diagnóstico da Cléo), realizou um bate-papo e palestra com a psicóloga Eliana Alcauza, do Humanae – Núcleo de Psicologia e Cultura, justamente sobre ele: o luto.  E durante esse evento, eu aprendi um pouco mais sobre as fases de um luto, pude ouvir dos demais participantes as experiências deles neste processo e pude falar sobre a minha vivência de uma forma tão leve e clara que me fez perceber que, sim, eu estou percorrendo caminho certo e estou preparada para falar, escrever e viver esse processo. E chegou a hora de compartilhar isso com vocês.



Segundo a psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross existem 5 fases do luto:



1) Negação

Quando negamos o problema, tentado encontrar algum jeito de não entrarmos em contato com a realidade, evitando, por exemplo, falar sobre o assunto.



2) Raiva

Aqui é a hora de nos revoltarmos com o mundo. Brigamos com a vida, com Deus, com o universo. Nos sentimos injustiçados (porque eu?) por estarmos passando por isso.



3) Barganha

Quando começa a fase da negociação, inclusive consigo mesmo, fazendo promessas e dizendo que será uma pessoa melhor se sair da situação.



4) Depressão

É a fase do isolamento, de nos recolhermos para nosso mundo interno, sendo dominados pela melancolia e nos sentindo impotentes diante da situação.



5) Aceitação

É o estágio em que já não há mais desespero e conseguimos enxergar a realidade como realmente é, ficando prontos pra enfrentar a perda ou a morte.





SIM, eu sei que as teorias e estudos sobre o luto falam da perda de um ente querido, referindo-se aos humanos. O próprio significado da palavra, no dicionário da língua portuguesa, diz que trata-se de um substantivo masculino, que define “um sentimento de tristeza profunda pela morte de alguém”. E até mesmo a definição das fases, obviamente, estão baseadas nos sentimentos do luto pela perda de um ser humano.

Por isso, a maioria das pessoas que perde um pet, evita expor sua dor porque “os outros vão me achar ridícula por estar sofrendo tanto pela morte de um cão”. Que se exploda o que os outros vão pensar!! O que importa é o que você está sentindo e, se alguém a sua volta não consegue entender ou ao menos respeitar, o problema não é seu.



Na verdade, no sentido amplo (e prático, da vida, do nosso dia a dia), o luto é um processo necessário e fundamental para preencher o vazio deixado por qualquer perda significativa não apenas de alguém, mas também de algo importante, tais como: objeto, viagem, emprego, ideia, e, também, pelo animal de estimação.



Saiba que, de acordo com depoimentos de pessoas que já passaram pelas perdas, tanto de seres humanos como de animais de estimação, a intensidade da dor imediata que você sente no ato da despedida é exatamente a mesma!! E sim, o processo do luto também. Ainda mais quando o amor, ao longo da vida, teve a mesma força.


Estabeleça o seu ritual, no seu tempo


Então, quero compartilhar aqui, algumas descobertas nas minhas fases e dar algumas dicas para quem esteja passando pelo mesmo processo doloroso após ter se despedido do seu animalzinho:





1)  PERMITA-SE SENTIR A DOR

Eu não me lembro de, até o momento, ter sentido uma dor tão dilacerante quanto a que me acometeu no momento da partida da Cléo. É algo indescritível, que só se entende sentindo. Uma falta de ar, um desespero e a sensação de estar sendo cortada ao meio por uma lâmina afiada... tudo ao mesmo tempo, em uma fração de segundos, que me fez achar que eu morreria junto. Algo apagou tudo o que estava ao meu redor e concentrou toda a minha atenção somente nestas sensações. Eu queria ter a capacidade de entrar nela ou me fundir a ela, e partir junto. “O que eu vou fazer?”, “Como vou viver agora?”, “Porque você me deixou?”, “Volta, pelo amor de Deus!”... estes e outros pensamentos invadiram a minha mente naquela hora, enquanto eu a abraçava e chorava. Pareceu uma eternidade, mas não passou de alguns poucos minutos. E logo, eu fui tomada por uma inércia, uma sensação de dormência, de estar sonhando... e já não conseguia coordenar pensamentos, sentimentos e movimentos. Eu não tinha capacidade de responder por nada, nem por mim mesma. E me entreguei. Me deixei cuidar. Tive a grande sorte de ter ao meu lado pessoas especiais e muito queridas, que cuidaram de tudo... do corpinho dela, da sua cremação, da notícia para as demais pessoas e de mim. Eu vinha de um período de luta pela saúde dela, onde não me permiti fraquejar nem um instante, até que chegasse o final. Ela descansou, era o meu momento de descansar também. Eu só queria chorar e dormir, e foi isso que me permitir fazer por 2 dias. Me permitiria quantos mais dias eu sentisse que seriam necessários. Chorei na cama, chorei no chuveiro, chorei no chão da cozinha, chorei... senti doer a cabeça, o coração, o estômago... doeu muito e eu deixei doer. Eu me permitir deitar lá no fundinho do poço e ficar lá até que o meu coração deu o sinal de que estava pronto para iniciar o processo de reconstrução.



2)  RESPEITE-SE E COMPREENDA O SEU TEMPO



Eu me dei o direito de decidir o meu tempo para cada coisinha, cada decisão, cada mudança que tivesse que ser feita após a morte da Cléo. Só voltei para nossa casa, dois dias após a sua partida. Não fui já dando fim a todas as coisas que lhe pertenciam ou traziam lembranças dela. Doei alguns objetos de cara, outros foram sendo doados aos poucos. E alguns pertences dela ainda estão comigo, pela casa... e nem sei se algum dia serão descartados. Eu não quis fazer velório ou assistir à sua cremação. E, só realizei o ritual de liberar as suas cinzas, quando encontrei a oportunidade ideal para fazer uma despedida à sua altura. Eu evitei ir a alguns lugares “nossos” nos primeiros dias e também adiei o encontro com as pessoas com as quais convivemos, por que não me sentia preparada para encará-las.  Eu tenho um tufo de pêlos dela guardado até hoje e, de vez em quando, vou lá e dou uma cheiradinha para matar a saudade do seu perfume. Minha casa tem fotos dela espalhadas por cada canto. Eu recebi muitos conselhos, opiniões, idéias... respeito e agradeço por cada uma delas. Mas, em respeito a mim mesma, escolhi os meus tempos e as minhas opções.  Às vezes tenho a sensação de que ela se foi há muitos anos. Outras vezes, me parece que foi ontem.

São apenas 4 meses e já não me dói tanto como no início. Eu consigo escrever e falar dela sem chorar. Há dias em que não derramo sequer uma lágrima. Por alguns momentos me questiono se é normal eu já estar me sentindo tão bem. Mas ai percebo que isso não significa que eu não sinta sua falta, que ela não tenha mais importância em minha vida ou que não doa mais. Eu só me permiti viver e sentir as fases conforme elas foram acontecendo. E isso talvez tenha me ajudado a transformar aquela dor dilacerante do início, numa saudade gostosa.

Em alguns momentos me pergunto “Como pode já não existir mais? Não estar mais aqui?” E tá tudo bem eu continuar me perguntando isso.



3)  EXPONHA SEUS SENTIMENTOS E COMPARTILHE O SOFRIMENTO



Eu amo escrever e isso me ajuda a expor os meus sentimentos. Eu sou uma pessoa um tanto quanto reservada. Não sou muito boa com as palavras verbais e não tenho tanta clareza com a fala, como tenho com a escrita. Por isso, especialmente nos primeiros dias após a morte da Cléo, eu escrevi. Escrevi muito! Coloquei tudo que vinha à minha mente ou ao coração, para fora. Dividi, compartilhei, expus. Foram textos longos, profundos, por vezes tristes, outras vezes mais motivadores. Não sei se todos os meus contatos das redes sociais curtiram esses posts, se houve quem achasse que era exposição demais, se alguém achou aquilo meio deprimente ou chato, se alguém me deu um “block” ou deixou de me seguir, se acharam que eu estava passando dos limites ou me aproveitando da situação para ganhar mais visibilidade... Ou, ainda, possivelmente, houve quem achasse que era drama demais para “apenas um cachorro”.

Bom, se alguma destas opções se tornou real, sorry.  O espaço é meu, não obrigo ninguém a me adicionar ou acompanhar minhas publicações, portanto escrevo o que eu quiser (claro, desde que não ofenda ou atinja de alguma forma ninguém). Não concorda, não gosta ou acha chato, basta não ler. Mas, respeito é bom, e não só eu, como todo mundo, gosta!

O que eu sei é que muitas (muitas mesmo) pessoas leram, se emocionaram, se identificaram, se solidarizaram, comentaram, compartilharam e curtiram meus posts. Algumas pessoas que já haviam passado pelo mesmo que eu, se sentiram compreendidas ou mesmo entenderam melhor os sentimentos que as acometeram nas suas experiências. Outras, que estavam preocupadas comigo, mas que não tinham coragem de me ligar ou escrever perguntando como eu estava, sentiram-se aliviadas por terem noticias e saberem como eu estava lidando com a situação. Houve também quem aproveitasse para me consolar, para oferecer ajuda, um ombro amigo, para dizer o quanto elas também estavam sofrendo com a partida da Cléo, enfim...

Isso foi parte essencial do meu processo de reconstrução. Me fez sentir que eu não estava sozinha, alegrou o meu coração por saber o quanto a minha filhota era querida e, de alguma forma, pertencia a todos. Também passei a ter um sentimento de gratidão ao ver que a minha experiência estava ajudando outras pessoas a passarem pelo processo delas de uma maneira melhor. É como se eu tivesse encontrado sentido para aquilo tudo. Como se eu tivesse dividido o meu sofrimento com dezenas de outras pessoas. Cada vez que eu escrevia um texto, eu dissolvia um pedacinho da dor.

Portanto, ponha pra fora, seja na escrita ou falando com seus amigos e familiares. Fale, escreva quantas vezes for preciso. Quantas vezes você sentir vontade. E se alguém não quiser te ouvir ou ler, não tem problema, busque quem queira! Mas não se reprima. Você vai ver como tudo ficará muito mais leve.



4)  CULTIVE PENSAMENTOS E SENTIMENTOS POSITIVOS



Eu sei que é difícil, que nos primeiros dias, as imagens que irão tomar conta da sua mente são sempre as mais dolorosas. Especialmente se o seu animalzinho passou por uma fase difícil, enfrentou uma doença, morreu nos seus braços ou você teve que eutanasiá-lo e presenciou isso. Sim, eu sei... a imagem do corpinho inerte do seu mascote irá, de todas as formas, tentar invadir seus pensamentos e até mesmo seus sonhos. Acolha também esse momento, mas não o deixe dominar o espaço por muito tempo. Aos pouquinhos, vá tentando puxar lá de dentro do seu coração, as imagens dos momentos em que vocês foram felizes juntos. Lembre-se da infância dele (caso você o tenha conhecido filhote), lembre-se das peraltices, dos passeios, das lambidas... Certeza de que você tem aí no seu arquivo muito mais lembranças positivas do que negativas. Eu por exemplo, convivi 9 anos com a Cléo e somente no seu ultimo ano de vida ela teve problemas de saúde sérios e tivemos momentos difíceis. O que significa que tenho 8 anos de momentos felizes para lembrar. E como fomos felizes!!! Pense nisso. No quanto você o amou, cuidou... se você está passado pelo processo de um luto pelo seu animal e está dedicando o seu tempo para ler esse artigo, é porque você foi um tutor maravilhoso. O melhor tutor que ele pode ter tido, até o final. Portanto, ele foi sim, um animalzinho feliz e amado. A Cléo não sofre mais, não sente mais dores, não tem limitações. Eu não passo mais pela angústia de não ter certeza do que ela está sentindo, de não saber se eu posso fazer algo diferente. Eu sei que eu fiz o melhor que pude. E dei todo o meu amor.





5)   NÃO TENTE SUBSTITUIR



Sabe aquele ditado que diz que “Ninguém é insubstituível” ?!

Pois é, eu não concordo muito com isso não. Eu acho que cada coisinha desse universo é única (incluindo os seres) e que não se pode substituir nada 100%.

Se uma roseira morre, você pode até plantar outra roseira. Mas, repare bem, não será exatamente igual à anterior. Talvez o vermelho das pétalas não seja tão vivo, talvez os galhos pendam mais para a direita do que para a esquerda...

Se você teve uma melhor amiga na infância, mas perderam o contato. Hoje, na vida adulta, você tem outra melhor amiga. Mas ela, definitivamente, não é igual à anterior.

Cada relacionamento amoroso que você estabelece é diferente. A receita da feijoada padrão é a mesma, mas em cada restaurante tem um gosto particular. Com os animais de estimação também é assim. Você pode ter tido 20 cachorros ao longo da sua vida. Mas cada um deles era diferente. Com cada um deles você estabeleceu uma relação, você conviveu de uma maneira particular.

Portanto, quando o seu mascote morre, não adianta sair correndo e providenciar outro animal para substituí-lo. Porque ele não será igual, não será o mesmo animal que partiu. E você não pode colocar essa responsabilidade e as suas expectativas nas costas desse novo serzinho.

Mas isso não significa que você não possa ocupar o espaço.

Por exemplo: Se perdemos a nossa mãe e temos alguém (uma amiga, uma tia, etc) que consideramos uma segunda mãe para nós, nosso coração, de certa forma, satisfaz a necessidade de nutrir um sentimento dentro de um relacionamento materno e nos sentimos amadas, protegidas, amparadas por uma mãe. Ainda que não seja a nossa mãe verdadeira, de sangue, e que tenhamos consciência disso. Nós vamos continuar sentindo saudades da nossa mãe, mas teremos esse espacinho preenchido em nosso coração por outra pessoa.

Quando a Cléo morreu, eu fiquei meio perdida. Toda a minha preocupação voltada à saúde dela, todo o tempo que eu dedicava a levá-la para suas terapias e tratamentos, todo cuidado que eu tinha que ter nas atividades do nosso dia a dia por conta das suas limitações... o que eu faria com tudo isso agora? Eu tive que re-organizar  toda a minha agenda, porque agora eu tinha horas sobrando nas minhas manhãs. Eu tive que redirecionar as minhas preocupações e prioridades. E, sim, eu tive milhares de oportunidades de pegar logo um outro cachorro (recebi várias fotos de filhotes para doação, amigos que queriam me presentear, etc), mas isso não resolveria. Porque não seria a Cléo, seria um NOVO cachorro. E eu tinha que ter consciência disso primeiro.

Se você não tem um outro animalzinho, consegue ter a plena consciência do que acabei de escrever e sente-se preparado para se dedicar e amar um NOVO ser, então não vejo problema algum em pegar um outro animal logo em seguida. Lembre-se: o tempo é seu!

Eu não me sentia preparada e, além disso, eu não estava sozinha... eu tinha a Alegria (minha outra mascote). E, nesse momento, eu decidi que precisava voltar a minha atenção para ela, para nós. Eu percebi que, até ali, seja por conta da intensidade da relação que eu tinha com a Cléo, seja por causa do tempo e da atenção que a Cléo me demandava, eu ainda não tinha conseguido estabelecer uma relação de verdade com a Alegria. Não que eu não a amasse, que não cuidasse bem dela, nada disso... mas é que, de certa forma, ela sempre esteve em segundo plano. Porque mesmo quando eu estava passeando, viajando ou vivendo algum momento só com ela, eu estava com o meu pensamento na Cléo, eu sentia falta da Cléo, eu sentia até mesmo culpa por estar ali com a Alegria e ter deixado a Cléo em casa.... enfim. Eu percebi que nunca havia estado ou me entregado 100% para a Alegria. E ela nunca me cobrou, mas eu sabia que ela merecia isso. Portanto, eu decidi que aquela era a hora de construirmos a nossa relação. Sem falar que, ela também sofreu com a partida da Cléo e precisava da minha ajuda para passar pelo processo dela, assim como estava me ajudando a passar pelo meu.

O processo de luto dá-se tanto em humanos como animais (sim, eles também vivenciam, à sua maneira, a perda de um irmãozinho ou amiguinho). Em nós, humanos, o processo de luto é acompanhado por um conjunto de sentimentos, entre os quais: tristeza, raiva, culpa, ansiedade, solidão, fadiga, desamparo, choque, anseio, torpor, alívio e emancipação. Refletindo-se em sintomas físicos de vazio no estômago, aperto no peito, nó na garganta, falta de ar, falta de energia, boca seca entre outros.

Nos animais, pode vir acompanhado de depressão, falta de apetite, agressividade e até mesmo levar a morte. Há diversos casos de animais que morreram pouco tempo depois de perderem um companheiro.

A Alegria demorou a transparecer, mas sim, teve reações à morte da Cléo. Ficou mais insegura, carente, desenvolveu medos (ex: chuva e trovoadas) e até mesmo protagonizou alguns episódios de agressividade contra outros animais.

Um novo animal, naquele momento, não somente não iria substituir a Cléo, como também iria me impedir de enxergar que eu já tinha um NOVO animal ao meu lado e que ele também precisava de cuidados. Daqui a um tempo, nós duas estaremos preparadas para recebermos um novo animal em nossas vidas.





6)   NÃO SE COBRE OU SE JULGUE



E se eu tivesse voltado com ela para o hospital? E se eu tivesse feito tal procedimento?  Será que eu a amei o suficiente? Será que eu fiz mesmo tudo o que estava ao alcance? Eu já não choro mais, será que não estou sentindo sua falta?

O “Será” e o “E Se”, vão nos acompanhar durante algum tempo... assim como aquelas imagens e lembranças ruins que falei lá no item 4, eles vão tentar dominar a sua consciência fazendo com que você se questione, se julgue, se puna... Não se cobre. Assim como eu, tenho certeza de que você fez o possível pelo seu animalzinho e teria feito mais, se houvesse possibilidades. Teria impedido o acidente se fosse possível, teria levado em mais um especialista se houvesse chance de cura... Se você ainda chora, mesmo depois de anos, é porque ainda há sentimentos para colocar para fora. Se você não chora, não significa que não sinta falta, mas que talvez a felicidade de ter tido aquele animal em sua vida seja maior que a dor da ausência dele. Se você tomou optou pela eutanásia ou o deixou partir de morte natural, certeza de que tomou a melhor decisão para vocês dois e que escolheu isso com muito amor. Não se cobre. Não se julgue. O que passou, passou e aconteceu como deveria ter sido. E, caso haja novas chances, poderão ser diferentes...ou não.



7)  BUSQUE ACREDITAR EM ALGO QUE TE CONFORTE



Eu acredito que a Cléo veio para minha vida com uma missão. Na verdade ela veio por varias razões, ela veio com alguns desafios. Para me inspirar e criar a Turismo 4 patas, para me ensinar sobre a relação cães e tutores, para me apresentar a pessoas que hoje são essenciais em minha vida, para me fortalecer em diversas situações difíceis, para me mostrar que sou capaz de superações nunca pensadas, para me tornar mais humana, para me ensinar a amar incondicionalmente e até mesmo para me ensinar a lidar com a morte (algo que eu tanto temia). Eu sei que ela veio para minha vida por uma razão... e que não poderia ser nenhum outro animal, que não ela. E eu sei que, quando ela cumpriu o seu papel, até o último desafio, ela partiu. Ela foi para um lugar onde poderá se recuperar dos efeitos desta sua ultima encarnação, se restabelecer e se preparar para uma nova vida... com uma nova missão e novos desafios... seja ao meu lado ou ao lado de uma outra pessoa. Eu acredito nisso e isso me conforta, me traz paz.

Independente de crenças ou religiões, busque acreditar em algo que acalente o seu coração. Seja em reencarnação, seja no fato de que você deu ao seu animal a melhor vida dele,  seja no fato de que agora aquele corpo físico não sofre mais... enfim... eu acho que a fé nos fortalece, nos coloca de pé e nos ajuda a seguir em frente. E é isso que precisamos, dar os passos, sejam maiores ou menores, sejam lentos ou rápidos... mas que sejam para a frente. Acreditando.



8)  SE NÃO CONSEGUE SOZINHO, PROCURE AJUDA!



É importante perceber quando não conseguimos encarar a situação sozinhos, quando não conseguimos dar os passos adiante e, deixar o orgulho, a vergonha ou o que quer que seja que esteja te bloqueando a gritar por socorro de lado. Não é nenhum atestado de fraqueza assumir que não está conseguindo e se deixar ajudar. O que não pode é se afundar na tristeza, que pode evoluir para uma depressão e ocasionar problemas muito mais graves. E nada de sair tomando remédios para dormir ou acalmar por conta própria, ok?

Um psicólogo poderá identificar o estágio do luto em que você se encontra e o ajudar a vivenciar os sentimentos e analisar os pensamentos da melhor maneira, sem evitá-los. E assim, você poderá se permitir vivenciar o seu luto.





Não existe uma sequencia dos estágios de luto, assim como também é muito particular a forma com que cada pessoa lida com esse processo. Não há tempo definido para cada fase, nem para o processo terminar. Tudo depende da pessoa e da sua perda. E não, não há como se preparar para isso. Por mais que você leia sobre o assunto, converse com pessoas que passaram pela experiência, quando chegar a sua hora possa ser que aconteça tudo diferente. E não há como fugir, todos nós que temos animais vamos passar (ou já passamos) por isso... e pelas perdas de outros entes também.



O que eu posso te dizer é que, sabe aquele ditado “A gente só dá valor quando perde?”, com esse eu concordo! Esse é um sábio ditado ao qual devemos prestar muita atenção e seguir. Devemos valorizar o que temos, enquanto temos. Pois não sabemos quando vamos deixar de ter. E é da natureza humana, se perder no tempo, se distrair com outras coisas e só nos darmos conta da importância de algo ou alguém, depois que o perdemos. Não deixe mais esse sentimento tomar conta de você durante o seu processo de luto. Dê valor, ame, cuide, desfrute da companhia do seu animalzinho enquanto o tem ao seu lado fisicamente. E faça isso já, agora. Porque, infelizmente, eles vivem muito menos do que gostaríamos. Tenho certeza de que, assim, o seu coração se sentirá um pouquinho mais preparado para enfrentar o luto.

Cléo




Larissa Rios

sexta-feira, 10 de março de 2017

BICHANOS NA ESTRADA


Viagem com gatos

Sempre que falamos em passeios e viagens com animais de estimação, o foco é para os cães. E, de fato, os cães ainda são em maior número do que os gatos, acompanhando seus tutores nas caminhadas pelas ruas, nos hotéis, restaurantes e demais estabelecimentos e locais pet friendly.


Isso se dá, primeiramente, ao temperamento natural dos bichanos. Temos que admitir que os gatos sempre foram um enigma para nós, humanos. Eles conseguem ser, ao mesmo tempo domésticos e selvagens, dóceis e ariscos, reservados e sociáveis. Convivem bem em família, mas não deixam de manter a sua individualidade.


Os gatos são mais independentes que os cães em relação aos humanos, é verdade. Mas não é certo estabelecer uma regra geral quanto a isso. Pois existem diversos fatores que podem influenciar essa relação, tornando-a mais próxima ou mais distante. Como, por exemplo, o período de sociabilização.  Entre a terceira e a sétima semanas de vida, o gato passa pelo período de sociabilização primária, que influencia profundamente no comportamento dele por toda a sua vida. As condições nas quais ele nasce e onde permanece com sua mãe (e os fatores que incidem também sobre ela, como alimentação, sono, etc) podem contribuir bastante neste processo de sociabilização do animal. Mas nós também podemos atuar apresentando-o e deixando-o ser acariciado e massageado por diversas pessoas e toques diferentes e apresentando-o a outros animais e brincadeiras. Sempre respeitando seus limites. É dentro dos limites que ele estabelece que se desenvolve a nossa interação.

Nós, da Turismo4 Patas, temos recebido muitas mensagens de tutores de gatinhos querendo saber sobre dicas e opções de viagens e lazer para seus bichanos os acompanharem. E, gradativamente, temos nos deparado com vários felinos curtindo a vida por ai, de mala e cuia.


Por isso, resolvemos pesquisar sobre o assunto e consultar a Dra Carol Rocha (CEO da Pet Anjo e especialista em comportamento animal) para trazer algumas informações importantes sobre o tema para vocês.

Segurança e bem-estar do bichano nas viagens




TURISMO 4 PATAS:  Considerando que os gatos são animais bastante sensíveis a mudanças bruscas de rotina e ambientes, que dicas você daria para quem deseja ter a companhia do seu gatinho nas viagens? 


DRA CAROL ROCHA: “Sim, os gatos são muito mais sensíveis à mudanças de espaço e rotina: são criaturas de hábito. A história evolutiva, de domesticação dos gatos, é mais recente do que dos cães, logo eles mantém ainda mais forte comportamentos/instintos dos antepassados de proteção, de guardar e marcar o território com seus odores e escondendo as fezes, de se esconder, de ter uma rotina previsível, etc.


É preciso garantir a segurança no transporte utilizando-se de caixas duras e que permitam que o gato gire e se levante dentro. A caixa deve ser presa com cinto de segurança no carro e coberta, preferencialmente, com um paninho com cheiro do tutor. Não esquecer de fazer a adaptação do gatinho à caixa de transporte pelo menos 2 meses antes da viagem, com bastantes petiscos, carinhos e elogios quando ele se aproxima e/ou entra na caixa.


Se a duração da viagem for menor inferior a 5 horas, não precisa tirar o gato da caixa de transporte. Mas se for mais longa, é recomendado fazer algumas paradas para ele beber água e usar a caixa de areia (sim, é preciso ter consigo uma caixa de areia). Mas, atenção: durante a parada, não tire o gato do carro, e não abra nenhuma porta ou janela - a não ser que o animal esteja realmente acostumado, e com guia e coleira!


Garanta uma plaquinha de identificação com nome e telefone, para o caso do seu bichinho fugir durante a viagem. Mas use uma que não faça barulho (diga não aos sininhos).


Para evitar enjoos ou vômitos, não alimente o gato pelo menos nas 3 horas antes da viagem. Alimente, claro, assim que chegar no local - ou se a viagem for muito longa e com paradas, nos intervalos em que parar.


Se a viagem for durante o verão, é obrigatório ar condicionado no veiculo de transporte.


Não esqueça toda a documentação e carteirinha de vacinação dele e certifique-se de que o hotel realmente aceita gatos.


Chegando ao local, antes de soltar o gatinho, inspecione cuidadosamente o quarto para garantir que não haja nada que possa machucar, assustar ou até intoxica-lo (alimentos, medicamentos, produtos de limpeza, móveis, sons, brinquedos…). Se não sentir que o quarto é seguro, na primeira noite organize os objetos do gatinho no banheiro para ele dormir lá.


Leve uma roupa sua, com seu cheiro, para colocar em cima da cama do gato.


Respeite o gosto e adaptação/limites do seu gato para escolher as atividades.



Aventuras com gatos

TURISMO 4 PATAS:  Gatos podem praticar atividades de ecoturismo e aventura como trilhas, rafting, etc?


DRA CAROL ROCHA: “Teoricamente sim, mas depende muito da personalidade e adaptação do animal. E não só a atividade em si, mas ao estresse da viagem, de haver outros animais ao redor, dos sons… se o gato foi adaptado desde as primeiras semanas de vida, passou por uma sociabilização adequada, com estes estímulos específicos, até a sétima/oitava semana de vida, sim! Mas se não, pode ser uma violência tão grande com o animal, causando um trauma que pode leva-lo ao óbito pelo estresse.”



TURISMO 4 PATAS:  Como treinar um gato para a vida social?

DRA CAROL ROCHA: “Gatos são animais extremamente inteligentes e podem sim ser adestrados para responderem a comandos básicos de obediência e mesmo adaptarem-se a passeios com guia e coleira. Desde que o treino seja feito de forma adequada, respeitando o bem-estar do animal e utilizando-se de recompensas bastante atraentes (eles são mais exigentes nos prêmios do que os cães).

Escolha uma coleira adequada para gatos, que seja realmente segura e não saia facilmente do seu corpo e uma guia que não seja flexível e nem muito longa. E faça uma adaptação aos poucos em casa, antes de sair para a rua.”



TURISMO 4 PATAS:  E quanto aos estabelecimentos pet friendly que decidem também abrir as suas portas para os bichanos, que tipo de providências especiais – além das que já consideram pelos cães – precisam tomar? É seguro um mesmo estabelecimento aceitar cães e gatos?


DRA CAROL ROCHA: “Estabelecimentos pet friendly devem estar atentos ao risco de aceitarem cães e gatos no mesmo espaço. Não somente pela questão de serem de espécies diferentes mas, principalmente, por serem de portes diferentes. Na possibilidade de acontecer algum incidente entre um cão e um gato, por exemplo, esse incidente pode ser muito mais grave do que entre dois cães. Então, no caso do estabelecimento decidir aceitar cães e gatos, deve estar muito bem atento às regras e providências de segurança como, por exemplo, estabelecer limite no porte dos cães ou determinar áreas exclusivas para circulação de cada tipo de animal.  Não vamos esquecer das telas nas janelas e varandas.”


Gandalf, o gato viajante


Para se inspirar, veja o Instagram do Gandalf, um gato viajante e aventureiro.



Pronto! Agora, se você quiser colocar as patinhas do seu gatinho na estrada, já sabe o que deve fazer e como se preparar. A Dra carol Rocha deu várias dicas legais e no site da Turismo 4 Patas vocês encontra diversos hotéis pet friendly pelo Brasil que aceitam gatinhos. Basta utilizar a nossa ferramenta de busca e colocar o filtro “gatos” na caixa de Animal. Lembrando SEMPRE de respeitar o temperamento e os limites do seu animal, ok ?



Boa viagem e bons passeios!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

ROTEIRO PET FRIENDLY: PASSEIO COMPLETO COM SEU CACHORRO NA REGIÃO DO IBIRAPUERA


Prontos para aproveitar o final de semana?!

Fim de semana chegando e nós decidimos compartilhar com a cachorrada de São Paulo um dos nossos roteiros prediletos para quem passa o sábado e o domingo na cidade. Um programa completo que começa com o café da manhã, seguindo para o passeio no parque (com direito a água de côco), almoço e até um sorvetinho para fechar com a chave de ouro. Tudinho, claro, na companhia do seu mascote. Segue a nossa seleção de alguns estabelecimentos pet friendly, devidamente visitados e aprovados pela nossa mascote Alegria, na região do Parque do Ibirapuera. H, e para saber mais informações sobre os estabelecimento (ex: endereço, regras pet, etc), basta clicar nos links dos seus nomes e será redirecionado para o nosso site www.turismo4patas.com.br , ok?
Bastante espaço entre as mesas do Blés D´Or
Agua fresquinha e Selo T4P
                                         

É curioso pensar que uma padaria possa ter atmosfera romântica. Pois o salão rústico, que termina em uma agradável varanda com teto retrátil e vasos de plantas, pode facilmente sediar um encontro a dois. A casa com decoração bem ao estilo dos bistrôs franceses, é um misto de empório, boulangerie, pâtisserie e café onde o cliente pode degustar uma extensa opção de pratos gostosos e de cozinha rápida. Em seu brunch, aos finais de semana, oferece uma grande variedade de bolos, cafés, bebidas, saborosos croaissants, uma variada linha de pães, além de saladas e tartines. Todos os produtos são feitos com frutas e legumes orgânicos.

Lá, os pets de qualquer porte são bem-vindos nas mesas da área externa – frontal e lateral. E tem espaço para ficarem tranquilamente. Além disso, oferecem um reservatório com água fresquinha. Nossa mascote resolveu conceder o nosso SELO PET FRIENDLY pela super receptividade do Blés D´Or.
  
Pain Et Chocolat


O concorridíssimo buffet de café da manhã dos finais de semana, oferece mais de 100 itens (isso mesmo que você leu, mais de 100!!!), entre eles uma grande variedade de pães, mini bolos, frutas, panquecas, waffles, sucos, café, leite e chá. As ofertas salgadas vão de ovos mexidos, salsichas ao molho e batata rosti. Para quem quer fugir da comilança engordativa,  há também opções fit, light e até sem gluten.

Pets de qualquer porte são aceitos nas mesas das varandas – frontal e lateral. Se você tem um pet de porte grande, chegue um pouquinho mais cedo para garantir uma mesa na varanda lateral, pois há mais espaço para acomodar o seu amigão.


Lago do Ibirapuera: só para observar, tá?

Cachorródromo
                            


Considerado como uma das mais importantes áreas verdes da capital paulista, o Parque do Ibirapuera foi inaugurado por ocasião das comemorações do IV Centenário da fundação da cidade de São Paulo em 1954. São 1,6 milhão de metros quadrados, que abrigam importantes prédios públicos e museus, como o planetário e o Pavilhão Japonês, com jardins e lagos característicos.

Nos museus os pets não podem entrar. Mas na área livre, dá para praticar uma corridinha se o seu mascote faz o tipo companheiro atlético (especialmente depois de experimentar um dos deliciosos buffets de café da manhã que sugerimos acima). E para correr e brincar a vontade, tem o cachorródromo – uma área gramada, entre a Praça dos Porquinhos e o Viveiro Manequinho (melhor entrada pelo portão 6, da Avenida IV Centenário), onde cães de todos os portes podem ficar soltos, sem guia. Aos finais de semana está sempre lotado de peludinhos de todos os tamanhos e raças. Vale sempre lembrar as regrinhas da boa convivência e sociabilização, hein? Lixeiras para dejetos animais e bebedouros caninos estão disponíveis, no cachorródromo e em diversos locais do parque.
 
Alegria e o Duda


E se, durante uma bela caminhada no Parque, der uma baita sede? Nada melhor do que uma água de côco fresquinha. A água de côco funciona como um isotônico, com alto poder hidratante e até ajuda a aliviar problemas digestivos como náuseas, vômitos e diarréias. Isso vale para humanos e caninos, viu ?
Lá no Parque do Ibirapuera, o carrinho do Duda é o point preferido da cachorrada!! O Duda e sua equipe adora cães e atende a todos os peludos com muito carinho, sabendo, inclusive os nomes dos principais clientes de 4 patas.

Seu peludo pode escolher entre beber a água num potinho especifico ou na casca do côco, que o pessoal do Duda parte com maior prazer.

Dentro do Parque
Mesas ou balcão

 ve o nome de muitos de seus clientes de 4 patas.
Seu pet pode escolher beber a água de côco no potinho descartável (que ele providenciou especialmente para servir os cães, pois cabe o focinho direitinho) ou na própria casca do côco. O Duda ainda raspa a carninha do côco para o peludo comer no final.
A nossa mascote, ALEGRIA, amou e agora vai querer "bater ponto" no quiosque do Duda todos os dias
É MUITO pet friendly, né?!
Sabor Ibira Delícias do Parque

Mais conhecido como Lanchonete do Planetário, o quiosque é um lugar agradável que serve tanto nas mesas externas quanto no balcão, uma diversidade de sucos e opções saudáveis como açaí e saladas. Os lanches que vão desde os hambúrgueres ao sanduíche natural também estão no menu. No almoço oferece algumas opções leves de refeições. Ideal para quem está dando um passeio com o dog e não quer se deslocar do parque para fazer uma refeição.
Estão localizados em dois pontos dentro do Parque Ibirapuera, em frente ao Planetário, com vista para o lago próximo ao portão 10 e na pista de cooper próximo ao portão 5.

Cães de qualquer porte são bem-vindos nas mesas do deck externo. A área é sombreada e o espaço entre as mesas é razoável e acomoda muito bem os pets, pedem apenas para que animais de porte grande se acomodem nas mesas do canto – assim facilita a circulação de demais clientes.


Com a proposta de oferecer comida saudável e balanceada, a Frutaria traz opções para agradar à todos os paladares. Uma grande variedade de sucos naturais, pratos, saladas e sanduíches leves montam o cardápio do local. Para quem prefere uma alimentação ainda mais “natureba”, açaí na tigela e suplementos nutricionais e terapêuticos estão a disposição.

Os pets de qualquer porte ou raça são aceitos no lounge externo, onde há poltronas confortáveis para os tutores. No balcão ao lado do longe também é possível ficar com seu mascote.


O charmoso espaço a céu aberto nasceu com a proposta de oferecer gastronomia, música e arte num mesmo lugar. São diversos food trucks que se revezam a cada semana para trazer ao público uma grande variedade de opções que vão desde chopp, hambúrgueres, comida italiana, churros, comida de buteco, tortas, etc. Alguns dias contam com musica ao vivo ou telão para acompanhar jogos. Para saber exatamente o que está rolando, basta acessar os perfis das redes sociais do Pocket.

Cães de todos os portes são mais que bem-vindos, sempre na guia, claro.



Com mais de 35 anos de história, os sorvetes Rochinha ficaram famosos nas areias das mais belas praias do litoral de São Paulo, graças a sua qualidade e sabor natural derivado das frutas frescas utilizadas na produção. São mais de 27 sabores, desde os clássicos como limão, maracujá, morango, abacate, etc; até as novidades como Bem Casado, Suco Verde, gengibre com limão siciliano, açaí com guaraná, etc.
A “Praça Rochinha” é muito mais que uma sorveteria. É um ponto de encontro das pessoas do bairro.


Cães de todos os portes são bem-vindos à área externa. Tem pote de água para o peludinho e ganchinho para prender a guia.


A Bacio di Latte nasceu em 2011, com o desejo de criar a cultura do gelato com as raízes e tradições italianas. A qualidade é o fator em comum que rege a gelateria. São oferecidos cerca de 35 sabores, produzidos todos os dias, sempre com produtos frescos, ingredientes escolhidos cuidadosamente das melhores regiões produtoras do mundo.

Nas mesas externas - frontais e laterais/fundos, onde há bancos de madeira com guarda-sóis, petes de todos os portes podem acompanhar suas famílias.



Bem gente, agora não tem mais desculpas para não sair de casa e aproveitar o final de semana em São Paulo com o seu melhor amigo. Confira essas dicas da nossa mascote, Alegria, e depois conta pra gente o que achou.


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Por aí... Onde brilhem os olhos: Expedição Pet Friendly na Europa


Arquivo: Onde Brilhem os Olhos

Conhecemos a Isa e a Pipoca em uma das aventuras da Turismo 4 Patas, em 2015. Elas passaram um final de semana animal com a gente, na cidade de Monte Alegre do Sul (SP). Só ficamos sabendo que a Isa era vegetariana e que a Pipoca havia sido adotada. Pronto, não mais que isso. Éramos um grupo considerável e as duas se mostraram bem reservadas e aparentemente tímidas. Mas muito simpáticas.

Eis que algum tempo depois, me deparo com um perfil no Instagram onde uma menina se lança numa aventura pelo mundo, a bordo de uma bicicleta e na companhia da sua fiel escudeira canina. Amei a proposta e já quis logo fazer uma matéria para o nosso Blog, lógico! Afinal, nosso propósito é mostrar a vocês as diversas formas de explorar o mundo na companhia dos nossos mascotes.

Olha elas ai, no Rota Cãotural

E quando a Isa responde ao meu e-mail, já com um super relato, que serviu de base para esse texto, e fotos dela com a Pipoca nos lugares por onde já passaram... Eita, olha elas!!! Ahahhaha meninas, onde vocês foram parar?!! De Monte Alegre do Sul, fui encontrar vocês na Europa. Que delicia! Fiquei mais motivada ainda... e acabei escrevendo quase um livro... inspirada pelo quase livro que a Isa me enviou eheheheh.

Bom, a Isa é uma paulistana, apaixonada por cachorros, que, quando criança, passava o tempo estudando inglês sozinha e brincando de ser motorista de ônibus de viagem com a irmã. Ela, que sonhava em ser veterinária, acabou se formando em Turismo.  (já vi essa história em algum lugar... ehehe).

A Pipoca foi resgatada por uma protetora na região do Parque do Ibirapuera, capital paulista. (coincidentemente, através do lindo da trabalho da Villa do Amigo, comandada pela querida Silvana Mitne, de quem sou fã e amiga há anos). Segundo Isa, ela tinha cerca de 1 ano e meio, era arredia, tinha problemas de pele e estava quase 10kg abaixo do peso. A protetora fez um ótimo trabalho de recuperação, e quando a Pipoca veio pra casa, já estava com a pelagem linda e o peso quase normal. Mas ainda tinha bastante problemas de comportamento – o que rendeu muitos estresses, prejuízos e até boas risadas para sua nova tutora.

Pipoca cresceu, o casamento de Isa terminou, as duas mudaram de vida e, com isso, passaram a ter mais tempo juntas... curtir parques e áreas verdes da cidade, andar de bicicleta e (porque não?!) viajar juntas... as poucas viagens que Isa fez sem a Pipoca, a deixaram com uma sensação muito forte de que teriam sido muito mais divertidas se ela estivesse junto. Então, em 2014, Isa decidiu investir pesado numa caixa de transporte de boa qualidade, cuidou da adaptação da Pipoca com a caixa e começou a pesquisar destinos “pet friendly” e dicas de segurança para viagens com bichos de estimação. Foi assim que ela “esbarrou” em nosso site – www.turismo4patas.com.br – e se inspirou no nosso Blog (que, na época, se chamava Blog da Cléo).

Pipoca totalmente adaptada à caixa de transporte

Em 2015, com “sangue nos olhos” (como ela mesma escreveu), prontas pra cair na estrada em qualquer oportunidade de feriado, as duas fizeram um programa de voluntariado numa fazenda orgânica e foi lindo ver a Pipoca tendo que aprender a conviver em matilha – a fazenda tinha cerca de 16 cães! Depois foram à praia, às montanhas, e foram parar no Rota Cãotural com a T4P (onde nos encontramos pela primeira vez).

Isa queria mais. Para ela e para a Pipoca. Começou a pesquisar sobre viagens internacionais e fez os trâmites para emissão do passaporte canino. Ela sempre quis fazer uma viagem longa, mas achava que era um sonho impossível. Até que, um dia, voltando no metrô lotado de um dia frustrante e estressante no trabalho, decidiu que era hora de pensar sério no tal ano sabático. Chegou em casa, abriu o mapa-mundi e passou quase a madrugada toda debruçada sobre ele, e pesquisando sobre viagens “volta ao mundo”. Sua vontade era viajar pela América do Sul, aprender sobre nossas raízes culturais e socializar com nossos vizinhos hispânicos, mas depois de alguma pesquisa se deu conta de que, com uma cachorra do porte da Pipoca, viajar pela Europa seria consideravelmente mais barato do que viajar pelo nosso continente!

Alemanha, aí vão elas!!!

Como tem a nacionalidade europeia – herdada do avô português –, não teria que se preocupar com a burocracia dos vistos e tempo de permanência nos países. Além disso, a facilidade de locomoção entre os países europeus por meio de trens, aliada à cultura bem mais pet-friendly nos meios de transporte e estabelecimentos comerciais quando comparada ao que temos na nossa América, ajudaram Isa a tomar a decisão. Optar por começar pela Alemanha foi um misto de pesquisa por qualidade de atendimento das companhias aéreas e oportunidade de voluntariado em fazendas orgânicas, que era um dos objetivos da viagem de Isa.


Mas agora, vou deixar ela contar um pouquinho destes preparativos para vocês:

Bagagem das meninas


TURISMO 4 PATAS: “Como foi a preparação da Pipoca para a viagem?”
ISA: “Como a Pipoca já tinha o passaporte brasileiro (e consequentemente o microchip), só o que faltava pra ela atender as regras da União Europeia era a Sorologia Antirrábica, que apesar de não ser muito caro nem complicado de fazer (basta enviar uma amostra de sangue pro CCZ de São Paulo analisar e te fornecer um certificado de que ela está livre e protegida do vírus), demanda certo tempo (pelo menos 3 meses!) e tem risco de precisar refazer, então percebi que era melhor fazer o quanto antes, mesmo ainda não tendo data definida pra viajar.    

Também comecei a pesquisar regras específicas de países vizinhos que pudessem servir de alternativa caso eu decidisse não pousar na Alemanha (de novo, por questões de qualidade de atendimento da companhia aérea), como por exemplo, a Suíça, que além da documentação padrão da Comunidade Europeia, também requer uma pré-autorização – uma espécie de visto - para entrada no país. Não custava ter essas informações na manga para ajudar na decisão de compra das passagens aéreas lá na frente.

A adaptação à vida de mochileira já estava sendo feita, e nessa altura a Pipoca já tinha paixão pela caixa de transporte dela, o que me deixava mais segura em relação ao vôo. Tranquilizante era algo que eu já tinha decidido não adotar (talvez para mim, nunca pra ela, haha), então saber que ela se sentiria segura na “Caixa Forte” dela acalmava bastante meu coração. A troca de Alimentação Natural pela ração seca também aconteceu alguns meses antes do embarque, para que ela pudesse se adaptar aos poucos e eu tivesse tempo para pesquisar as melhores opções disponíveis no mercado. “

Pipoca ajudando a vender as coisas que não acompanharam a dupla


TURISMO 4 PATAS: “Fale um pouquinho sobre o Projeto Onde Brilhem os Olhos”
ISA: “Faltando cerca de 6 meses para o embarque eu comecei a me desfazer das minhas coisas. A casa que morávamos era alugada e eu sabia que teria que entregá-la vazia ao término do contrato. Foi nessa hora que percebi como a gente acumula coisas inúteis nessa vida! Tem uma canção do Biquini Cavadão que diz “Tudo que morre fica vivo na lembrança. E como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça!”. Esse trecho define bem o momento que passei. Não só nas lembranças mas principalmente nas coisas que a gente encosta dentro de casa pensando que um dia vai ser útil, e quando volta a ver, nem lembra mais pra quê aquilo servia! Aparelho de jantar 42 peças (pra uma moça vivendo sozinha!), moedor de carne (eu era vegetariana!), bichos de pelúcia da adolescência, livros lidos na época do vestibular… Afff!

Com a ajuda de uma amiga, começamos a fotografar tudo pra anunciar em brechós online. Na primeira leva de roupas anunciadas consegui me desfazer de pelo menos 15 peças numa única semana, o que já rendeu o valor da sorologia da Pipoca e ainda um troquinho para o café com a amiga ajudante! Tivemos a ideia de montar um perfil no Instagram com fotos engraçadas da Pipoca anunciando nossos trecos à venda e essa ideia rendeu boas risadas e mais uma graninha pro cofrinho da viagem.  Esse é o mesmo Instagram onde publicamos fotos da viagem hoje (@ondebrilhemosolhos).”

Agora ninguém segura as meninas!



TURISMO 4 PATAS: “E como foi a chegada em solo Europeu e a adaptação à nova vida itinerante da dupla?”
ISA: “Em Março de 2016, desembarcamos no Aeroporto de Munique, na Alemanha. Um amigo de viagens anteriores veio nos receber no aeroporto e nos hospedou nos primeiros dias na Terra da Cerveja. Era fim de inverno e foi a primeira vez que a Pipoca viu neve.  


Do sul da Bavaria, seguimos de trem para nosso primeiro voluntariado numa Fazenda de produção de Leite Orgânico na região do Allgäu. Foi lá que a gente adquiriu um trailer para acoplar a uma bike que a gente ainda não tinha, mas já estava planejando comprar.


A primeira bike a gente comprou usada pelo equivalente a cerca de 50 reais. A bicicleta era tão ruim, mas tão ruim, que nossa host ficou com dó e propôs uma troca pela bike antiga dela, que também não era lá essas coisas mas era melhor que a que a gente tinha comprado.


Seria na nossa próxima fazenda, na região de Stuttgart, que a gente encontraria nossa bicicleta dos sonhos, específica para viagens de longas distância, mais robusta e com aceleração assistida por bacteria elétrica, o que me permitiu pedalar quase 3mil kilômetros ao redor do país (quase) sem sentir que estava carregando 40kg de amor <3 .="" font="">

Pipoca na Igreja: Alemanha pet friendly



TURISMO 4 PATAS: “Isa, nós sabemos que a Alemanha é uma das principais referências mundiais quando se trata de hospitalidade animal. Fale um pouquinho do que vocês já experimentaram dessa cultura pet friendly exemplar.”
ISA: “Aqui na Alemanha a Pipoca (assim como todos os cachorros) é aceita em quase todos os lugares. Cafés, restaurantes, oficinas, transportes, museus, igrejas, teatro, cinema…! Nunca foi problema encontrar fazendas pra gente voluntariar e, ao contrário do que isso possa parecer – e pra minha grande surpresa aqui – não é todo mundo que ama cachorro não! Tem bastante gente que tem nojo, medo, ou que simplesmente não curte animais.


Nunca vou esquecer nossa estadia numa fazenda de produção de mel, onde o apicultor, apesar de corajoso a ponto de lidar com as abelhas, totalmente desprovido de roupas de proteção, tinha um grande trauma e pavor de cães. Quando perguntei por que ele aceitou nos receber mesmo sabendo da Pipoca, ele respondeu que estamos todos no mesmo planeta e que fugir às lições que a vida nos recomenda é uma péssima forma de crescer, pulando etapas que certamente vão nos fazer falta lá na frente.


A [grande] diferença é que aqui rola um respeito ENORME nas relações pessoas-animais. A premissa básica é: todo estabelecimento comercial tem o direito de não aceitar animais, mas daí precisa especificar com um adesivo na porta. Se não tem adesivo, significa que seu peludo é bem vindo. Só que os tutores em geral são muito conscientes e preocupados em não incomodar as outras pessoas. Se um restaurante está cheio, tem gente que prefere não entrar com o cachorro, mesmo sendo permitido. Porque sabe que vai ser mais difícil não esbarrar em alguém que por ventura pode não gostar de animais…


Aqui não tem cachorro de rua, então quando se decide adotar um, as opções são comprar em um canil – como no Brasil – ou ir a um abrigo escolher um vira-lata normalmente vindo de países mais pobres do leste europeu, ou mesmo da Espanha ou Portugal. Mesmo no abrigo, a adoção só acontece depois do pagamento de uma taxa em torno de R$200 (podendo passar dos R$1000 dependendo do porte do animal!). Boa parte dos abrigos aplica uma entrevista para avaliação do futuro tutor e depois da adoção ainda tem uma taxa anual a ser paga ao governo, uma espécie de “imposto do pet”.


Outra coisa muito interessante aqui é a cultura do adestramento. Logo no momento da adoção, você já sai do abrigo / canil / loja de animais com um encaminhamento para uma escolinha onde você e seu mascote vão aprender sobre a vida em sociedade. O “curso” não é obrigatório, mas já está tão incutido na cultura que as pessoas simplesmente vão lá e fazem, pelo menos uma vez na vida. Em alguns estados da Alemanha, o tutor precisa fazer uma provinha teórica para receber a “autorização” para a tutela do animal (!) e esse cursinho ajuda a não falhar na prova… =P


Apesar de questionar um pouco essa supervalorização da ordem e regras, tenho que admitir que é notória a conscientização dos alemães no que diz respeito ao cuidado animal. E mesmo com o planeta, com a natureza, em geral existe uma responsabilidade sócio-ambiental que eu sonho um dia ver na mesma intensidade no nosso Brasil. A Alemanha não é perfeita. Na verdade eu gosto de dizer que a Alemanha é tão perfeita quanto o Brasil, cada qual em seu quesito e especialidade. E eu me sinto bem privilegiada de poder vivenciar esse período sabático aqui, trocar figurinhas humanas e caninas para um dia voltar trazendo na bagagem experiências que me ajudem a ser uma pessoa melhor em um ambiente também em constante melhoria. <3 font="">

Quem não se inspira com esse amor?!



TURISMO 4 PATAS: “Você quer deixar uma mensagem para inspirar pessoas que, assim como você, tem o desejo de se desbravar o mundo, mas ainda não teve a coragem de colocar uma mochila nas costas, a coleira no cachorro e sair por ai ?” (E nessa eu me incluo ehehe)
ISA: “Muitas pessoas me perguntam “Mas você trabalha quando fica nas fazendas? Você trabalha para manter sua viagem?” Bem, eu viajo. E quem viaja nesse estilo sabe que viajar dá um trabalhão danado! Quanto mais experiência se adquire, mais se aprende que dinheiro é das coisas menos valiosas que se pode carregar em uma viagem de auto conhecimento como a minha. Sério, ele não vale nada! E quanto mais tempo com a Pipoca eu passo, mais percebo que minha vida (e minhas viagens!) daqui pra frente tem muito mais sentido quando se tem um amigo ponta firme do lado.”


Isa e Pipoca deram uma volta ao redor da Alemanha e estão agora a caminho de Portugal. Já percorreram cerca de 3 mil quilômetros, dos quais pelo menos 2700 de bicicleta. Em algumas ocasiões elas se valeram de caronas e trens, quando o vento e chuva não eram favoráveis para pedalar. A estadia foi majoritariamente em fazendas e casas de pessoas, sendo poucas vezes necessário acampar e somente uma única vez foi preciso pagar um hotel.




Estaremos aqui torcendo, vibrando e acompanhando a linda expedição destas meninas... Onde quer que brilhem os seus olhos!




Acompanhe você também:
ou @ondebrilhemosolhos

Vão em frente, meninas!

Larissa Rios